Sexta-feira, Setembro 29, 2006
É preciso reconhecer o génio quando damos com ele.
Quando for grande quero ser como Gunther, e ter muitas amigas que toquem no meu tra la la, no meu ding ding dong.
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FHF
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Quinta-feira, Setembro 28, 2006
Sobre o primeiro episódio de HEROES
Aviso de SPOILER: se não querem saber pormenores do episódio antes de vê-lo, então não leiam o que vem a seguir.
O que me ocorre dizer sobre este piloto é o mesmo que comentei no You Tube: gostei. Boas personagens (um bocadinho de Super-Homem aqui, um pouco de Wolverine acolá), mas os diálogos são fraquinhos. Adorei a cheerleader com capacidade de cura quase instantânea - a maneira como está sempre a auto-infligir ferimentos é muito kinky; o japonês Trekkie e fanático por comics que é capaz de dobrar o tempo e o espaço; e a online stripper cujo reflexo parece ter vida própria e ser capaz das maiores atrocidades (a esta chamo de Mirror-Stripper). Acrescento que a intriga me pareceu um bocado previsível, mas talvez que ao espectador menos acostumado com os mecanismos da banda desenhada de super-heróis a maior parte disto pareça novo, sem sê-lo: tem lá o seu quê de X-MEN, e de NEW UNIVERSE, com o eclipse solar a fazer aqui a vez de Evento Branco. A ideia de super-heróis sem uniforme também não é novidade - basta lembrar SMALLVILLE, para citar só um exemplo. Mesmo assim, HEROES não deixa de ser interessante. Mais que isso. A narrativa agarra-nos, e os personagens são puxados até ao limite. Dá a impressão que cada um deles tem um papel muito bem definido na batalha contra o mal previsto na pintura do junkie-oráculo. Faltam aparecer personagens, novos super-poderes, o que desperta ainda mais curiosidade.
Fim de SPOILER.
Por mim, podem vir temporadas e temporadas de HEROES, que eu continuarei a assistir. Mas infelizmente temo que a série não tenha impacte suficiente para agradar à maior parte dos fãs de comics, nem é particularmente boa do ponto de vista dramático para agarrar o grande público de televisão (FEIRA DA MAGIA era melhor, com diálogos superiores, e foi cancelada). Bem sei que ainda é muito cedo para avaliar - espero estar enganado e que HEROES tenha uma vida longa. Com melhores guiões, que os personagens merecem.
Para já, estou em semi-pulgas para ver o segundo episódio.
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FHF
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Terça-feira, Setembro 26, 2006
Onde é que estavam no 26 de Setembro de 2003?
(Updated - 27/09, 1:50)
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Tópico: Imprensa, Inimigo Público, Projectos
Shave the Whales, Fuck the Planet *
Regressando à Treta: tirei algumas fotos no Open Air com o telemóvel, mas não ficaram grande coisa. Enfim, são as fotos possíveis. Cliquem nas imagens para aumentar o tamanho.

Parte da plateia do Open Air, ainda em processo de enchimento. São Pedro, ou o afilhado dele (quando virem o filme percebem) ajudou à festa, porque a chuva não veio.

Mais um pormenor da assistência, ainda faltava um bom quarto de hora para o começo do filme. Em primeiro plano, ao canto, está o Miguel 'Elmano Sadino' Guilherme, que esteve connosco a assistir à Treta. O Miguel é que tirou umas fotos bem catitas, vou ver se ele tem oportunidade de enviá-las para que as possa postar aqui.

(*) Para saberem mais sobre esta expressão, vão ter de ver o filme. Ah pois.
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FHF
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Tópico: Cinema, Conversa da Treta, Filme da Treta, Projectos
Sábado, Setembro 23, 2006
Filme da Treta: mais que um videogame, um películagame
Um jogo de computador com o universo da Treta. Era um sonho velhito, alimentado a cada hora roubada do mundo real para para jogar EVIL DEAD: FISTFUL OF BOOMSTICK e ONIMUSHA 3: DEMON SIEGE (terminei ambos, meus caros, essa é que é essa). E o FILME DA TRETA resultou nisso mesmo: um jogo de computador de sensivelmente hora e meia, no sentido da estrutura, não-linear, com avanços e recuos, os flashbacks funcionando como as cutscenes de um videogame na terceira pessoa, em que o espectador/jogador interage com o que está a assistir através (esperamos nós) da gargalhada. Começámos, numa primeira versão do guião, por estabelecer uma narrativa clássica, estrutura em três actos, com várias intrigas no sentido mais banal do termo, até percebermos que, desta forma, o filme não seria fiel ao espírito original da peça. Porque a peça não tinha uma estrutura linear. Nem uma intriga de base. Recuámos um pouco até ao último texto que tínhamos escrito para o universo da Treta, o da peça A TRETA CONTINUA. Qual era a história da peça? Exactamestes – não tinha. Era uma viagem. As conversas entre Zezé e Toni eram caóticas, derivando de um assunto para o outro através de uma lógica muito própria, sem um propósito pré-determinado. Ao longo de tantos anos a escrever a CONVERSA DA TRETA, esse constante serpentear entre temas era para nós cada vez mais natural, e muitas vezes ficámos surpreendidos com o rumo tomado pelas conversas que estávamos a escrever. Alto grau de imprevisibilidade. Era esse espírito que precisávamos de recuperar para o filme, e tentar levá-lo ainda mais longe.
Curiosamente, foi uma das últimas pessoas a entrar para o universo da Treta, o Leonel Vieira, que preferiu concentrar-se na produção do filme e entregar a realização ao José Sacramento, a alertar para um factor determinante: ao escrevermos os diálogos entre os dois personagens com o propósito de fazer avançar a narrativa, estávamos a sacrificar espaço para desenvolver esse caos. O guião, tal como estávamos a desenvolvê-lo, podia servir para um filme que não o da Treta. Percebemos que estava portanto na altura de ‘soltar a franga’. Ter carta branca de um produtor para ‘partir a louça toda’ é um gozo, e ter actores do calibre do António Feio e do José Pedro Gomes dispostos a alinhar numa coisa tão arriscada como a que propusémos a seguir é um privilégio.
Deitámos tudo fora e começámos um guião novo de raíz, abandonando de vez a ideia de uma estrutura linear. E pensámos o FILME DA TRETA como um percurso, de princípio e fim difusos, em que interessa apenas conhecer e fazer crescer os personagens colocando-os em situações diversas, aparentemente – mas apenas aparentemente – sem relação entre si. Quase como níveis de um videogame. Um pouco como – e salvo as devidas distâncias – o LOST, que também tem uma estrutura semelhante à de um jogo de computador. Atenção que não há aqui nenhum ‘descobrir da pólvora’. Este tipo de estrutura é comum em narrativas épicas como O SENHOR DOS ANÉIS, e em poemas épicos como a ODISSEIA e a ILÍADA. Sim, estou a comparar a ODISSEIA a um videogame – os bonzos da cultura que façam o favor de shutthefuckup. Mais grave ainda: estou a comparar a ODISSEIA com o FILME DA TRETA. Não é a ODISSEIA um poema de nostos, palavra grega que significa “regresso” e de onde deriva a palavra portuguesa “nostalgia”? (soa tão bem, e apenas tive de consultar a wikipédia para saber disto; há coisas fantásticas cumó catano, não há?). Se estabeleço esta comparação não é com o objectivo de fazer qualquer tipo de statement intelectual. É só para enervar as pessoas. Mas a verdade é que o FILME DA TRETA resultou exactamente nisso, numa história de regresso, ao bairro da Ladroa, local imaginário onde vivem Zezé, Toni, e, de raspão, outras personagens secundárias que fomos criando ao longo dos anos, como Galhetas, Zé Cágado, Lambretas, e o talhante Bifinhos, imaginado de propósito para o filme. Mais que um videogame, o FILME DA TRETA é o primeiro películagame português de que há memória. Agora só esperamos que seja bem recebida. Que o “suponhamos” com hora e meia de duração escrito para Toni, poeta da gravilha, e Zezé, joelhedo de aço, provoque gargalhofa. Porque afinal, é tão-somente disso que é suposto tratar-se: gargalhofame.
O FILME DA TRETA é exibido hoje em antestreia no Optimus Open Air, às 21h30.
Se estiverem para aí virados, podem consultar mais notas sobre a película do tretame aqui.
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FHF
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Quinta-feira, Setembro 21, 2006
Estará o mundo preparado para 400m2 de TRETA?
É bom que esteja, porque depois das antestreias dos novos filmes de Sofia Coppola e Brian de Palma, o Optimus Open Air apresenta a antestreia do FILME DA TRETA! 1500 almas de extremo bom gosto não só poderão assistir ao filme antes da data de estreia (12 de Outubro), como terão a oportunidade, provavelmente irrepetível, de vê-lo ao ar livre numa tela com a altura de um edifício de seis andares. Haverá programinha mais romântico do que vislumbrar um Zezé gigantone em cuecas, um Toni godzíllico a cortar as unhas dos pés, e umas strippers, tenham elas o tamanho que tiverem? Duvido à grande. Eu e o Eduardo também lá vamos estar, junto com o José Pedro Gomes, o António Feio, o José Sacramento e o Leonel Vieira, pelo que poderão socar-nos logo ali caso não gostem da película. Sábado, dia 23 às 21h30, o sítio para estar é a Doca de Santos em Lisboa.---------------------------------------------------------
(Update, 22/09 - 19:15) Atenção: a cena em que Toni corta as unhas dos pés foi retirada da montagem final, e nem António Feio nem José Pedro Gomes vão estar presentes amanhã no Open Air, uma vez que estão no Villaret a fazer a peça "2 Amores", de Ray Cooney (mais informação sobre a peça aqui). Por isso, se quiserem arrear, só o poderão fazer a nós; prometemos transmitir as murraças aos dois actores, se for caso disso.
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Tópico: Cinema, Conversa da Treta, Filme da Treta, Projectos
Finalmente vou ver estes indivíduos
(a rodar na Rádio Salvo Erro, Plug in Baby, do álbum Origin of Symmetry [2001])
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Tópico: Música
3 anos de IP
Para comemorar a data, é lançada amanhã a colectânea UM ANO IGUAL AOS OUTROS?.

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Quarta-feira, Setembro 20, 2006
Rápidas
Microsoft lança Soapbox, serviço concorrente do YouTube - leiam tudo aqui
YouTube e Warner com acordo para a distribuição de videos - leiam tudo aqui
Sony + Lonely Planet = PSP com guia de cidades - leiam tudo aqui
eMusic: serviço de download de música, que se assume como a primeira alternativa ao iTunes no mercado europeu. Ao contrário do iTunes, o eMusic não limita a reprodução das suas faixas aos dispositivos iPod, sendo as suas músicas compatíveis com qualquer equipamento que suporte ficheiros mp3 - leiam tudo aqui
Entretanto, na FHfm, depois de California Über Alles dos Dead Kennedys e Get Myself Into It da banda The Rapture, está a passar Silver Machine, dos míticos Hawkwind.
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Segunda-feira, Setembro 18, 2006
Reacções
Este episódio faz lembrar, salvo as devidas distâncias, a polémica dos cartoons dinamarqueses. Só que, ao contrário do que aconteceu na altura, em que as palavras de ordem no mundo ocidental não-alinhado com Freitas do Amaral eram "somos todos dinamarqueses", não espero desta vez ouvir nem ler "somos todos católicos". E ainda bem. Para exageros, bastam os radicais muçulmanos.
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Quinta-feira, Setembro 14, 2006
Vislumbrai: o terceiro teaser do FILME DA TRETA!
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Quarta-feira, Setembro 13, 2006
O 11 de Setembro e os Cebola Mol
Outro 11/9, o de 2003, viu nascer aquele que é, até hoje, o último registo audio lançado por mim e pelo Eduardo Madeira; ou melhor, pelos nossos alter egos Eddie e Phil Stardust, mais conhecidos por Cebola Mol. ANDROID POLAROID, assim se chama o álbum, teve como primeiro single o tema "Queixadas de Sintra". O videoclip, gravado em grande parte durante uma actuação nossa ao vivo na Queima das Fitas do Porto em, salvo erro, 2002 (talvez fosse já 2003, não me lembro), e que inclui a nossa recriação de uma das cenas mais míticas de PULP FICTION, pode ser visto aqui graças ao You Tube. Foi realizado pelo Miguel Cadilhe, que não soube infelizmente aproveitar o impulso que a sua carreira teve graças aos Cebola, e acabou produtor do Manoel de Oliveira.
Mas o nosso videoclip mais celebrado é talvez este postado aqui em baixo, do tema "Os Mês Irmões Baterem-me", do álbum anterior, SAMBA ROULLOTTE (2001), autêntica super-produção de cerca de um minuto e meio realizada pelo Diamantino Ferreira. As filmagens (sim, filmagens; é de película que se trata) decorreram durante um dia inteiro, das seis da manhã às tantas da noite, em várias ruas do Cais do Sodré fechadas ao trânsito para o efeito. Nesse dia sofri um entorse no pé direito, durante a cena em que eu e o Eddie saltamos de uma escada para cima de um automóvel. Até aí tudo bem, e mesmo a parte em que a minha mão bate contra o vidro do carro e o estilhaça não foi problema. Sem saber como, foi depois de sair de cima do carro e começar a correr rumo à mesa onde um grupo de Hare Krishnas joga à sueca com membros do Ku Klux Klan, que o meu pé deu de si. As filmagens continuaram durante algumas horas, com improvisos que passaram pelo Eddie a levar-me às cavalitas enquanto éramos perseguidos por um escuteiro maníaco (o António Mauritti, amigo de longa data e dono de um talento invulgar, a quem já chamei para participar quer numa das reportagens que escrevi para O INIMIGO PÚBLICO TV, quer n'O HORROR iNOMINÁVEL, onde aparece no papel de Al-Mahauritti, o árabe que vende ao De Pina o iPod de Bin Laden), polícias, travestis, top models de outra galáxia armadas com pistolas de raios-laser, ciganos, talhantes, e um assassino contratado armado com um potente lança-chamas; e com a inclusão de uma cena em que uma anjinha aparecia do nada e me presenteava com uma cadeira de rodas. Foi também numa cadeira de rodas que entrei, dois dias mais tarde, no palco da Queima das Fitas de Leiria, carregado pelos bombeiros locais. No final de um concerto de cerca de duas horas, para qualquer coisa como 15 mil pessoas, a adrenalina foi tanta que partimos as violas e atirámos os pedaços ao público, junto com as nossas roupas e as muletas com que era eu suposto sair do palco.Aqui fica então o video de "Os Mês Irmões Baterem-me", com a presença do Júlio Isidro dos Cebola Mol, o Monsenhor Nuno Markl, na sequência inicial, onde aparece num bólide pintado com chamas a disparar furiosamente contra nós. Apreciem. E reparem na longa guedelha que eu tinha na altura - parecia o Gandhi.
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Sobre o último Prós e Contras
O título do livro de Spiegelman diz quase tudo: a bitola do terror passou a ser o 11 de Setembro. O terrorismo vive dos mortos que provoca e da dimensão dos seus atentados, e os de 11/9 foram sem dúvida os mais brutais e aparatosos. Vivemos sob a sombra de nenhumas torres; há o antes e o depois. Como em tudo, a deriva desta noção provoca atitudes extremas, nem todas explicáveis. Que dizer da insistência de Fátima Campos Ferreira em esclarecer se Mário Soares, ao condenar os ataques das forças militares americanas no Afeganistão e no Iraque – que classifica de humilhações ao mundo árabe –, se referia a um período anterior ou posterior ao 11 de Setembro? A D.ª Fátima pretendia conduzir a conversa no seu habitual rigor sensacionalista, mas o élan foi quebrado pela vontade irresistível que Pacheco Pereira tem de se ouvir a si próprio. Assim como ao canto de um rouxinol lhe basta ser belo, também ao discurso de Pacheco Pereira chega-lhe ser uma forma de exibir ao resto do mundo a superioridade moral e intelectual de que se julga dono e senhor. Concordo substancialmente com as opiniões expressas por Mário Soares, e só lamento que tenha perdido grande parte do seu tempo a relembrar que já foi ao Líbano, e que já esteve no Irão, e que já cavalgou o dorso de uma tartaruga gigante. Mário Soares não precisa deste tipo de afirmações para garantir um lugar na História - já o tem assegurado, bastando para tal abster-se de aparições televisivas deste calibre, que só prejudicam a imagem que dele temos no presente e que guadaremos para o futuro.
Voltando à D.ª Fátima: bateu no fundo do poço ao falar com Yiossuf Adamgy, editor da Al-Furqán, revista e editora com o mesmo nome, que tem no seu catálogo publicações que não lembram ao Menino Jesus. Exemplo – “O Conceito Islâmico a respeito de: Aborto, Planeamento Familiar, Homossexualidade, Masturbação, Pais de Aluguer e Inseminação Artificial." Fátima Campos Ferreira dividiu a sua prestação na segunda parte do Prós e Contras entre uma promoção descabida à RTP, apregoando por diversas vezes o facto de ter sido o canal do Estado a exibir o documentário Loose Change como se isso fosse um grande feito jornalístico, e um ataque cerrado a Yiossuf Adamgy, a partir do momento em que este assumiu as dúvidas que o dito documentário (e não só) nele despertaram. A tentação sensacionalista de expôr um islâmico que põe em causa o papel da Al-Qaeda nos ataques de 11 de Setembro falou mais alto, e por momentos a D.ª Fátima mais parecia oriunda da Salem de 1692, de dedo acusador apontado enquanto gritava burn the witch!
Uma nota em relação às teorias da conspiração: o fanatismo é sempre o problema, quer seja de radicais islâmicos ou de neo-conservadores. Há verdades que é melhor para todos que permaneçam trancadas a sete chaves, como por exemplo o facto de eu pensar frequentemente em depilar-me. Mas sobre o 11 de Setembro é preciso que se saiba tudo, porque é sob a sombra desses atentados que, irremediavelmente, se dá toda e qualquer discussão sobre o terrorismo.
Corre-se o risco – e não é de hoje, pois as dúvidas nasceram no dia seguinte aos ataques – de que o hype à volta destas questões se sobreponha à real necessidade de respostas. É preciso não deixar que o pedido urgente de esclarecimentos acerca das verdadeiras circunstâncias em que aconteceram os atentados de há cinco anos se confundam com lérias e teorias da conspiração facilmente ridicularizáveis, que só prejudicam o apuramento dos factos. A mobilização geral para a procura de respostas é saudável se for racional e bem direccionada, como o são os ataques informáticos quando o alvo é o Abrupto.
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Terça-feira, Setembro 12, 2006
Segunda-feira, Setembro 11, 2006
11 de Setembro: pontas soltas
Cinco anos depois, as imagens já parecem cá de casa. Como um quadro na parede, um cartaz emoldurado de um blockbuster que justifica invasões, de países e privacidade. A tal realidade que é às vezes mais estranha que a ficção, como muito se repetiu nesse dia, à falta de melhor para dizer. Porque para dizer melhor era preciso pensar, e a maior parte do mundo não conseguia pensar de forma clara durante aqueles momentos, e até bem depois disso. É natural e humano que assim seja. Mas com o passar do tempo, as perguntas feitas na altura, sem pensar, revelam-se as mais pertinentes, como são todas aquelas que continuam sem resposta.Esqueci muito do que me passou pela cabeça naquele dia, em frente à televisão. E só voltando a ouvir os comentários dos muitos repórteres no sítio me recordo da bizarria do primeiro contacto com tudo aquilo, das pontas soltas, que esperava ver atadas firmemente com os anos. Se o tempo não cura, ao menos explique. Sabia que eram pessoas, aqueles vultos pequenos que caíam das torres, mas o verdadeiro impacte do horror só o racionalizei mais tarde; uma defesa, suponho. Penso que também isto é natural e humano. Mas, nos instantes em que o mundo mudava, aquilo que achei mais desconcertante foi a derrocada das torres gémeas. A aparente implosão, palavra dita ou pelo menos pensada por muitos de nós, com os olhos colados ao rectângulo ou fechados pela poeira de um século que começava em ruínas. Porque era o que parecia. Como saber? Era tudo novo, tudo terrível. Mais perguntas. Um avião também bateu no Pentágono? E os destroços, onde estão? O que disse a testemunha? Era também um avião comercial? Não tinha janelas? Foi um míssil? Quem fez isto?
O passar do tempo extrema as posições, como o fanatismo religioso do qual nos querem salvar. Mas desta vez nem foi preciso deixar passar muito tempo. As respostas tardam, mas a reacção foi mais rápida que uma bala. O Patriot Act. As escutas telefónicas. O dominó da democracia, afinal um xadrez que começou com um xeque-mate nas nossas liberdades individuais.
A realidade que parecia ficção foi consagrada este ano com o formato "baseado em factos reais", quer no filme de Paul Greengrass, quer no de (surpresa) Oliver Stone, porque o American Way of War precisa de heróis, como as religiões precisam de mártires. E se o médio oriente percebe dos últimos, não há como Hollywood para fazer dos primeiros. Há restrições na bagagem de mão permitida a bordo de um avião, mas não há limites para os sacos de pipocas nas salas de cinema. Temos blockbusters depois do blockbuster.
Os mortos. Os quase três mil das torres gémeas. Os cerca de quarenta e cinco mil do Iraque desde o início da ocupação norte-americana. Duvidar e exigir respostas exactas acerca de um evento desta gravidade não é desrespeitar as vítimas; é, aliás, um sinal de respeito. O porquê, quem, como, não os levanta da tumba, mas as respostas são-lhe devidas, a eles e aos seus familiares. A nós todos, já agora. É importante saber a verdadeira extensão da ameaça que paira sobre as nossas cabeças. Sem informação dúbia ou nem sequer revelada. Só que o atentado de 11 de Setembro está cheio de pontas soltas.
A questão do avião que alegadamente embateu no Pentágono tem sido a mais debatida: a falta de um rasto no chão; de destroços; a apreensão pelo FBI de todos os registos video das cercanias, e o facto de, no único até agora tornado público, as imagens não mostrarem claramente o que embateu no edifício. A insistência, por parte de várias testemunhas presentes no local, de que houve outras explosões. O facto de, antes dos ataques ao World Trade Center, não haver notícia de nenhum edifício que se tenha desmoronado por causa de um incêndio. A existência de vários outros edifícios, bastante mais velhos que as torres gémeas, que arderam durante mais tempo (20 horas, contra os 50 e tal minutos das torres) e em extensões muito superiores (26 andares, contra os 4 das torres), e que não tiveram o mesmo destino. A derrocada, em tudo semelhante à das torres gémeas, de um edifício a 100 metros do local, quando outros mais próximos foram poupados a essa sorte. A gravação das transmissões dos bombeiros (só há pouco tempo tornadas públicas) que estavam dentro de uma das torres, dando conta de explosões secundárias, dizendo que estavam junto aos andares atingidos pelo avião, facto que choca com a versão oficial de que, naquela área, estavam as tais temperaturas incrivelmente altas, capazes de volatilizar a estrutura de betão e aço e assim provocar o desmoronamento. As explosões ocorrentes durante a derrocada das torres gémeas, em diversos andares, atribuídas na versão oficial a bilhas de gás existentes nas diversas cozinhas do edifício, mas que encaixam tão bem na imagem que guardamos de uma implosão. Mais transmissões de bombeiros, dando conta de explosões semelhantes às que se ouvem durante uma demolição controlada. A inverosímil destruição total das caixas negras dos aviões. Inúmeras contradições entre os vários comunicados oficiais. Sempre que alguma informação é sonegada, invocam-se razões de segurança. Uma necessidade conveniente.
O documentário LOOSE CHANGE - CONSPIRAÇÃO INTERNA deixou de circular exclusivamente na internet para passar a ser o mais visto de todos os que foram exibidos na 2: durante a última semana, e repetido esta noite na RTP 1 (quem não viu, pode fazê-lo aqui). Apresenta uma tese polémica: a de que foi a prórpria administração Bush a executar os atentados do 11 de Setembro. Estabelece relações entre operações de manutenção e segurança do edifício, autorizadas por Marvin Bush, irmão de George W. Bush, e a alegada colocação de explosivos de demolição controlada no interior do WTC. Denuncia alegadas operações financeiras relacionadas com os atentados, por exemplo, um volume anormal de venda de acções da American Airlines em vésperas do 11 de Setembro. Põe em causa o destino do United 93, e as chamadas de telemóvel que a versão oficial diz terem sido feitas pelos passageiros às suas famílias, invocando o resultado de testes que demonstram a baixa taxa de sucesso nas chamadas estabelecidas àquela altitude (ao ponto de, recentemente, os voos da American Airlines terem sido equipados com um sistema que permite fazer telefonemas em condições).
Muitas das dúvidas que este documentário procura esclarecer são as mesmas que nos surgiram no momento em que assistíamos aos ataques, quando o pensamento não era claro. As respostas, na sua versão oficial, por vezes não convencem, ou não existem. E é lícito duvidar de alguém que, até há semana passada, também garantia não ter prisões secretas na Europa.
LOOSE CHANGE, que se traduz literalmente por "trocos", mas que é uma expressão idiomática que corresponde à nossa "pontas soltas", é um documentário polémico, acima de tudo porque nos apresenta a um horror ainda maior que o do 11 de Setembro: a ideia de que todas as (poucas) respostas que nos têm sido dadas pela versão oficial são uma mentira. Em que ficamos? De um lado, temos uma verdade mal fundamentada, e do outro uma mentira bem articulada? Ou temos uma mentira que se procura perpetuar, e uma verdade que é sucessivamente aniquilada, pois todos que a defendem são caracterizados pelos media dominantes como párias, bizarrias, e, por isso, desacreditados perante a opinião pública?
Se é verdade que queremos todos o mesmo, uma explicação, que nos permita proteger não só as nossas vidas mas também as nossas liberdades, sejam então tornados públicos todos os dados relativos ao maior ataque terrorista da história. A única verdade inabalável do 11 de Setembro foi o terror. Ainda é.
Há já muito tempo que o inimigo não é Bin Laden: como já demonstraram os atentados de Madrid e Londres, os terroristas vivem lado-a-lado connosco, quer LOOSE CHANGE venha a revelar-se, no futuro, a verdade provada dos acontecimentos de há cinco anos, quer seja uma fraude descabida. O que vier primeiro, e melhor fundamentado. Vou continuar a dar ouvidos a ambos os lados, pondo tudo em causa. É a única maneira de obter respostas, esclarecer dúvidas, atar as pontas soltas. Saber o quem, o porquê, o como. Compreender. Mais que um direito, que nos assiste a todos, parece-me ser uma necessidade natural e humana. Sem respostas, os terroristas vencem.
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Sábado, Setembro 09, 2006
Banho digital
Salvo erro, IP aos sábados
"O sector da imprensa de notícias falsas encontra-se em grande movimentação: numa altura em que o Expresso se prepara para mudar de visual e em que surge um novo título, o Sol, com o antigo visual do Expresso, O INIMIGO PÚBLICO acompanha a mudança, e passa a sair ao sábado [HOJE], (...) tal como o Expresso, mudou de visual e, tal como o Sol, conta com a megalomania do seu director, Luís Pedro Nunes. Mas, ao contrário do Sol, que ainda terá de se impor, e do Expresso, que só mantém o saco de plástico, O INIMIGO PÚBLICO tem a vantagem de continuar a vir embrulhado num jornal verdadeiro."
O SALVO ERRO continua a ser servido quinzenalmente no IP, mas agora em formato maior. O tema do fotoon de hoje é perceptível no pormenor abaixo. Dedico este trabalho às crianças, à natureza, e às árvores.
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Sexta-feira, Setembro 08, 2006
AZUL A CORES em Setúbal
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Tópico: Azul a Cores, Festa do Teatro (Setúbal), Projectos, Teatro
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Quinta-feira, Setembro 07, 2006
Salvo erro, 1 ano
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Quarta-feira, Setembro 06, 2006
Segunda-feira, Setembro 04, 2006
Da falta de noção e outras miudezas
- ninguém no PSD se apercebeu de que o slogan escrito no púlpito era uma má ideia;
- os que pensaram que a coisa podia dar para o torto resolveram calar-se, porque chamar a atenção para a ironia da frase seria admitir que, pelo menos uma vez, já meditaram sobre a estatura do seu líder;
- nada disto foi um acidente, o objectivo era a risota à custa de Marques Mendes.
No fim de contas, alguém ouviu o discurso? Ou estavam todos a rir à grande?
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