domingo, dezembro 31, 2006

sábado, dezembro 30, 2006

Bronca

Um amigo meu ficou aborrecido por eu não o ter convidado para a festa-surpresa que prepararam para o meu aniversário.

Tops e resoluções de fim de ano

Uma das resoluções que tomei no fim do ano passado foi não fazer listas nem tops do melhor e/ou pior de 2006.

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Contra

Durante os mais de 10 anos em que o CONTRA INFORMAÇÃO está no ar, tem sido sempre um programa diário de mais ou menos 5 minutos, com uma espécie de best of de 15 minutos ao fim-de-semana, junto com cerca de 10 minutos de material original. Hoje é exibido o último programa diário, uma vez que, a partir de 19 de Janeiro de 2007 (sexta-feira), o CONTRA deixa cair o INFORMAÇÃO e passa a ser um programa semanal de 25 minutos, também em horário nobre, chamado simplesmente de CONTRA - que é, no fundo, a maneira mais habitual que toda a gente tem de se referir ao programa. A remodelação vai trazer novidades suculentas, é tudo o que posso dizer por agora.
E enquanto o dia 19 não chega, é exibida no dia 1 de Janeiro o especial CONTRA RAW - GRANDES COMBATES DE 2006, seguido semana adentro por mais quatro outros programas especiais. Contra non stop.

"Must be a devil between us"

Editado pela primeira vez em 1989, foi parte integrante da banda sonora até 2006, e será também parte integrante da banda sonora de 2007. E de uma vida. Escutar "Crackity Jones" aos 100 anos e fazer slam dance de bengala em riste.


Na FHfm, "Hey" e "Crackity Jones", do soberbo Doolittle, Pixies.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Se soubesse, tinha-me arranjado melhor para a fotografia


Leiam aqui.
(Engraçado perceber que esta escolha furou os planos da Chrysler, que preparou um spot publicitário ao novo modelo Chrysler Sebring em que a frase é "You may not be Time Person of the Year, But you can drive like you are.")
A propósito da escolha, e para tentar entender melhor uma parte essencial do que está por trás da Web 2.0, vejam isto.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Não eleitos

Morreu Gerald Ford, que sucedeu a Richard Nixon depois do escândalo Watergate, tornando-se no primeiro presidente dos EUA não eleito por votação. O segundo, como sabem, foi esse aí em baixo, com quem o peru está a embicar.

O lado bom de 2007 (no escurinho do cinema)


Imagem: Doug Jones como Surfista Prateado em "Fantastic Four 2: Rise of the Silver Surfer"

O Favas com Chouriço faz uma bela antevisão de algumas das coisas boas que 2007 nos reserva para as salas de cinema. É de lá ir.

Já agora - sou só eu, ou o teaser de FF2 é melhor do que todo o primeiro filme? Está-se na presença de dois dos meus personagens de BD preferidos, pelo que é possível que esteja com o discernimento afectado. Mas é melhor, não é?

Sim, estamos em guerra pela nossa liberdade.

A DECO está aflita com gastos dos portugueses

O dinheiro gasto em compras de Natal foi equivalente ao que está previsto gastar-se no futuro aeroporto da Ota. A minha proposta no post abaixo, de não comprar nada a ninguém para o ano, tem mesmo razão de ser. Quatro mil milhões de euros foram movimentados em Dezembro. Não é preciso ser economista para chegar a uma de duas conclusões: ou mais famílias se encontram agora sobre-endividadas, ou os chineses das lojas se fartaram de facturar. As duas hipóteses podem ser simultaneamente verdadeiras.

Virou moda dizer que se fazem as compras de Natal à última hora

É importante fazer compras de Natal à última hora sem que se apregoe que se fizeram as compras de Natal à última hora. As compras feitas à pressa devem ser sinónimo de real falta de tempo, e não de desleixo. Qualquer pessoa que faça as compras à última hora e o diga em voz alta à laia de fashion statement a armar ao moderno - 'ai que jovem ocupado e cosmopolita que eu sou, faço as compras à última hora' - deve ter o critério que utilizou para a compra dos presentes inteiramente escrutinado, e a máxima 'o que conta é a intenção' ignorada na avaliação que o presenteado faz dos mesmos. A alternativa que proponho para os próximos anos é agradecer os presentes que nos dão dizendo 'muito obrigado, mas sabes que eu não te comprei nada, eu nunca ofereço nada a ninguém no Natal.' Claro que, se disserem isto a mim, ficam imediatamente sem o presente que tinha para vocês, caso vos tivesse comprado alguma coisa à última hora.

Este post foi actualizado.

O Mal está feito

Depois d'A Armada Invisível, blog que manteve com o Aldo Lima e o Eduardo Madeira até Janeiro de 2005, eis que o João Quadros regressa finalmente com O Mal está feito. Para já podem por lá encontrar as famosas antepenúltimas palavras de Salazar, César, e da Irmã Lúcia, e ficar a saber que há algum apetite em África. Mais uma visita diária obrigatória.

Irrrrra, estava a ver que nunca mais acabava isto!


O meu fotoon desta quinzena n'O Inimigo Público ocupa uma página inteira, por isso demorei ainda mais tempo do que é costume a fazê-lo. É assim que se queimam todas as calorias ganhas durante esse período de lipoaspiração invertida que é o Natal: um dia inteiro sentado a escrever sketches para o Hora H com o De Pina, e grande parte da noite sentado a fazer um fotoon. A imagem aí de cima é só um pormenor do que vai sair no Sábado.
Bom, será que ainda há mousse de chocolate?

Na FHfm, Angel dos Massive Attack para quem se vai deitar, e Angel of Death dos Slayer para aqueles que estão a acordar agora. Ou até mesmo vice-versa.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Morreu o padrinho da soul



Na
FHfm, Get Up (I Feel Like Being A) Sex Machine, Pt. 1.

Moonspell no Contra Informação - Lua Comuna


Quer se seja ou não apreciador de metal (e eu sou), é indiscutível a qualidade musical dos Moonspell, mérito aliás reconhecido mais, ou pelo menos há mais tempo, além-fronteiras do que em território nacional, com a banda a conquistar o número um de diversos tops europeus. Quando convidámos os Moonspell para esta participação no Contra comemorativo do 10º aniversário estávamos certos de que, disponibilidade houvesse, eles iriam demonstrar mais uma vez o monstruoso talento a que nos habituaram com os seus muitos trabalhos. E fizeram-no - foi brilhante a interpretação de "Lua Comuna" (versão de "Luna"; grande tema, grande video), o total à-vontade com que assumiram aqueles papéis (o momento em que o Fernando Ribeiro contracena com Regressado Silva é antológico, permito-me dizê-lo), tornando ainda mais inesquecível esta gala. Nunca será demais agradecer-lhes.
É por isso caricata a discussão que se tem vindo a desenrolar no fórum do You Tube acerca da questão: deve o metal misturar-se com comédia? A resposta é tão evidentemente sim que nem sequer vou perder tempo aqui com conversetas. Deixo apenas aqui uma historieta para os metalheads mais radicais: quando, no início da sua carreira, os Slayer foram acusados da prática de satanismo, riram-se e mostraram o seu último disco, que - isto na altura do vinyl - tinha não um lado A e um lado B, mas um lado 6 e um lado 66 (ou era o Show No Mercy de 83, ou o Hell Awaits, de 85 um dos dois álbuns). Uma banda com carácter suficientemente forte pode alinhar em todo o tipo de paródias sem receio de qualquer tipo de descredibilização. Antes pelo contrário - demonstra versatilidade e capacidade criativa em registos diferentes daqueles a que nos habituaram. Pensar o contrário é preconceito, radicalismo que raramente, ou quase nunca, vem da própria banda (excepção feita talvez apenas aos Deicide de Glen Benton e alguns de entre a panóplia do black metal da Europa de Leste, principalmente a segunda vaga, escadinava, de finais de 80, inícios de 90), mas sim dos fãs, que levam as coisas demasiado a sério. É nestas alturas que faz sentido relembrar que a palavra 'fã' vem de 'fanático'.
Aos mais empedernidos, digo ainda: o metal não só pode e deve misturar-se com a comédia, como também pode e deve servir para promover a paz, se não entre os povos, então entre os músicos. É que o "Poetas de Karaoke" do Sam The Kid tem na letra uma referência que muitos consideram menos abonatória (eu acho que estão a exagerar; uma 'boca' é uma 'boca', qual é o mal?) aos Moonspell. A verdade é que Moonspell e Sam The Kid apareceram no mesmo programa, fazendo aquilo que fazem melhor: música. Mais uma prova de que certas coisas têm de ser relativizadas. Pelo menos, foi o que eu fiz ao escutar a letra do novo trabalho do Puto Samuel. Toda aquela atitude radical de que quem canta inglês é um vendido é um extremar de uma leitura que o Sam faz da política de algumas rádios no air-play que dão a bandas que cantam em português, uma discussão velha como o mundo. Consigo, como acredito consegue muita gente, apreciar o tema (e o video, que grande video) sem precisar para isso de ter uma opinião formada acerca da questão levantada pelo Sam The Kid (que até tenho; acho que há lugar para todos, os que cantam em português e em inglês. Francês e polaco é que não). A polémica entre os visados e Sam The Kid acredito que seja mais uma coisa alimentada pelos fãs (de uma e outra facção) do que propriamente pelas próprias bandas.
Deixo aqui então a participação dos Moonspell, Cassete Jerónimo e Dona Odete na Gala dos 10 Anos do Contra, com um thumbs up a quem a colocou no You Tube, e espero que, em breve, também por lá encontre o dueto de Sam The Kid com 50 Pentes. A quem me tem perguntado por repetições da gala - por enquanto ainda não sei dizer nada, até porque vêm aí mais programas especiais. Ontem foi o especial de Natal, com o Menino Jesus a ter sérias dificuldades em nascer em Portugal, devido ao fecho de várias maternidades, e, no dia 1 de Janeiro, o Contra Grandes Combates 2006, que será uma edição especial do Contra Raw, sendo o grande combate da noite o tag-team Bimbo da Costa e Major Valentão contra Creolina Salgado e Razia José Morgado. A não perder.

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(Update, 27/10 - 17:58) A semana ainda não acabou, mas até agora o video dos Moonspell na Gala dos 10 Anos do Contra conta com estas três distinções no top geral de música: 93.º mais visto, 23.º mais comentado e 73.º no Top Favoritos.



O link que deixei mais acima neste post dá acesso à versão censurada do video "Luna". Podem ver a versão não-censurada aqui e também no site dos Moonspell. Cada vez gosto mais do tema e do video.

domingo, dezembro 24, 2006

sábado, dezembro 23, 2006

sexta-feira, dezembro 22, 2006

HOJE - RTP 1 - 21H20 - CONTRA INFORMAÇÃO 10 ANOS - A NOITE EM QUE A TERRA EXPULSOU PORTUGAL PARA O ESPAÇO

Um dos maiores gozos em fazer especiais como o que vai para o ar esta noite é desenvolver uma narrativa que leve mais longe a extrapolação da realidade que fazemos diariamente no Conta Informação. Até hoje aquele cujo resultado final me deixou mais satisfeito foi o épico Contra o Futuro, de 2003, que mostrava em quase uma hora o que seria do mundo se Portugal ganhasse o Euro 2004: um mundo dominado pelos senhores do futebol, com o chefe-supremo Bimbo da Costa a impôr o seu regime ditatorial a todo o país. O especial de hoje promete ultrapassá-lo. Não é só uma gala de entrega de prémios para as figuras públicas que mais se destacaram pela negativa nestes dez anos, mas também uma aventura de ficção científica. Na série Espaço: 1999, a Lua era retirada da órbita do planeta Terra e ficava à deriva pelo cosmos. Pois bem, esta noite, algo de muito mais grave vai acontecer: o planeta Terra vai fartar-se de vez de Portugal e expulsar o nosso país para o espaço profundo (as explicações científicas para o sucedido serão dadas no programa pelo ministro Mariano Gagá). São tantos os convidados para este programa que nem me consigo lembrar de todos - Sílvia Alberto, Catarina Furtado, Merche Romero, Helena Coelho, Sam The Kid, José Cid, Moonspell (o gozo que deu escrever cenas em que Fernando Ribeiro e José Cid contracenam com o presidente Regressado Silva); e mais gente de que me estou a esquecer agora - mil desculpas! - mas que ajudaram a tornar este programa comemorativo dos dez anos do Contra Informação a derradeira space-opera-rock com bonecos e gente de carne e osso! Não percam, é daqui a pouco, às 21h20 na RTP 1.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Contra Informação no YouTube: CONTRA RAW, FOLEIRABELLA, CLUBE MATARRUANGOS COM AÇÚCAR, e uma catrefada mais de episódios!

O YouTube é, junto com (só para dar um exemplo) Gisele Bündchen, uma das melhores coisas do mundo. Fui dar com uma catrefada de episódios do Contra Informação, programa que escrevo diariamente com o Rui Cardoso Martins e o José de Pina, entre eles estes dois da “Foleirabella” (reunidos no mesmo clip), que fizemos no início de Outubro. Episódios estes que, na altura, foram recebidos com grande indignação por Teresa Guilherme. O que é de estranhar, uma vez que eu até pensava que a senhora tinha sentido de humor – só isso explicava que fosse capaz de defender a qualidade da Floribella enquanto produto televisivo. Pelos vistos enganei-me.

Outro que deu brado foi este “Abjura”, por ter sido exibido num horário em que não são permitidas quaisquer alusões sexuais. A coisa felizmente acabou por não ter consequências de maior: afinal, qual é o problema de uma orgia de bonecos, sejam eles pessoas, cavalos ou magnatas ricos e charmosos? Será sempre sexo seguro, porque os bonecos são de borracha (tecnicamente são de espuma, mas vocês perceberam a ideia.) Ora vejam lá.

Estão também disponíveis no YouTube alguns dos episódios que escrevemos na semana passada acerca do livro de Carolina Salgado, perdão, Creolina Salgado, entre eles este que deixo aqui em baixo, e também esta versão do saudoso spot publicitário ao Ferrero Rocher, na versão Ferrero FêCêPê.

Desde Outubro e até há duas semanas, temos feito o Contra Raw, em que os bonecos do Contra encarnam personagens da WWE e combatem entre si, em momentos de rara beleza e violência. Soube hoje pelo Carlos Monteiro (um dos cúmplices do Dez) que alguém enviou alguns destes episódios aos responsáveis da WWE, e que lá acharam brutal! Quem sabe um dia não convidamos o “Animal” Batista ou mesmo os DX (os reais) a fazer uma perninha num dos episódios? Vejam aqui a estreia de Undertaker Martelo, o Professor Cangalheiro, e, em baixo, um episódio onde aparecem Jerónimo Cena, X-Rated Super-Trocas-Te, Pentes e Silva MacMahon, Eugene e Castro, e os D-Generation PP, Triple Tortas e Shawn Guedes. Já agora, fiquem a saber que preparámos para o primeiro dia de 2007 um Contra Especial Grandes Combates de 2006: 25 minutos de combates entre as personagens do Contra Raw. Depois dou mais pormenores.


Existem muitos mais episódios do Contra Informação no YouTube, desde o Grândola Mountain , até à nossa versão do anúncio da polaca da bilha de gás. Ah, e este "Clube Matarruangos com Açúcar" (fresquinho, foi exibido a semana passada e colocado ontem on-line). Façam uma busca por "contra informaçao" e por "contra informação", com e sem til, porque vão obter resultados diferentes, e apreciem.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

O Horror iNominável no Porto


Antes mesmo do lançamento do livro-sensação de Carolina Salgado, da nomeação de Pinto Monteiro e escolha de Maria José Morgado para coordenar as investigações, já eu e De Pina tínhamos visitado a iNvicta em busca do Apito Dourado. Agora no YouTube.

Subscrição do videocast via iTunes
aqui, feed aqui.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Bater o dente

Estagiários da GNR não têm agasalhos para o Inverno.


Foto: militar que, apesar do frio, consegue esboçar um sorriso.

Querem ver que é desta que eu desisto de esperar pela PS3?

A Wii tem aquele problema que é: uma pessoa tem de se mexer muito para jogar, e eu sou adepto do senta-e-carrega-nos-botões, mas a verdade é que me está a dar uma vontade de me render a esta consola da Nintendo que nem vos digo. Como não tenho tempo nenhum para jogar talvez ainda consiga resistir mais uns tempos, mas lá que isto tem muito bom ar, disso não haja qualquer dúvida. E sempre é ligeiramente mais saudável (não que isso seja factor que interesse quando se trata de videogames). Vejam estas promos, e, já agora, dêem uma olhada também a Red Steel.



Uma geekiness: o Wiimote, na verdade um dispositivo Bluetooth, pode funcionar, com alguma manha, como mouse sem fios. Vejam aqui.

Razões de peso para aguardar pela PS3 (ou considerar que a vida é muito melhor com duas consolas, ou três, se tivermos uma PSP no bolso): Resistance: Fall of Man, o fenomenal Killzone - provavelmente das experiências de jogo mais imersivas de que há memória -, e Metal Gear Solid 4, do mestre Hideo Kojima:


Prenda de Natal antecipada na chuteira de árbitros e sapatinho de dirigentes desportivos

E já que no post abaixo falámos de Jesus...

O primeiríssimo SOUTH PARK de sempre!

1992 - o jovem Trey Parker conhece Matt Stone na Universidade do Colorado, onde se juntam para fazer aquele que seria uma espécie de episódio zero de SOUTH PARK. The Spirit of Christmas, é o título desta animação de pouco mais de quatro minutos, onde Cartman se chamava Kenny (é estranho ver Cartman a ser morto por um boneco de neve e ouvir "Oh my god, Frosty killed Kenny!"). A animação, e os bonecos, feitos a partir papel recortado e pintado à mão, eram ainda mais deliciosamente crus, a anos-luz da sofisticação que a série passou a ter a partir da quinta temporada, com os desenhos a serem feitos por computador. Sim, bem sei que, apesar de ser agora feito com o programa Maya, SOUTH PARK ainda mantém aquele aspecto caseirinho, de recortes de papel colados num fundo colorido, mas acreditem que, depois de verem The Spirit of Christmas, vão perceber porque é que faz todo o sentido usar a palavra sofisticação quando me refiro aos actuais episódios. Regalem os olhos nesta raridade, onde o humor politicamente incorrecto de Parker e Stone já começava a despontar:


Em 1995, Trey Parker e Matt Stone fazem outro The Spirit of Christmas, desta vez com um visual mais próximo do SOUTH PARK que conhecemos hoje, e onde as personagens já têm os nomes com que se tornaram célebres. A batalha entre Jesus e o Pai Natal revela em ambos super-poderes que eu, pelo menos, desconhecia - "There can be only one!" Vejam bem:

Dois anos depois, SOUTH PARK chegava ao Comedy Central. Mas tudo começou com o Espírito de Natal.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Já está à venda o ÁLBUM DO CONTRA


No 10º ano do CONTRA INFORMAÇÃO (na realidade, já entrámos na 11ª temporada), muitos foram os programas especiais que fizemos e que ainda vamos fazer antes do final de 2006. Mas sobre eles falarei mais tarde. Este post é para dar conta do lançamento do ÁLBUM DO CONTRA, que já está disponível nas livrarias.
Este álbum vai de certa forma buscar inspiração ao Álbum das Glórias de Rafael Bordalo Pinheiro - com todas as devidas e respeitosas distâncias -, na medida em que também é formado por imagens das principais figurais da política, sociedade, e, neste caso, desporto, nas quais os bonecos se apresentam grande parte das vezes de corpo inteiro (uma novidade em relação ao programa de TV), em composições idealizadas pelo Rui Cardoso Martins e por mim, tornadas realidade pela equipa da Mandala e fotografadas por António J. Homem Cardoso. A acompanhar as fotos há também legendas referentes a cada um dos personagens, também elas escritas por mim e pelo RCM.
Pelo cartaz promocional, reproduzido acima, podem ficar com uma pequeníssima ideia do conteúdo do álbum, que inclui personalidades como Franscisco Trotskã, Cassete Cunhal, Dona Odete, Cozinheiro e Castro, Marques Pentes, Francisco Bolsa na Mão, José Degenerado Moniz, Tristeza Guilherme (em versão Foleirabella), José Meirinho, Luís Fígado, Felipão Chocolari, Bimbo da Costa (com os inseparáveis Bóbi e Tareco), José Trocas-Te, e Regressado Silva, entre muitos outros.
As cem primeiras pessoas a adquirirem o ÁLBUM DO CONTRA deveriam receber, completamente grátis, um vale-table-dance para ser trocado no bar Caloraça da Noite, mas ontem acabámos nós próprios por gastar os vales todos.

Guião da Treta sai em Janeiro

Apesar de todos os nossos esforços, e da editora, o guião do Filme da Treta só poderia estar à venda dia 20 ou 21, sem tempo para uma promoção cuidada, e tudo para estar pronto antes do Natal. Entre isso, e esperar por Janeiro, para fazer as coisas com mais calma, parece-nos a segunda hipótese a mais acertada. Assim sendo, fica adiado o lançamento para Janeiro, com data ainda a anunciar. Vou dando novidades por aqui.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Acabadinho de sair do forno


(esta imagem é apenas um pormenor
do fotoon que vai sair no próximo número
d'O Inimigo Público)

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Ela, Carolina



Tenho de manifestar uma certa solidariedade masculina a Pinto da Costa, pelas cenas da sua vida íntima que são agora reveladas por Carolina Salgado no seu já bestseller "Eu Carolina". Também sinto a necessidade, de quando em vez, de aligeirar em público a pressão intestinal à base de gases (condição que me faz, aliás, não deixar de fumar, porque sempre disfarça, como a própria Carol refere na sua obra), e não gostava que andassem por aí a espalhar isso aos quatro ventos. Nesse campo, penso que a edição da Dom Quixote peca, porque um detalhe destes merecia que os exemplares viessem acompanhados, para além de fotografias, com um sistema de smell-o-rama. Mas enfim, não se julgue um livro pelo seu cheiro (ou, neste caso, pela ausência dele; embora a fotografia da capa, inexplicavelmente, traga às minhas narinas a recordação de aromas sentidos há muito em cabines privadas de lap dance.)

Voltando ao assunto que me fez escrever este post: solidariedade à parte, vejo-me forçado a admitir que, a serem verdade as alegadas ofertas de café e chocolatinhos a árbitros em troca de favorecimento nos jogos, e o pagamento de dez mil euros a uns buddies de Carolina para tratarem da saúde a Ricardo Bexiga, o presidente do FCP se revela um principiante da trafulhice. Passo a explicar.

Muitas piadas têm sido feitas comparando-o com o Padrinho por excelência, mas a dura realidade parece ser a de que Jorge Nuno tem ainda muito para aprender com os grandes mestres. Pensem no Godfather de Coppola, pensem no Goodfellas de Scorsese, pensem nos Sopranos. Em todas as cenas de negociatas, de subornos, ameaças, limpezas, onde é que estão as mulheres? Estão com os gangsters, a assistir a tudo aquilo, a fazer parte da marosca?

Não. Estão lá no lugar delas. E digo lá no lugar delas sem nenhum intuito sexista: lá no lugar delas é em qualquer outro sítio onde os homens não estejam a tratar de negócios. Elas são poupadas aos detalhes sórdidos de todos os esquemas criminosos maquinados pelos maridos. E, a ser verdade o que escreveu Carol, o que é que o presidente do Futebol Clube do Porto fez? Incluíu-a no processo. Coisa de caloiro. O único gangster a ter cometido um erro semelhante foi Caesar, personagem interpretada por Joe Pantoliano no magnífico Bound, obra de estreia dos irmãos Wachowski. Caesar tratava de todos os assuntos à frente da mulher Violet (Jennifer Tilly), e quem viu o filme sabe bem o destino que o descuido lhe trouxe. Uma senhora salganhada.

Para além desta evidência da tenrice de Pinto da Costa na alegada prática de esquemas à margem da lei, o conteúdo de "Eu, Carolina" contém matéria para investigação criminal. Não tivesse sido já publicado, e passaria com certeza a estar ao abrigo do segredo de justiça.

...

Bom, agora que penso nisso, em Portugal o facto de ter sido publicado não impede que esteja ao abrigo do segredo de justiça. Matéria de reflexão talvez para um próximo post. Por agora, gostava de deixar-vos mais uma fraca tentativa de ironia a rodar na FHfm, o tema "Oh Carol", interpretado pelo grandioso Engelbert Humperdinck, mas desde que o File Lodge foi comprado pelo Bolt que não consigo fazer upload de nada (a verdade é que me esqueci da password). Fica a intenção, e a letra, com bolds meus.

Oh Carol
I am but a fool
Darling I love you
though you treat me cruel
You hurt me
and you made me cry
but if you leave me
I will surely die
Darling there will never be another
'cause I love you so
Don't ever leave me
say you'll never go
I will always want you for my sweetheart
no matter what you do
Oh Carol
I'm so in love with you

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(Update - 15:10, 12/12) Como talvez já tenham reparado, lá consegui pôr a música a tocar, não a versão de Humperdinck, mas a clássica, de Paul Anka.

domingo, dezembro 10, 2006

"O Kazakhstan" nomeado para Óscar de melhor música? (e o meu texto da semana passada para o Expresso)

Até o Cazaquistão parece ter-se rendido ao êxito de BORAT, com o ministro da Cultura cazaque a admitir que o filme colocou o país no mapa (leiam aqui). E agora o hino fictício do Cazaquistão, da autoria de Erran Baron Cohen - irmão de Sacha - está alinhado como possível nomeado para o Óscar de melhor música (no meu wishful thinking já o dava como certo na lista de nomeações; ainda é cedo, mas creio que lá chegaremos). Leiam aqui, e ouçam o tema na FHfm.

Segue o texto sobre BORAT que tinha referido aqui, e que escrevi para a revista Única do semanário Expresso da semana passada.

Cazaquistão, EUA

A par da actualidade, a comédia torna-se cada vez mais dura e politicamente incorrecta. O que ontem era extremo tornou-se hoje mainstream, mercê da repetição que diminui o impacto dos primeiros contactos. O melhor exemplo de habituação pelo visionamento repetido encontra-se nas auto-promoções da SIC Notícias: aquelas imagens reais de crianças estropiadas e gente a ser espancada ao som de What A Wonderful World foram exibidas tantas vezes que já ninguém se ri quando as vê.

Borat Sagdiyev, aliás, Sacha Baron Cohen, humorista nascido em Londres no ano de 1971, percebeu há muito tempo que a realidade é o grande farnel da comédia. Não só no conteúdo, naquilo em que o humor se baseia, ou que simula e exagera, mas também na forma. O documentário falso é recurso com provas dadas no cinema, de This Is Spinal Tap (Rob Reiner, 1984) ao polémico e premiado Death Of A President (Gabriel Range, 2006), que, sem ser uma comédia, dá vontade de rir na cena em que Bush é baleado. Sacha pegou nesta abordagem e levou-a mais longe, explorando ao máximo o potencial provocatório que ela oferece numa espécie de “apanhados do inferno”.

Começou por dar nas vistas em 1998, com The 11 O’Clock Show, programa do qual também eram autores Ricky Gervais e Stephen Merchant. Ganhou autonomia com Da Ali G Show (2000) e o filme Ali G Indahouse (2002). Em Portugal foi visto pela primeira vez no videoclip de Madonna, Music, na pele do wigger Ali G, uma cortesia da rainha da Pop que Sacha haveria de agradecer por duas vezes: nos MTV EMAs de 2005, quando se referiu a ela como “aquele travesti”, e na edição deste ano, em que tentou vender-lhe um bebé baratinho.

Borat, o filme, é um clássico instantâneo, que irá ter repercussões na comédia ocidental como poucos tiveram depois dos Irmãos Marx ou Monty Python. O futuro do humor português também passa por Borat, na medida em que daqui a uns anos vamos assistir ao surgimento de comédias nacionais influenciadas por esta abordagem, que alguma crítica menos alerta irá considerar nova e original. Neste filme, uma delicada fábula sobre a masturbação protagonizada por este repórter cazaque convive com uma arrasadora sátira à sociedade americana. Está a tomar de assalto os EUA e grande parte do mundo, excepção feita ao Cazaquistão, cujo governo não concorda com a imagem que Borat passa do país quando refere, por exemplo, que os judeus são frequentemente atirados para dentro de poços.

Borat é capaz de despertar o pior de cada pessoa que entrevista, às vezes por oposição, outras por contágio. É um agente provocador, sabe quais os pontos a pressionar para obter certas reacções daqueles com quem interage. A comédia resulta involuntária quando o entrevistado, ao reagir de forma genuína, se transforma numa caricatura tão grande ou maior que Borat. A realidade já é uma caricatura de si própria, e, para parodiá-la, Sacha tem de dar mais um passo. Gesto no qual, de forma sempre surpreendente, é acompanhado pelo interlocutor, como o cowboy que, ao ouvir Borat dizer que no Cazaquistão é prática comum o enforcamento de homossexuais, confessa ter esperança que o mesmo aconteça nos EUA.

É redutor pensar na espantosa aceitação de Borat nos Estados Unidos como mais um indicador da viragem que o país supostamente atravessa, relacioná-la com as eleições intercalares em que os republicanos se sentiram como um muçulmano em Abu Ghraib. Grande parte da aclamação do filme por estudantes amigos da pipoca e do barril de cerveja deve-se sobretudo às alusões ao sexo com familiares e animais – prática aliás muito em voga não só no Cazaquistão de Borat, mas também nalguns estados americanos – e à realização de Larry Charles, que dá ao filme o aspecto do documentário encomendado pelo governo cazaque que é suposto ser. Acima de tudo, deve-se à mestria de Sacha Baron Cohen, que criou um dos personagens mais hilariantes de que há memória e encontrou pedaços de um Cazaquistão fictício espalhados por uns US and A bastante reais.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Vem aí o...


(pormenor da capa)

Temos andado numa roda viva para que seja publicado ainda este mês. A data prevista é 18 ou 19, com lançamento oficial uns dias depois, de preferência na noite de 24, que é aquela noite em que a maior parte das pessoas não tem nada de jeito para fazer. Quando estiverem marcados data e local, aviso. O lançamento há-de ser aqui por Lisboa, que nos desculpem os de fora; mas pensem nisto como uma benesse - escusam de nos aturar.

O guião publicado vai incluir as cenas e o final cortados do filme por serem imbecis demais para o cinema, bem como descrições mal-amanhadas do filme e umas notas aborrecidas sobre esse lugarejo sem jeito nenhum que é o bairro da Ladroa. Estou quase 100% certo que este é o primeiro guião português a ser publicado, e vai sê-lo pela D. Quixote. Para nós é uma alegrura, a juntar ao facto de o Filme da Treta ser já o terceiro filme português mais visto de sempre, e o mais visto no que respeita a comédia. Mais uma vez o nosso obrigadinhos a todos os que viram, quer os que pagaram bilhete de cinema quer os que compraram cópias pirata nas feiras, embora estes últimos não contem para os números oficiais - e garanto que ficarão muito mais bem servidos com o dvd oficial que vai sair algures em Janeiro, e que contém uma mão-cheia de extras roliços. Para já, afiem as unhas para enterrá-las neste canhenho, sem o qual a compreensão do filme se torna impossível. E mesmo com ele não prometemos nada.

Festa cigana


Depois de Django Reinhardt, com "Honeysuckle Rose", está agora a rodar na FHfm um dos meus temas favoritos da banda sonora de Borat: a alucinada versão que os romenos Fanfare Ciocarlia fizeram de "Born to be Wild". Nunca este tema soou tão bem.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Este é um daqueles filmes em que tudo é bom


(cliquem na imagem para aumentar)

A gargalhada constante torna difícil apreciar devidamente esta extraordinária banda sonora quando assistimos a BORAT, o que torna ainda mais obrigatória a aquisição de Stereophonic Musical Listenings That Have Been Origin in Moving Film BORAT Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan. Tardei na encomenda, mas a Amazon despachou-se, e hoje já cá canta. Literalmente.

Batista não é Baptista


A malta do Wrestling Notícias pediu-me para reproduzir parte deste post no blog deles, e eu tudo bem. Dêem lá um pulo, que o blog, para fãs de wrestling, é garantia de informação de qualidade actualizada regularmente. No post em que reproduziram o que aqui escrevi já mora um comentário discordante. Fiquei por ele a saber que não ter apreciado um espectáculo onde homens musculados de calções passaram o tempo agarrados é sinónimo de frustração sexual. Há coisas fantásticas como o catano.
Entretanto, diz que ontem o espectáculo da WWE correu melhor - garante o Nuno Duarte, que está a preparar um post sobre o assunto.
E já agora, uma correcção ao supracitado post: nele escrevi "Baptista", quando o correcto é "Batista". Se o Animal desse em ver o erro, ainda voltava cá só para me dar uma sapatada. E era escusado.
A fotografia da Ashley não tem razão de ser, mas também não precisa.

terça-feira, dezembro 05, 2006

It's a story... of importance!


Aposto que este vai ter o mesmo destino do filme anterior com Jack Black, NACHO LIBRE, e mergulhará directamente para os videoclubes sem nunca passar pelas salas de cinema nacionais. Falo de TENACIOUS D in THE PICK OF DESTINY, a consagração cinematográfica da banda de Black e Kyle Gass. Pelos trailers e cenas disponíveis na net dá para perceber que o tom da série televisiva se mantém, mas aparentemente dá um salto considerável em direcção à doideira psicadélica, com direito a um Sasquatch a andar por entre cogumelos gigantes, duelos guitarrísticos com o príncipe das trevas, esse tipo de rebuçados. O ambiente ideal para que Jack Black possa soltar a franga e deitar o barraco abaixo com uma boa dose de atitude rock 'n roll (ainda ontem vi uma actuação dos Tenacious D no Conan O'Brien onde Black esteve, mais uma vez, brilhante).

O filme conta a história da génese da banda, quando Jack e Kyle procuram uma palheta (pick) feita de uma lasca de dente do diabo, que transforma quem a utiliza num virtuoso da guitarra (Jimmy Page e Eddie Van Halen, por exemplo, usaram-na). Na pele de senhor satanás está Dave Grohl, dos Foo Fighters, e a realização é de Liam Lynch, espécie de geek-punk-multi-talentoso de quem sou grande admirador - o tipo é músico, realizador, faz animações, escreve, mandou clonar o seu gato, e é companheiro dos Tenacious D nestas andanças desde há muito (já agora, se ainda não subscreveram o videocast de Lynch, vão já ao iTunes fazê-lo; procurem por LYNCHLAND.)

Deixo aqui o link para aquele que é talvez o melhor dos trailers de Pick of Destiny. Estreou no dia 22 de Novembro nos EUA com críticas mornitas. Diz que é um filme só para fãs. Estou nessa.

Escusado será dizer que a banda sonora - o segundo álbum dos Tenacious D - é de luxo. Ouçam esta, cantada por Black e Gass em desgarrada com Dave Grohl-versão-chifrudo. Avassaladora. em mais que um sentido - é hilariante e, ao mesmo tempo, uma obra de grande peso do metal mais clássico e épico. É evidente aqui o dedinho de Dave Grohl, não fosse ele um verdadeiro connaisseur da metalada vintage, com as boas e velhas referências a satanás; basta referir Probot.

Se acharam o site oficial do filme bom (deixei o link mais acima), dêem uma saltada ao estaminé dos Tenacious D e vejam - e ouçam - bem que maravilha!

Não desmantelem, mandem para lá as modelos anorécticas

Two thumbs smackdown

Por pior ideia que se possa ter do wrestling, acho que é consensual: antes levar a criançada a ver um espectáculo destes do que a um showtógrafo da Floribella. O wrestling é bem menos violento - aquilo é tudo encenado -, enquanto que os showtógrafos da Flor acabam sempre em batatada à séria, com putos a serem utilizados como arma de arremesso por pais que procuram, com atitudes desesperadas deste calibre, garantir que esses mesmos filhos tenham um autógrafo da Luciana-ai-que-eu-quero-adoptar-uma-chinesinha.

Putos de quatro, cinco, seis anos, acompanhados dos pais, foram a grande fatia do público mais ao rubro que vi em muito, muito tempo. Estava um ambiente muito engraçado no Pavilhão Atlântico, um ambiente familiar, para ver quase três horas de algo supostamente brutal - mas que não é brutal, é apenas entretenimento. O problema é que entreteve muito pouco.


Importa-se de me devolver o dinheiro do bilhete, faz favor?

Não digo que os wrestlers do Smackdown não tenham dado o litro, porque deram, pelo menos alguns. Mas a graça disto, a meu ver, passa muito pelo aparato, pela pirotecnia, pelo show off dos lutadores captado pelas câmaras e amplificado pelo ecrã gigante colocado no recinto, a substituir, ao vivo, a proximidade que temos dos lutadores quando assistimos aos combates pela televisão. E, muito em especial, pelo enfâse que os comentadores dão à coisa. É como os relatos de futebol na rádio - há casos em que o jogo pode ser de uma seca impressionante, mas um bom relato transforma aquilo num Tyson a arrancar a orelha à dentada a um Holyfield. Ora, o espectáculo de hoje há pouco (ontem, que já passa da meia-noite) não teve nada disso, nem comentadores (acho que na versão gravada, para o CW, os comentários também só são ouvidos pelos telespectadores, e não ao vivo, mas aqui não havia comentadores de todo), nem pirotecnia (só Baptista teve direito a fogo de artifício), nem ecrã gigante. E, sobretudo, uma enorme falta de ritmo, que na televisão passa despercebida com a edição, as repetições, as promos e as imagens de bastidores, mas aqui foi tão notória que cheguei a soltar um bocejo ou dois. O público pareceu não se importar: esteve ao rubro do princípio ao fim. Mas cá fora, depois do espectáculo, o entusiasmo era bem menor que no início. Talvez - bem sei que, para mim, foi a grande mossa da noite - porque a Ashley afinal não veio. Chuif.

Momentos altos: a prestação das WWE Divas, Jillian e Layla, que, apesar de terem feito uma passagem-relâmpago pelo ringue não deixaram de arrancar suspiros aos putos e aos pais dos putos, e provocar reprimendas das mães dos putos, quer aos putos quer aos pais dos putos. Nunca as palavras "Despe" e "Boa" foram entoadas, foi tudo muito cordato, excepção feita aos aplausos de pé; mas há que extravasar de alguma forma, certo? A segunda parte, de longe melhor que a primeira, também teve alguns momentos com piada: Kane a espancar MVP, Chris Benoit a açoitar Chavo Guerrero, e Baptista a levar à frente Finlay (sem Little Bastard) e Kennedy (que disse à assistência, em português aceitável, "Beija-me o cu"). Estrela da noite: sem dúvida, o Baptista. Já o recinto estava vazio, e ele ainda lá estava, aposto, a cumprimentar as cadeiras. Personagem mais assustadora da noite - a senhorita da organização que estava algures no Balcão 1 a controlar os bilhetes; era tal o zelo que passou grande parte do tempo a correr atrás de toda a gente, a apontar a sua lanterna para conferir os números dos bilhetes, mesmo que para isso tivesse de se colocar à frente da assistência nos momentos mais cruciais dos combates.

Momentos penosos: a entrada-surpresa do Boogeyman para meter umas minhocas na boca de Jillian; a intenção era boa, mas o fumo era tanto e a passagem foi tão rápida que o tipo mal se viu, apesar dos dois metros de altura. Veio dos EUA para isto? Ele há vidas tristes.


Raisparta: acabei por não levar o cartaz a dizer TARZAN TABORDA FOREVER!

O resto desta primeira visita do Smackdown a terras lusas foi também muito fraquinha. Aos que têm bilhete para amanhã (hoje, dia 5), arrisco uma dica: vendam-no, e comprem um DVD de wrestling com o dinheiro, ficam mais bem servidos.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Ashley, Diva WWE


Uma boa razão para ir hoje ao Pavilhão Atlântico
(e esta foto sempre dá para limpar os olhos depois da visão do rabo de Borat, aqui em baixo).

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Borat continua a ser sovado pela crítica portuguesa

Escrevi na sexta-feira passada um artigo acerca de BORAT que foi publicado hoje na revista Única do jornal Expresso, contribuindo assim com a única opinião positiva (opinião, não crítica; não sou crítico de cinema nem faço tenções de o ser) acerca do filme publicada no semanário. Francisco Ferreira e Vitor Baptista Marques dão bolas pretas ao filme. O que dizer disto?

Se de Francisco Ferreira não conhecemos as razões para a classificação, no caso de VBM estão bem explícitas nos poucos caracteres em que demonstra total desconhecimento dos territórios sobre os quais escreve. Esta passagem diz tudo: "(...) o unanimismo [da crítica internacional] é tanto mais incompreensível, porquanto o filme assenta em dois paradoxos: o de apresentar como politicamente incorrecto um discurso racista e sexista que já entrou na ordem do dia via "reality shows"; o de não conseguir satirizar a boçalidade do pretenso americano médio sem usar de forma acrítica o conjunto de estereótipos conceptuais que alegadamente a definem (veja-se como aqui se representa o terceiro mundo)." Fim de citação.

Primeiro, importa reparar na menção aos "reality shows" - cá está a obsessão da crítica com a influência televisiva no discurso cinematográfico, de que aliás já aqui tinha falado. Como se não fosse óbvio que os maiores avanços no tratamento dado a uma narrativa estão, desde há algum tempo, a ser feitos no domínio televisivo, e que é inevitável (e saudável) que acabem por influenciar o cinema (não me refiro, claro está, a "reality shows", mas a séries como LOST e 24, só para dar alguns exemplos; embora não se possa descurar o efeito que os "reality shows" têm na descodificação de conteúdos televisivos e cinematográficos por parte dos espectadores). Chama-se a isto evolução, coisa a que a maior parte da crítica cinematográfica do nosso país parece ser avessa, preferindo assumir um puritanismo a armar ao pingarelho que se torna cada vez mais previsível e entediante.

Mas - e voltando às palavras de Vitor Baptista Marques em particular - muito mais importante (e grave) é quando VBM apresenta os tais paradoxos sem perceber que é exactamente nessa dualidade que reside a raíz da comédia. Demonstra a perigosa mentalidade de quem vê racismo e sexismo quando o que existe da parte do comediante é o incorporar das mesmas características que pretende parodiar, de forma exagerada, em que as palavras e/ou acções alvos da sátira são elevadas ao absurdo, e assim expostas ao ridículo. Não entender isso é não entender nada acerca de comédia, e é contribuir para a confusão gerada por fundamentalistas ansiosos por impôr restrições ao humor, que tentam inclusive o aproveitamento de situações distintas - e tristes - como o caso Michael Richards para fazer valer os seus propósitos de censura (sobre este ponto também já aqui havia escrito).

Que não se goste do filme é coisa que me custa a aceitar, mas é claro que tenho de respeitar uma opinião fundamentada, tenha a ver com factos concretos ou com questões de sensibilidade. Ainda mais quando é de comédia que se trata - a piada de algo é bastante subjectiva, e a gargalhada de uns pode ser a repulsa de outros. Mas quando apresenta argumentos destes, rematando com um "Não haja dúvidas: a estupidez vende-se bem", VBM mistura a tal atitude sobranceira com uma conversa que poderia muito bem constar de um folheto do SOS Racismo, um daqueles mais descabidos, que acabam por prejudicar a denúncia de casos, esses sim, lamentáveis. Importa também não misturar o facto dos inúmeros processos de que os produtores de BORAT estão a ser alvo com o alegado e disparatado teor racista e sexista do filme. A ser verdade, por exemplo, que os naturais da povoação romena onde foram filmadas as cenas do Cazaquistão fictício de Borat não foram correctamente informados acerca do propósito das imagens em que iriam aparecer no filme, existe material para um debate acerca da ética subjacente a produções deste tipo. Mas isso não transparece no filme em si, e é dele que estamos a tratar.

Quando escrevi, faz hoje uma semana, o artigo acerca de BORAT para a Única, não se sabia ainda que a crítica portuguesa iria sovar o filme desta maneira. Se soubesse, na passagem em que digo "[Borat] está a tomar de assalto os EUA e grande parte do mundo, excepção feita ao Cazaquistão (...)" teria incluido também Portugal. Porque a nível, pelo menos, de crítica cinematográfica, e em particular no que respeita à comédia, é assim que Portugal está: ao nível do Cazaquistão. Não o Cazaquistão real, mas o de Borat - atrasado, conservador, e iludido.

Já agora: fiquei um pouco aborrecido ao ver que, do artigo que escrevi para a Única, foi inexplicavelmente cortada parte de uma frase, alterando-se desta forma o sentido que lhe tinha dado (e dando origem a uma falta de concordância do verbo com o sujeito que também não existia originalmente). Onde se lê:
"Grande parte da aclamação do filme por estudantes amigos da pipoca e do barril de cerveja deve-se sobretudo às alusões ao sexo com familiares e animais – prática aliás muito em voga não só no Cazaquistão de Borat, mas também nalguns estados americanos –, que dá ao filme o aspecto do documentário encomendado pelo governo cazaque que é suposto ser",
eu na realidade escrevi (a parte sublinhada é a que foi cortada):
"Grande parte da aclamação do filme por estudantes amigos da pipoca e do barril de cerveja deve-se sobretudo às alusões ao sexo com familiares e animais – prática aliás muito em voga não só no Cazaquistão de Borat, mas também nalguns estados americanos – e à realização de Larry Charles, que dá ao filme o aspecto do documentário encomendado pelo governo cazaque que é suposto ser."
Fica aqui a nota.

O fim da SIC Comédia

Por muito potencial cómico que reconheça a, por exemplo, uma discussão do orçamento de Estado, preferia Conan O'Brien, Jay Leno, a malta do Prazer dos Diabos e da Biqueirada (então agora que o João Nunes tinha saído é que o programa estava mesmo no ponto), o Todos Gostam do Raymond, a Guerra ao Lado, Comedy Inc., as repetições sempre bem-vindas do Alô, Alô, do Benny Hill, do Seinfeld, e (especialmente) do Frasier. Com a possibilidade (investimento houvesse; era só preciso tirar uns trocos às Floribellas e aos Juras da generalista) de mais, melhores, e mais arriscados conteúdos de humor nacionais se juntarem ao canal. Foi por isso com surpresa que recebi a notícia de que a SIC Comédia vai acabar no fim deste ano. Sempre pensei que, a ter de acabar um canal de humor, acabasse o Canal Parlamento.