segunda-feira, janeiro 29, 2007

I think me and my friend are ready to go pro.


Este fim de semana, numa das poucas pausas na escrita de sketches para o HORA H (e tenho novidades, já lá iremos), consegui finalmente ver NACHO LIBRE. A história de um monge cozinheiro cujo grande desejo é tornar-se o maior dos luchadores de luta libre - verdadeira incursão pelo imaginário do wrestling mexicano, entretenimento elevado ao estatuto de desporto nacional - poderia esgotar-se facilmente em poucos minutos (para muita gente, logo à partida), não tivesse sido realizado com a economia e a formalidade de Jared Hess. Escrito por este junto com a sua mulher, Jerusha Hess, e Mike White (o argumentista de SCHOOL OF ROCK e que, entre outros projectos, prepara a adaptação cinematográfica de VERNON GOD LITTLE, excelente romance de estreia de DBC Pierre, aliás Peter Finlay, natural da Austrália com uma história de vida quase tão boa quanto a do livro que escreveu), este filme comete a proeza de conseguir impressionar pela excelência alcançada a nível estético - a direcção artística é sublime - ao mesmo tempo que faz rir. E muito. Basta para tal que lá esteja o grandioso Jack Black, num registo mais contido do que quando é uma das metades dos Tenacious D, pelo menos na maior parte das cenas, mas onde também se move com absoluto à-vontade. Quando solta a franga, então aí está no seu habitat natural, e é um one-man-multi-show (quando é que cá chega Pick of Destiny, catano?). E depois há a questão da banda sonora, muito indie, mesmo os temas mexicanos, factor que contribui e muito para o tom às vezes melancólico, às vezes infantil, às vezes pateta, às vezes tudo isto ao mesmo tempo, aspecto em que, de certa forma, NACHO LIBRE às vezes se assemelha ao anterior filme de Jared Hess, NAPOLEON DYNAMITE.

NACHO LIBRE foi rodado em Oaxaca, no México, com uma equipa mexicana, e são muitos os actores mexicanos que entram no filme. Grande destaque para Hector Jimenez, o Esqueleto, parceiro de Nacho nos combates de tag team mais hilariantes de que tenho memória (descontando - esta é só para os fãs de WWE - o combate dos DX contra os Rated RKO no New Year's Revolution, exibido hoje à tarde, em que tive de fazer mais uma pausa para assistir aos merecidos conchairtos aplicados em Edge e Orton), e para Filiberto Estrella e Gerson Virgen Lopez, dois (na vida real) wrestlers anões que, tal como outros luchadores, participaram no filme.

O dvd tem uns extras catitas, Jack Black all over, o que é sempre extremamente positivo, bem como uns apontamentos engraçados e instrutivos acerca do mítico universo de la lucha libre (se tiverem algum interesse, dêem um puleco até ao site oficial do CMLL, Consejo Mundial de Lucha Libre). De algumas das features e das featurettes consta material do videocast que Black manteve durante a rodagem e que, se não conhecem, vale bem a pena assistir na totalidade (procurem os Confessionals no site oficial). E quanto a NACHO LIBRE, é a não perder. E repetir a dose, de tempos a tempos. Porque apesar de não ser um filme genial, é daqueles que devem ser revistos, excepto pelos responsáveis por ter ido parar às prateleiras dos clubes de video sem nunca ter passado pelas salas de cinema. Esses não merecem.

2 comentários:

afigliatti pedrini disse...

apenas uma pequena informacinha: pick of destiny estreia dia 15 de Fevereiro! Dia esse q também marca a estreia do Letters from Iwo Jima e The Last King Of Scotland . Ora, juntar uns troquinhos e pensar em ir MESMO ao cinema!

Filipe disse...

15 de Fevereiro, hein? Ora aí estão umas belas notícias.