terça-feira, dezembro 05, 2006

Two thumbs smackdown

Por pior ideia que se possa ter do wrestling, acho que é consensual: antes levar a criançada a ver um espectáculo destes do que a um showtógrafo da Floribella. O wrestling é bem menos violento - aquilo é tudo encenado -, enquanto que os showtógrafos da Flor acabam sempre em batatada à séria, com putos a serem utilizados como arma de arremesso por pais que procuram, com atitudes desesperadas deste calibre, garantir que esses mesmos filhos tenham um autógrafo da Luciana-ai-que-eu-quero-adoptar-uma-chinesinha.

Putos de quatro, cinco, seis anos, acompanhados dos pais, foram a grande fatia do público mais ao rubro que vi em muito, muito tempo. Estava um ambiente muito engraçado no Pavilhão Atlântico, um ambiente familiar, para ver quase três horas de algo supostamente brutal - mas que não é brutal, é apenas entretenimento. O problema é que entreteve muito pouco.


Importa-se de me devolver o dinheiro do bilhete, faz favor?

Não digo que os wrestlers do Smackdown não tenham dado o litro, porque deram, pelo menos alguns. Mas a graça disto, a meu ver, passa muito pelo aparato, pela pirotecnia, pelo show off dos lutadores captado pelas câmaras e amplificado pelo ecrã gigante colocado no recinto, a substituir, ao vivo, a proximidade que temos dos lutadores quando assistimos aos combates pela televisão. E, muito em especial, pelo enfâse que os comentadores dão à coisa. É como os relatos de futebol na rádio - há casos em que o jogo pode ser de uma seca impressionante, mas um bom relato transforma aquilo num Tyson a arrancar a orelha à dentada a um Holyfield. Ora, o espectáculo de hoje há pouco (ontem, que já passa da meia-noite) não teve nada disso, nem comentadores (acho que na versão gravada, para o CW, os comentários também só são ouvidos pelos telespectadores, e não ao vivo, mas aqui não havia comentadores de todo), nem pirotecnia (só Baptista teve direito a fogo de artifício), nem ecrã gigante. E, sobretudo, uma enorme falta de ritmo, que na televisão passa despercebida com a edição, as repetições, as promos e as imagens de bastidores, mas aqui foi tão notória que cheguei a soltar um bocejo ou dois. O público pareceu não se importar: esteve ao rubro do princípio ao fim. Mas cá fora, depois do espectáculo, o entusiasmo era bem menor que no início. Talvez - bem sei que, para mim, foi a grande mossa da noite - porque a Ashley afinal não veio. Chuif.

Momentos altos: a prestação das WWE Divas, Jillian e Layla, que, apesar de terem feito uma passagem-relâmpago pelo ringue não deixaram de arrancar suspiros aos putos e aos pais dos putos, e provocar reprimendas das mães dos putos, quer aos putos quer aos pais dos putos. Nunca as palavras "Despe" e "Boa" foram entoadas, foi tudo muito cordato, excepção feita aos aplausos de pé; mas há que extravasar de alguma forma, certo? A segunda parte, de longe melhor que a primeira, também teve alguns momentos com piada: Kane a espancar MVP, Chris Benoit a açoitar Chavo Guerrero, e Baptista a levar à frente Finlay (sem Little Bastard) e Kennedy (que disse à assistência, em português aceitável, "Beija-me o cu"). Estrela da noite: sem dúvida, o Baptista. Já o recinto estava vazio, e ele ainda lá estava, aposto, a cumprimentar as cadeiras. Personagem mais assustadora da noite - a senhorita da organização que estava algures no Balcão 1 a controlar os bilhetes; era tal o zelo que passou grande parte do tempo a correr atrás de toda a gente, a apontar a sua lanterna para conferir os números dos bilhetes, mesmo que para isso tivesse de se colocar à frente da assistência nos momentos mais cruciais dos combates.

Momentos penosos: a entrada-surpresa do Boogeyman para meter umas minhocas na boca de Jillian; a intenção era boa, mas o fumo era tanto e a passagem foi tão rápida que o tipo mal se viu, apesar dos dois metros de altura. Veio dos EUA para isto? Ele há vidas tristes.


Raisparta: acabei por não levar o cartaz a dizer TARZAN TABORDA FOREVER!

O resto desta primeira visita do Smackdown a terras lusas foi também muito fraquinha. Aos que têm bilhete para amanhã (hoje, dia 5), arrisco uma dica: vendam-no, e comprem um DVD de wrestling com o dinheiro, ficam mais bem servidos.

9 comentários:

Anónimo disse...

O teu blog ta excelente!


tlai

Filipe disse...

Ainda bem que gostas
Volta sempre

AjBesta disse...

...a malta lá do taskedo , ainda pensou em ir , mas depressa chegamos a essa conclusão , é mesmo um espectáculo de televisão.. , ao vivo têm que estar tudo muito certinho e arrumadinho nos sítios certos para resultar...
...e pelo que li , a organização montou tudo sem tempo e um bocado em cima do joelho (tipo , há tuga) , mas deve valer só pela curiosidade de ver gajos daquele tamanho e pelas senhoritas...

Anónimo disse...

Agora um comment com mais tempo...
De facto como comentado com o meu irmão que me acompanhou, o cenário estava fraco (não havia a mão/simbolo do smack), sentimos muita falta dos comentadores, do som e os close ups. Concordo plenamente com os momentos mortos.
Antes do espectaculo começar já dizia: - Isto vai ser um "one time only"... a ver vamos, se calhar vou ter de levar o puto qd ele for maior...

Na minha opinião o momento da noite vai para o Mr. Kenedy, o homem é um show.

Os combates valeram apenas pelos voos de alguns wrestlers, se calhar era por estar habituado à TV.

tlai

Tino_de_Rans disse...

Não vou comentar o espectáculo pq n fui...mas não poderia deixar de comentar um post onde aparecem umas mamas daquelas....

Hummmmmmmmmmmmmmmmm

ShadowMaster disse...

Vou comentar o espetaculo porque fui. E fui aos 2 dias. Posso-te dizer que foste no pior dia. O 2º dia foi muito melhor e com muito mais emoção que no primeiro. A meu ver, devias era de ter vendido o bilhete e comprado um para o dia seguinte. O post que fizeste teria sido muito diferente.

TIVE_LA_A_VER_SMACKDOWN_5 disse...

Pois pelos vistos o pessoal do 1º dia é que levou com as sobras.

No dia 5 estava tudo mais ou menos bem organizado. Começou a horas, não houve grandes demoras entre os combates.

Cantou-se o "És tão boa" para as diva.

O menos bom foi mesmo não terem posto pirotecnia nos cantos do ringue para o Kane.

O publico do dia 5 esteve muito bem nas entradas e saídas de ringue, durante os primeiros matches é que estiveram um pouco calados, à excepção da Battle Royalle na qual ja se ouvia muito apoio ao Benoit, Kane e Kennedy.

Também foi espectacular o apoio ao VITO no 2º show. Um gajo de vestido a levar aquele apoio todo foi uma risada.

No geral foi um bom show. É completamente diferente de ver na TV. O Batista teve um impacto no publico quando depois de ganhar o match se meteu a puxar ainda mais pelo ppl.

Filipe disse...

Já me disseram que o segundo dia foi melhor, mas o que me contam, genericamente, tem a ver com a reacção do público, mais do que com qualquer outra coisa. Volto a dizer que os problemas que encontrei no espectáculo não tiveram nada a ver com o público - que esteve ao rubro do princípio ao fim - nem com os lutadores - a maioria deu o litro, e deu show, principalmente os supracitados Kennedy, Benoit, Kane, e Batista. A grande falha, a meu ver, prende-se com a produção, muito aquém do que estava à espera. Sei que este tipo de espectáculos - acho que se chamam 'house shows' - são mesmo assim, mas o ser 'mesmo assim' não chega para que eu tenha gostado. Fiquei com a sensação de que a coisa foi feita na lógica do 'para que é, bacalhau basta'. Em última análise, qualquer evento deste tipo que não tivesse previsto um momento em que Ashley se sentasse ao meu colo, nunca poderia ser do meu inteiro agrado. E a danada nem sequer veio.

Marcos Loura disse...

Os "House Shows" são assim em todo o lado, incluindo EUA; não há Titantron, nem grandes pirotecnias, nem promos, nem skits de backstage.
Servem essencialmente para testar a "química" entre wrestlers, entre wrestlers e o público (caso específico do Flash Funk aka 2 Cold Scorpio dos tempos da ECW ) e são sempre mais divertidos do que os shows televisionados (para quem está na arena) porque há um maior à vontade derivadao da inexistência de câmeras e da pressão do directo.
Mas também pelo que li, pareceu-me que o dia 5 (o primeiro dia teoricamente) teve mais público mais crescidote e mais aguerrido, o que pode ter influenciado um pouco a cena.

P.S. Finlay é um senhor.