terça-feira, fevereiro 27, 2007

O homem da harmónica

Façam um favor a vocês próprios e, se não viram Era Uma Vez no Oeste (1968), não vejam também o video que deixo no fim deste post. Trata-se da magnífica sequência final em que todas as pontas se atam, a concretização da vingança, o desvendar da tragédia que move (que define, em mais que um aspecto) o vingador. Ver estas imagens separadas do resto deste western spaghetti não provoca um centésimo do efeito. Ou talvez provoque, de tal maneira é genial a realização de Sergio Leone, as interpretações de Charles Bronson (no seu registo less is more) e, principalmente, de Henry Fonda, na composição de um dos melhores vilões de sempre. De qualquer maneira, nunca será tão grandioso como assistir a todo o filme. É preciso experimentar o sentimento de perda que atravessa a história de Dario Argento, Bernardo Bertolucci, e do próprio Sergio Leone, e que ajuda a tornar arrasadora esta sequência final. É indispensável a visão de Claudia Cardinale. Por isso sugiro mesmo que passem à frente. E que vejam esta obra-prima do princípio ao fim com urgência.
Aos outros, convido a rever o duelo final, a propósito da estatueta honorária atribuída a Ennio Morricone. E se a música é importante nesta sequência, com a revelação brutal da origem do som da harmónica, uma assombração que parte de umas poucas notas e cresce até se tornar a obsessão de uma vida, traduzida por Morricone num tema arrepiante, que é, na minha opinião, o seu melhor trabalho de sempre (atenção que não conheço tudo: Morricone fez a música para mais de 400 filmes).
Consta que, na Academia, alguém se lembrou que Ennio Morricone tinha gravado um disco com Dulce Pontes, e foi por uma unha negra que, mesmo assim, lhe atribuiram o óscar. A verdade é que a distinção é mais, mas muito mais, que merecida. Morricone tem lugar garantido no meu panteão de grandes compositores do cinema, ao lado de Elmer Bernstein, Danny Elfman, John Williams, Angelo Badalamenti (discípulo de Morricone), e Mark Mothersbaugh.
O tema fica a rodar na FHfm.
E aqui, uma das mais geniais sequências da história do cinema.

4 comentários:

Egas disse...

Perfeito. Tem tudo. Uma história bem construida, excelentes actuações e música divinal. Simplesmente perfeito.

JoaoMealha disse...

Errata:onde se lia "Tim Burton" deve ler-se "Danny Elfman".Certo Filipe?
Esta sequência é realmente estupidamente esmagadora.Também recordo com emoção a sequência do "Bom, Mau e o Vilão" que utiliza a "Ecstasy of Gold".Tantas campas!Meu Deus o desespero!!

Filipe disse...

Claro que sim, grande Mealha, é o que dá posts feitos à pressa (mas também se não os fizesse à pressa nunca os fazia, que isto anda deveras apertado de tempo). A confusão vem de, como muito bem sabes, os dois trabalharem juntos amiúde. Junta a esse facto a distração natural de um Cebola e tens o resultado final. Vou já colocar o nome do senhor Elfman onde ele devia estar de início. Muchas gracias.
E em relação ao teu comentário do post acima: se és fã de histórias com paradoxos temporais, dobras de espaço e de tempo, esse tipo de coisas, estou cada vez mais convencido de que vais adorar "Heroes". Embora a onda espacio-temporal seja apenas uma gotícula no universo que é aquela série. Vai beber de várias fontes: Days of Future Past (X-Men), New Universe, dezenas de outras referências mais ou menos directas a personagens e histórias (já) clássicas da BD americana. E tens de ler "Up The Line", de Robert Silverberg e a "Timeline Trilogy" de Richard C. Meredith, provavelmente as melhores obras que já foram escritas acerca de viagens no tempo e afins. O primeiro está disponível na Amazon, mas também o consegues arranjar na mítica colecção Argonauta, dos Livros do Brasil, agora a trilogia não sei (tive a sorte de encontrar uma edição americana num alfarrabista há uns anos).

JoaoMealha disse...

Muito agradecido pelas dicas literárias Filipe!O "Up the Line" está já na minha wish list da Amazon para dias mais financeiramente risonhos.
Irei visionar todos os episódios do "Heroes" a breve trecho.Será que eles no final da série se unem todos para defrontar um Super-Vilão maior que a vida como o "Galactus" ou assim?Já agora, esse senhor não vai aparecer no próximo Fantastic Four pois não?Está mal.Como se pode contar a história do Surfista sem o devorador de Planetas?