segunda-feira, dezembro 11, 2006

Ela, Carolina



Tenho de manifestar uma certa solidariedade masculina a Pinto da Costa, pelas cenas da sua vida íntima que são agora reveladas por Carolina Salgado no seu já bestseller "Eu Carolina". Também sinto a necessidade, de quando em vez, de aligeirar em público a pressão intestinal à base de gases (condição que me faz, aliás, não deixar de fumar, porque sempre disfarça, como a própria Carol refere na sua obra), e não gostava que andassem por aí a espalhar isso aos quatro ventos. Nesse campo, penso que a edição da Dom Quixote peca, porque um detalhe destes merecia que os exemplares viessem acompanhados, para além de fotografias, com um sistema de smell-o-rama. Mas enfim, não se julgue um livro pelo seu cheiro (ou, neste caso, pela ausência dele; embora a fotografia da capa, inexplicavelmente, traga às minhas narinas a recordação de aromas sentidos há muito em cabines privadas de lap dance.)

Voltando ao assunto que me fez escrever este post: solidariedade à parte, vejo-me forçado a admitir que, a serem verdade as alegadas ofertas de café e chocolatinhos a árbitros em troca de favorecimento nos jogos, e o pagamento de dez mil euros a uns buddies de Carolina para tratarem da saúde a Ricardo Bexiga, o presidente do FCP se revela um principiante da trafulhice. Passo a explicar.

Muitas piadas têm sido feitas comparando-o com o Padrinho por excelência, mas a dura realidade parece ser a de que Jorge Nuno tem ainda muito para aprender com os grandes mestres. Pensem no Godfather de Coppola, pensem no Goodfellas de Scorsese, pensem nos Sopranos. Em todas as cenas de negociatas, de subornos, ameaças, limpezas, onde é que estão as mulheres? Estão com os gangsters, a assistir a tudo aquilo, a fazer parte da marosca?

Não. Estão lá no lugar delas. E digo lá no lugar delas sem nenhum intuito sexista: lá no lugar delas é em qualquer outro sítio onde os homens não estejam a tratar de negócios. Elas são poupadas aos detalhes sórdidos de todos os esquemas criminosos maquinados pelos maridos. E, a ser verdade o que escreveu Carol, o que é que o presidente do Futebol Clube do Porto fez? Incluíu-a no processo. Coisa de caloiro. O único gangster a ter cometido um erro semelhante foi Caesar, personagem interpretada por Joe Pantoliano no magnífico Bound, obra de estreia dos irmãos Wachowski. Caesar tratava de todos os assuntos à frente da mulher Violet (Jennifer Tilly), e quem viu o filme sabe bem o destino que o descuido lhe trouxe. Uma senhora salganhada.

Para além desta evidência da tenrice de Pinto da Costa na alegada prática de esquemas à margem da lei, o conteúdo de "Eu, Carolina" contém matéria para investigação criminal. Não tivesse sido já publicado, e passaria com certeza a estar ao abrigo do segredo de justiça.

...

Bom, agora que penso nisso, em Portugal o facto de ter sido publicado não impede que esteja ao abrigo do segredo de justiça. Matéria de reflexão talvez para um próximo post. Por agora, gostava de deixar-vos mais uma fraca tentativa de ironia a rodar na FHfm, o tema "Oh Carol", interpretado pelo grandioso Engelbert Humperdinck, mas desde que o File Lodge foi comprado pelo Bolt que não consigo fazer upload de nada (a verdade é que me esqueci da password). Fica a intenção, e a letra, com bolds meus.

Oh Carol
I am but a fool
Darling I love you
though you treat me cruel
You hurt me
and you made me cry
but if you leave me
I will surely die
Darling there will never be another
'cause I love you so
Don't ever leave me
say you'll never go
I will always want you for my sweetheart
no matter what you do
Oh Carol
I'm so in love with you

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(Update - 15:10, 12/12) Como talvez já tenham reparado, lá consegui pôr a música a tocar, não a versão de Humperdinck, mas a clássica, de Paul Anka.

5 comentários:

Olinda disse...

Hehe eu tambem sou solidario a Pinto da Costa, que o homem faz trafolhices, paga a prostitutas(incluindo a Carol) e etc já todos sabiamos e a mulher que vive/eu á custa dele não tem o direito de contar em publico todos os segredos do homem, coitado.

Anónimo disse...

sabes qual foi a primeira coisa que a maria elisa disse depois de ler o livro?

eu sabia que aquele cheiro não podia ser dos canos.

http://www.famelzundapp.blogspot.com/

Anónimo disse...

ó senhor homem:
este seu blog manifesta uma elevada qualidade de pensamento e literária, bem como da boa escrita do português! e é o senhor homem que se permite criticar noutros posts profissionais de qualidade que lhe ganham 10-0 no xadrez, no ping pong, na inteligencia e na cultura. Perdão, nesta ultima é 20-0.

Filipe disse...

30-0, a julgar pelo tempo que demorei a decifrar esse comentário. E, mesmo assim, sem certezas.

fragoso disse...

nao percebo onde está a espiga, de dizer que o homem dá traques... não é condiçao para um gajo ser Gajo, dar valentes bujardas, especialmente depois de uma bela pratada de sopa de pedra?? :D