quinta-feira, novembro 30, 2006

Wake up


O Tiago Rodrigues está no MM Café (Teatro Maria Matos) todas as quintas, sextas e sábados às 22h00, até 16 de Dezembro (excepto dia 1), com o espectáculo WAKE UP AND SMELL THE COFFEE, de Eric Bogosian, com encenação de Luís Mestre. A entrada é livre e a presença obrigatória.

Mais informação aqui.

Estreia hoje


Grande parte da crítica portuguesa parece estar obcecada com a influência do discurso televisivo no cinema. Olha de lado, mas julga olhar de cima, com a atitude sobranceira e elitista que lhe é habitual, para tudo o que é sucesso comercial (e se BORAT é um sucesso comercial - está prestes a tornar-se, se é que já não o é, na comédia mais lucrativa de sempre). E depois, a comédia é olhada com preconceito, mais uma vez evidente na apreciação feita a BORAT. Não me vou alongar sobre este assunto - o Markl já o fez, e pouco mais terei a dizer. Dar uma ou duas estrelas a este filme (João Lopes chega a classificá-lo como "de fugir") é acto de uma vileza que não me surpreende: pelo contrário, é bastante coerente, tendo em conta o tipo de apreciação que é feita aos filmes de comédia, sejam bons ou maus, pela maioria dos críticos portugueses. O que achei do filme já aqui o escrevi, a quem possa interessar. BORAT estreia hoje. Vão vê-lo. Há uma revolução em curso na comédia, assistam na fila da frente (isto da fila da frente não é para levar à letra, olhem que dão cabo dos olhos).

Na FHfm, Borat Sagdiyev interpreta "In My Country There Is Problem". No nosso país também há problemas, e um deles é a generalidade dos nossos críticos de cinema. Safa.

terça-feira, novembro 28, 2006

Acabadinho de sair do forno


(esta imagem é apenas um pormenor do fotoon que vai sair no próximo número d'O Inimigo Público)

Entretanto, e para comemorar a belezura de filme que é CASINO ROYALE, a FHfm está a passar "Do the James Bond" de Bee Dee Kay & The Roller Coaster (não aparece no filme, ao contrário de, infelizmente, o tema de Arnold e Cornell).

segunda-feira, novembro 27, 2006

Benedict XVI Turkish Tour 2006


(cliquem na imagem para aumentar o tamanho)

É amanhã a visita do Papa à Turquia, supõe-se que rodeada dos maiores cuidados com a segurança, ainda mais depois da citação de Manuel II Paleólogo feita por Bento XVI em Setembro, a tal que gerou protestos por parte de alguns radicais muçulmanos. Para comemorar a visita, aqui fica o fotoon Salvo Erro relativo à citação e protestos que fiz para a edição de 23/9 d'O Inimigo Público. Uma nota, a propósito de uma pergunta que me foi feita na altura em que o fotoon foi publicado: sim, todas as caras - excepto a do Papa - são minhas, inclusive o tipo de bigode e sem um dente. Dente esse que considerei arrancar de propósito para o fotoon, tendo depois chegado à conclusão que, se calhar, conseguia obter o mesmo efeito com uma extracção apenas digital, via Photoshop. Embora, depois de ter visto o resultado final, tenha começado a pensar seriamente em deixar crescer a pilosidade labial e tirar uma favola dianteira, só para o estilo.

Sobre a explosão de Michael Richards

A gente julga que há coisas que estão mais que firmadas na cabeça das pessoas, mas depois percebe que não só não é assim, como ainda por cima há quem se aproveite do efeito-rebanho que afecta muitas vezes a opinião pública para tentar misturar coisas bastante distintas. Importa sublinhar que existe uma grande diferença entre declarações ou comportamentos racistas e xenófobos tidos pela personagem interpretada por um actor ou comediante (mesmo que em nome próprio), e situações como a ultra-mediatizada explosão de Michael Richrards durante um espectáculo de stand-up em Los Angeles. É prática comum para um comediante incorporar as características que pretende parodiar, expondo-as e reduzindo-as ao absurdo. Estou a lembrar-me, e para citar apenas um caso recente, da persona de Stephen Colbert que, por exemplo, durante o especial sobre as eleições intercalares, em que dividiu o seu COLBERT REPORT com o DAILY SHOW de Jon Stewart, fez - como faz sempre - o papel do republicano mais feroz, que é, afinal, o alvo da sua não menos feroz crítica. Já para não falar de BORAT, e as demais personagens de Sacha Baron Cohen, que usa e abusa desta técnica para as suas violentas e hilariantes sátiras. Outra coisa completamente diferente é o autêntico despiste de Michael Richards, um daqueles em que o carro apanha óleo na estrada e vai por ali afora, sem que nada nem ninguém o possa controlar, até à colisão final. Um momento bastante infeliz, sem dúvida, mas que não justifica a tentativa de crucificação de que Richards anda a ser alvo. E é perfeitamente descabido que se tente agora esta espécie de revisionismo alarve e histérico da sua carreira, com fundamentalistas da pior espécie a quererem à viva força detectar comentários anti-semitas no material passado de Richards (que é, já agora, ele próprio judeu - não que isso seja condição necessária e suficiente para poder parodiar judeus, longe disso). É uma tentativa ignóbil de aproveitamento de uma explosão, explosão essa que só poderá talvez encontrar explicações numa certa frustração mal-direccionada que Richards poderá estar a sentir por a sua carreira nunca mais ter conhecido o fulgor de quando interpretava Kramer em SEINFELD. Um momento de cegueira, quase insanidade, mas Michael Richards já pediu desculpas - umas que até custou ver, de tão depauperado e desarticulado que pareceu -, mais do que uma vez. Agora chega. Chega de pedidos de desculpas, é necessário deixar passar um certo tempo, permitir que a poeira assente. Michael Richards merece uma segunda oportunidade, e o seu público - em que me incluo - merece a chance de voltar a vê-lo brilhar. Ou então, se isso não voltar a acontecer, que não seja por culpa de um chorrilho de graves disparates ditos numa noite e uma opinião pública a ter uma pressa digna de Santo Ofício em julgá-lo, condená-lo e executá-lo. É muito importante não embarcar nesta lógica de colocar tudo no mesmo saco, o que é comédia e o que são realidades, essas sim, bastantes criticáveis, e, também por isso, excelentes fontes de inspiração para o humor.

domingo, novembro 26, 2006

O melhor 007 de sempre


Vi-o esta tarde, e confirma-se: CASINO ROYALE é o melhor (e mais longo) filme do agente secreto mais famoso de sempre, e Daniel Craig o melhor Bond da História. É um filme cru, violento, bastante negro, até, em algumas partes, e a dureza que Craig impõe ao personagem faz todo o sentido nesta que é, afinal, a história de como o mito nasceu. Para essa crueza, esse nervo, contribui e muito a realização de Martin Campbell, que dispensou o recurso a efeitos digitais para construir as fantásticas sequências de acção, e o fantástico argumento de Neal Purvis e Robert Wade, e Paul Haggis (COLISÃO, MILLION DOLLAR BABY).

O olhar incide muito mais sobre o personagem de Bond do que qualquer dos filmes anteriores, e é engraçado verificar que aquilo que à primeira vista parece um desrespeito irónico pelas características clássicas de Bond (de coisas como a origem do seu hábito em pedir vodka martinis 'shaken, not stirred', até à maneira de se relacionar com as mulheres) faz, na verdade, parte de como esses traços da personalidade de 007 se formaram.

Daniel Craig está fabuloso na composição que faz da personagem, duro, com um passado apenas insinuado, mas que não chega - e nisso reside grande parte do seu encanto - para explicar o porquê de James Bond fazer o que faz, de forma quase obsessiva, ele que, neste filme, quase que opera à margem dos seus superiores (a grande senhora do cinema, Judi Dench, novamente no papel de M - e que bem que funciona a contracenar com Craig), como se o cumprimento da sua missão fosse mais importante para ele do que para todos os outros envolvidos, mesmo sem razão aparente - a missão pela missão.

Martin Campbell já admitiu em várias entrevistas que a cena mais difícil de fazer foi a do jogo de póquer porque, afinal, trata-se de pessoas sentadas a uma mesa a jogar cartas. A verdade é que esta cena, entrecortada por outros acontecimentos, mas, mesmo assim, uma das sequências mais longas de todo o filme, foi resolvida com grande mestria, e é uma daquelas em que a tensão mais transpira para fora do ecrã. Brilhante também a sequência em que o grande senhor do Parkour, Sebastian Foucan, faz aquilo que faz melhor, e Daniel Craig junstifica inteiramente o porquê de se ter aleijado mais durante a rodagem do que qualquer outro Bond.

Não admira que a grande parte dos detractores de Daniel Craig se tenham calado: este é um filme que consegue conquistar novos fãs e trazer de volta velhos admiradores que se tinham cansado do rumo da série, ao mesmo tempo que oferece vários bombons aos aficionados, mesmo os mais descrentes.

Eva Green supera em muito o papel quase de adereço reservado às Bond girls (para isso está lá Caterina Murino): Eva, aliás, no filme, Vesper Lynd, é peça fundamental na história, uma contraparte ideal para este James Bond arrogante, durão, obstinado. Grande química entre Eva Green e Daniel Craig.

O vilão de serviço é Le Chiffre (interpretado pelo dinamarquês Mads Mikkelsen), que no livro de Ian Fleming é um banqueiro soviético, por altura da Guerra Fria, e no filme está ao serviço de senhores da guerra e terroristas. Também marca pontos, com as suas lágrimas de sangue e a sua dependência de uma bomba de asma, pormenor delicioso para um vilão.

Não há Q, mas também não se sente a falta, com os gadgets da praxe a serem substituídos por vulgares telemóveis, que marcam forte presença na narrativa. Único ponto negativo: o tema de abertura, de Chris Cornell e David Arnold, classificado pelo primeiro de "melhor tema do James Bond de sempre", e que, vai-se a ouvir, é muito, mas muito fraquinho, raios o partam. E é uma pena, porque o genérico é delicioso, mas ficaria de certeza muito melhor com outra música, ou sem som.

Um bónus, via Martin Klasch: os genéricos de todos filmes do 007, aqui.

Quem ainda não viu, é aproveitar


EXTRAS estreia hoje às 23h15 na 2:
Imperdível.

Mário Cesariny - 1923-2006


Estação

Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho

Muita vez vim esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere. Talvez apareça

Mário Cesariny

sábado, novembro 25, 2006

Green, Eva Green.

Ainda não fui ver, mas o filme tem sido muito bem recebido, contrariando os agoiros de todos os que embirravam com Daniel Craig. A imagem aqui ao lado é do livro de 59 em que se baseia o filme, a primeira aventura de Bond, James coiso. O tom do filme é bem mais violento, e parece que vamos deixar de ver um 007 imaculadamente penteado depois de lutar com, digamos, crocodilos. O que a mim me parece óptimo. Sei que a aura de invencibilidade bondesca faz parte da mitologia cinematográfica do 007, mas sendo esta a primeira aventura do homem, quando ele ainda era um caloiro, é natural que se vá aleijando aqui e ali. Eu próprio, se de hoje para amanhã desse em fazer de mim um agente secreto, era natural que fizesse uma ferida ou duas.

Li não me lembro onde que, logo nos primeiros minutos do filme, percebe-se qual a vantagem de Craig em relação aos James Bond anteriores: saber representar. Ora, eu aprecio deveras Roger Moore, até mais do que Sean Connery (pois é verdade, e isto mesmo após me ter deparado com Mr. Connery em Edimburgo, instante mágico captado pela câmara, e que poderão ver mais ou menos em breve no videocast do Salvo Erro). A razão da preferência por Roger Moore, canastrão de primeira água, tem a ver com o facto de ter sido com ele o primeiro filme do 007 que vi - MOONRAKER ou OCTOPUSSY, não me lembro - e, desde aí, passou a ser para mim o Bond por excelência. Nunca achei Pierce Brosnan grande Bond - parecia bom por contraste com o anterior, o Bigodes Dalton (para mim há de ser sempre o Bigodes, porque cada vez que o vejo não consigo deixar de me lembrar da figura dele em ROCKETEER). Mas Craig, até pelo tom do filme - mais próximo de Jason Bourne, como já ouvi dizer -, talvez mais adequado aos dias de hoje, em que, para começar, os serviços secretos britânicos não estão assim tão bem vistos como isso, corre o risco - ai, que chatice de risco - de ser o melhor Bond de sempre. Embora nunca vá deixar de haver quem continue a torcer o nariz. Eu cá torço pelo Craig, como sempre torci - força, Craig, avança, estou com vontade de gostar do filme, mostra lá essas cabriolas e esses gadgets.

No fundo, no fundo, não interessa quem faz de 007, mas sim quem é a Bond Girl. E, neste caso, há razão para estar contente. Eva Green.

(Na FHFfm, Bond interpretado pelos Skatalites.)

quarta-feira, novembro 22, 2006




FHfm: Naive Song, Mirwais.

(link para video)

Upload


Divulgado novo cartaz de Spider-Man 3.
E um já com umas semanitas, mas que talvez nem todos conheçam:

Download

domingo, novembro 19, 2006

sábado, novembro 18, 2006

quinta-feira, novembro 16, 2006

Se eu fosse o meu próprio animal de estimação nunca faria xixi fora da caixa


be your own PET
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Edit: Mais BYOP na FHfm - "Bicycle Bicycle, You Are My Bicycle" e "Damn Damn Leash" (esta última não está no álbum de estreia, mas sim num EP que podem encontrar, por exemplo, na loja do iTunes).

A nova versão do Blogger é extremamente catita


Finalmente ganhei tripa e mudei o Salvo Erro para a nova versão do Blogger. Decisão sofrida, num ano em que eu e as máquinas não estamos em perfeita sintonia. Primeiro foi o disco do iMac que pifou, se bem que com uma recuperação quase total dos dados que lá estavam dentro, e agora foi o PC portátil que deu o grito final, trauma de tal ordem que nem alma se aproveita. Do que perdi, alguns dramas, mas nada do outro mundo.

De qualquer modo, lá passei para o novo Blogger, e mais cedo o fizesse melhor teria sido, porque correu tudo bem e a mudança compensa e muito. Só não ter de esperar para que os posts ou as modificações de template sejam publicados já seria razão mais que suficiente para mudar. Esqueçam aquela espécie de ventoinha a andar à roda com a percentagem a aumentar aos soluços (quando aumenta e não emperra de vez), a coisa agora é instantânea, não há cá loadings chatos e de resultado imprevisível. Ainda não experimentei as potencialidades que os novos templates e layouts permitem sem grande esforço ou conhecimentos de html, mas à primeira vista parece-me coisa boa.

Também as quedas de ligação são, de longe, muito menos frequentes do que na velha versão, basta dar uma vista de olhos pelo Blogger Status e, lendo os relatórios, a evidência salta à vista e quase nos vaza um olho. Por último, e para quem, como eu, tem um endereço de gmail, fica tudo em casa, com um só username para mail e blog.

Será esta a versão do Blogger que vai trazer de volta soldados perdidos para o Wordpress? Pois efectivamente não sei. Mas sei dizer: avancem, façam a transferência, a versão beta do novo Blogger está que é de roer e choramingar por mais.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Será esta uma imagem de Venom em SPIDER-MAN 3?


Para os visitantes do Salvo Erro interessados na temática do super-heroísmo, neste caso em particular o super-heroísmo cinematográfico, deixei vários spoilers e links para desenvolvimento desses spoilers na caixa de comentários deste post. Os mais ansiosos por conhecer novidades acerca do terceiro opus de Sam Raimi subordinado ao aracnídeo talvez não desdenhem um puleco até ao local.

terça-feira, novembro 14, 2006

Este sábado, Salvo Erro no IP


O próximo fotoon Salvo Erro a sair n'O Inimigo Público contempla este canhenho.

(esta imagem é apenas um pormenor)

TIM BURTON meets SACHA BARON COHEN

Que soem as trombetas: Sacha Baron Cohen vai interpretar Adolfo Pirelli, personagem do musical SWEENEY TODD de Stephen Sondheim, que Tim Burton vai adaptar para o cinema. Sacha junta-se assim a Johnny Depp e Helena Bonham Carter, antes de fazer mais um filme com uma das suas personagens recorrentes, neste caso o austríaco Bruno. Leiam tudo aqui.

O Dr. House salvou o Borat

Foi em Nova Iorque, depois de Sacha Baron Cohen e Hugh Laurie terem participado no Saturday Night Live. Sacha não resistiu a 'Boratar' um transeunte que logo demonstrou o poder do seu meio neurónio e dos seus tabefes. Não fosse a pronta intervenção do conterrâneo e Sacha Baron Cohen teria ficado em pior estado. Murraças à parte, BORAT prepara-se para ser a comédia mais lucrativa de sempre. Leiam tudo aqui.

segunda-feira, novembro 13, 2006

AZUL A CORES em Faro


Os últimos dias da digressão de 2006 de AZUL A CORES são a próxima sexta-feira, dia 17, e sábado, 18. Vai ser em Faro, às 21h30 no CAPa (Centro de Artes Performativas do Algarve). Por isso, se ainda não viram e querem ver, convém ser agora, porque não sabemos quando é que a peça volta a ser apresentada. Para mais informação e reserva de bilhetes visitem o site do Mundo Perfeito, e para saberem mais sobre esta peça cliquem aqui.

Também no CAPa, nesta mesma semana, a começar depois de amanhã, o Tiago Rodrgues vai dirigir um Workshop de Interpretação, direccionada a quem já tenha alguma formação ou experiência em teatro. Até dia 19.

O lado negro do aranhiço

Já aí anda o novo trailer de SPIDER-MAN 3. De nos fazer subir pelas paredes. Estreia a 4 de Maio do ano que vem.

Mais posts sobre este filme do aranhiço aqui, aqui e aqui.

A propósito, na FHfm, os Ramones interpretam o clássico tema do Homem-Aranha.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Star-Spangled Banner


Uma das imagens - se não a imagem - que melhor ilustra a tareia que os republicanos levaram esta semana: Rick Santorum, candidato da Pennsylvania ao Senado que baseou a sua campanha na defesa do casamento tradicional e dos valores familiares, faz o seu discurso de derrota acompanhado da mulher e filhos. As roupas, as caras, as poses, as lágrimas, nada é encenado apesar de ter um 'traço tão grosso' que até parece caricatura. Ou então é mesmo, na medida em que tudo o que é imagem pública da vida privada dos neocons é encenado e casto, até escavação mais profunda (lembrem-se de Mark Foley).
A vitória dos democratas não me faz começar já a atirar foguetes, mas é pelo menos suficiente para me dar vontade de escutar o Star-Spangled Banner tocado pelo cordame de Jimi Hendrix, live in Woodstock.

O grave é que ele não está a gozar.


Stress do ficheiro áudio resolvido

Aí está - a pedido de muitos utlizadores do Firefox, que se estavam a queixar de dificuldade de acesso aqui ao Salvo Erro por causa do ficheiro áudio da minha História Devida, retirei-o deste post e substituí-o por um link que dá acesso ao ficheiro.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Jagshemash outra vez


Uma das razões mais pungentes para algumas das músicas de BORAT me terem soado a Goran Bregovic é o facto da banda sonora incluir um tema de - nada mais, nada menos - Goran Bregovic. Estou fortemente convencido disso. O cd já está disponível na Amazon UK e encomendado. É uma questão de tem de ser. Visitem o MySpace de Borat que, como tudo relacionado com o personagem, está completamente in character, sem referências a Sacha Baron Cohen, como se fosse uma entidade à parte. Aliás, no video em que Borat responde às acusações do governo do Cazaquistão, chega ao ponto de dizer "não tenho qualquer tipo de ligação com esse sr. Cohen, e apoio totalmente a decisão do meu governo de processar esse judeu." Isto para dizer que o MySpace de Borat não desilude; tem, à semelhança dos sites oficiais de Borat e do filme, um design brilhante de tão mau que é, e carradas de textos e videos que vale a pena ver várias vezes. Se explorarem bem tudo o que há por lá, encontram maneira de ouvir um dos temas da banda sonora interpretado por Sacha Baron Cohen, e com magistrais arranjos pop-rasca-do-Cazaquistão da autoria do seu irmão Erran: "If You Be My Wife". Chenquieh!

quarta-feira, novembro 08, 2006

Enforcado antes de Saddam


Notícia da execução, aqui.

Borat!


Se há quem me encha as medidas no humor são THE LEAGUE OF GENTLEMEN e Sacha Baron Cohen. Deste último, confesso, nunca fui grande fã da sua personagem Ali G, apesar de achar piada a muito do material televisivo. Mesmo a outra personagem de Sacha, Bruno, nunca me entusiasmou por aí além. Mas Borat, o repórter do Cazaquistão que fazia as reportagens e entrevistas mais provocadoras em solo inglês, fazia-me dar pinotes de contentamento. Sou aliás uma das poucas pessoas a quem a prestação de Sacha/Borat nos EMAs do ano passado em Lisboa não desiludiu. Aguardava por isso ansiosamente por este BORAT! CULTURAL LEARNINGS OF AMERICA FOR MAKE BENEFIT GLORIOUS NATION OF KAZAKHSTAN.

A estreia cá em Portugal é dia 30 deste mês, e proponho que montem ainda hoje tenda à porta dos cinemas onde o filme vai estar em exibição, para garantir um lugar. BORAT é uma sucessão de momentos antológicos que lhe garantem, a meu ver, um lugar no panteão das grandes obras de comédia. Um clássico instantâneo. Para tal contribui não só a indesmentível mestria de Sacha Baron Cohen, que criou com este repórter do Cazaquistão um dos personagens mais desconcertantes e hilariantes de que há memória (inspirada, segundo o próprio Sacha, num tipo russo que uma vez conheceu), como a realização de Larry Charles (SEINFELD, CURB YOUR ENTHUSIASM, ENTOURAGE), que dá ao filme o aspecto do documetário que é suposto ser - Borat é enviado pelo governo do Cazaquistão para fazer uma reportagem sobre os EUA. É o ponto de partida para esta espécie de road-movie, uma sátira demolidora a tudo o que os Estados Unidos têm de mau, sem concessões e sem fazer reféns. Existem situações tão no limite, momentos em que Sacha Baron Cohen estica a corda de tal maneira com os diversos 'cromos' americanos que vai encontrando na sua viagem, que não raras vezes dei por mim a perguntar "mas isto não será encenado?" Reside nesta dúvida grande parte do génio deste filme, que consagra Sacha Baron Cohen como um dos maiores comediantes da actualidade.

Muito boa também é a banda sonora original, da autoria de Erran Baron Cohen (irmão de Sacha), que faz lembrar Goran Bregovic e acentua o lado Kusturica que o filme às vezes tem.

Na antestreia organizada pela Castello Lopes foi-me ainda oferecido o saquinho com o merchandising do filme, onde se encontra nada mais nada menos que o fato-de-banho de Borat (vejam foto abaixo). Já o vesti e devo dizer que mal posso esperar pelo próximo Verão para estreá-lo na praia. Vai ser assim de miúdas a querem conhecer-me, porque o danado do fato-de-banho é mesmo tremendamente sexy.

terça-feira, novembro 07, 2006

segunda-feira, novembro 06, 2006

A Né-Li é ri-fixe!


Há um ano e quatro dias foi assim: Shakira acompanhada pelos corredores da SIC por uma Rita Ferro já embalada para o "Contacto"; foi um pedaço de programação das tardes no horário anteriormente dedicado à informação. Na RTP 1, Mário Soares falava para duas ou três pessoas. Não fui uma delas, porque eu votei Shakira.


Hoje foi a Nelly Furtado. Nestas grandes entrevistas nada é deixado ao acaso: reparem nas horas a que Shakira e Nelly entraram. Precisão de relógio suíço. É o rigor e a excelência de conteúdos que Mário Crespo não se cansa de referir, neste caso não na SIC Notícias - mais a excelência das suas autopromos com "What a Wonderful World" a servir de banda sonora a imagens de guerra e estropiados - mas na SIC generalista.

O entrevistador foi, mais uma vez, Rodrigo Guedes de Carvalho. Já ninguém o via tão excitado desde que leu o último livro de António Lobo Antunes. Percebeu-se que Rodrigo Guedes de Carvalho estava a flirtar com Nelly Furtado quando disse que ela falava bastante bem português. Só mesmo numa lógica de engate é que se podia dizer uma coisa daquelas.

A Nelly foi hoje rebaptizada de Né-Li, à portuguesa, porque não basta lembrar que é luso-descendente, não basta o segundo nome, Furtado, para vincar que é luso-descendente; é preciso tornar o nome mais da casa. E com este parágrafo cumpri a quota mínima obrigatória de utilização da palavra "luso-descendente" quando se refere a Né-Li.

A Né-Li tem uma música na Floribella e até vai amanhã gravar um episódio. Questiono-me se a presença da Né-Li surtirá efeito nas audiências da Floribella; não esqueçamos que a Né-Li cantou o "Força" para dar ânimo à selecção nacional durante o Euro 2004, e Portugal, mesmo assim, não passou do quarto lugar(*).

Tirando isso, a presença da Né-Li na Floribella faz todo o sentido. Se virmos com atenção, a Né-Li e a Floribella têm muita coisa em comum. Por exemplo, a Floribella fala com uma árvore, e a Né-Li, depois da segunda grama, também fala com objectos inanimados.

Há tempos, Júlia Pinheiro disse que a SIC estava apenas a tentar imitar o que a TVI tinha feito no passado. Lembro-me das aberturas do Jornal Nacional, com Manuela Moura Guedes a mostrar o pontapé do Marco do Big Brother, e outros furos jornalísticos do mesmo calibre. Justificava-se a coisa com a tirada: é infotainment. Mas com a Né-Li não é o caso. Não. A Né-Li justifica vinte e tal minutos no Jornal da Noite, porque a Né-Li é luso-descendente. A Né-Li canta o "Força". A Né-Li apoia a selecção de todos nós, e a Floribella.
A Né-Li é super-hiper-mega-ri-fixe.

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Update - 23:30

(*) Obrigado ao leitor João que, apesar de aparentemente não ter percebido patavina deste post, me alertou para o facto de, no Euro 2004, Portugal ter sido vice-campeão. Pois é verdade, perdeu na final frente à Grécia; a franja da Né-Li baralhou-me e fiz confusão com o resultado no Mundial deste ano, em que, aí sim, a selecção nacional se ficou pelo quarto lugar. É a excelência de conteúdos aqui, no Salvo Erro.

Quanto à parte, caro leitor, da Né-Li ser "linda e portuguesa com muito orgulho, se calhar até mais que o senhor", devo dizer que mais linda que eu é de certeza - costumo dizer que vale mais uma Né-Li acabada de acordar do que um FHF saído do salão Beauté; quanto a ser mais portuguesa do que eu, deixo uma pista: luso-canadiana. Mas não é sobre a questão do patriotismo nem da belezura da Né-Li que este post trata, por isso, proponho que passemos adiante.

Uma última nota: acabo de receber a notícia de que Luciana Abreu, a.k.a. Floribella, terá dito "Eu para o ano, se deus quiser, vou conseguir adoptar a minha chinesinha". Se o governo chinês permitir que esta adopção se faça, penso que terá ido longe demais no desrespeito pelos Direitos Humanos.

Jagshemash!!!


Amanhã vou ver. Depois digo coisas.

domingo, novembro 05, 2006

Saddam condenado à forca


Leiam aqui e aqui.

A decaír

O ano passado tivemos em Lisboa os MTV Europe Music Awards. Este ano a cerimónia foi em Copenhaga, que viu os Muse receberem o prémio de Best Alternative Act, os Moonspell de Best Portuguese Act (merecidíssimo), "Crazy" dos Gnarls Barkley a ser considerada a melhor música (estava-se mesmo a ver) e Borat a tentar vender um bebé a Madonna. Por cá, estamos reduzidos a uma presença de Nelly Furtado na Floribella, com direito a passagem amanhã pelo Jornal da Noite, qual Shakira em tempo de presidenciais.

Hoje no Pavilhão Atlântico

mais um concerto dos Tool a que não vou poder ir.

Na FHfm: "Right in Two" do último 10,000 DAYS.

sábado, novembro 04, 2006

Anathema adiado

As apresentações da peça ANATHEMA na Culturgest foram adiadas para datas a definir por motivos de doença da actriz Jolente De Keersmaeker.

A minha história (de)vida

O livro HISTÓRIAS DEVIDAS inclui histórias dos ouvintes do programa, mas não dos autores convidados. Soube entretanto pela Inês Fonseca Santos que talvez essas histórias venham a ser editadas, mas entretanto fiquem aqui com a minha.

Cuí

Nove horas em duas lanchas de seis metros, havia certas zonas do rio com mais terra que água, tinhamos de sair e puxá-las à força de braços. Quando chegámos eram as crianças que estavam à espera, espalhadas pela encosta junto à margem do Iriri. Descarregámos as lanchas em silêncio, enquanto os adultos começavam a aparecer, curiosos. Tinhamos sido avisados, não os olhem directamente nos olhos, mas todos tinham olhares que não permitiam outra coisa a não ser olhar para eles.

Chamavam a si próprios Ugurogmo, que significa eu e tu, viviam no céu, suportado por quatro estacas de madeira. Um dia as estacas partiram-se e eles caíram na Terra, junto com a lua e as estrelas, essas mais tarde devolvidas ao lugar por um pequeno pássaro chamado cuí. A Terra recebeu-os como eles agora nos recebiam: sem os braços abertos mas com um sorriso, o que já era bom sinal, tendo em conta que o último caso de canibalismo ocorrera ali há pouco mais de uma década.

Julho de 2002. Éramos sete e estávamos na floresta amazónica para filmar um documentário. Carlos Barreto, o realizador, único de nós a quem os índios nunca pediram tabaco, mas que acabaria por descobrir que lho roubavam da mochila. José Borges, o produtor, já ali tinha estado para negociar com os mais velhos as condições da nossa visita. Hernâni Borges, o assistente de realização, a quem o perigo de apanhar malária e as saudades da Internet atormentavam com igual intensidade. Orlando Alegria, director de fotografia, aquele de nós que ficou mais preocupado no dia em que se acabou a água não-contaminada que tinhamos levado para beber. Paulo Rosa, câmara, dono de um sangue frio que lhe permitiu sorrir quando um dos poucos índios que arranhava o português disse: “Pô, esse cara nem de noite pára de filmar nós, eu vou matar ele”. Quintino Bastos, que recolheu todos os sons da floresta, excepção feita ao mais exótico: o seu próprio ronco, enquanto dormia. E eu, o roteirista, como se diz no Brasil, à espera de perguntar ao Tximi, velho pajé da tribo, que planta era aquela que o mantinha acordado durante dias seguidos enquanto falava com os espíritos.

O sol descia e deixava-nos dois céus – o lá de cima, com a lua e as estrelas que o cuí tinha devolvido ao lugar, e o cá de baixo, igualmente calmo, reflectido na superfície do rio. Uma noite em que não havia espelho apontei a lanterna para o Iriri, e tive de lutar com os mosquitos que antes cobriam as águas de uma margem à outra. Dormíamos em redes penduradas nas árvores, paredes meias com o rio, ouvíamos o escarcéu que os jacarés faziam a dois metros de nós, quando vinham comer os restos da caça que os índios para ali deitavam.
Lembrei as palavras que o meu pai me tinha dito, ainda em Lisboa, antes de eu entrar para o avião: “Vão ser os melhores dias da tua vida.”

Houve uma tarde em que seguimos Tati, um dos caçadores, floresta adentro, o Barreto queria imagens de um índio a caçar. Caminhámos durante horas, até um ponto em que nenhum de nós saberia voltar sem a ajuda do Tati; e depois mais um pouco, até duvidarmos que mesmo ele fosse capaz de encontrar o caminho de regresso.

Um qualquer som, que só ele ouviu, e o Tati desapareceu por entre a vegetação densa. Ficámos sozinhos, sem saber onde estávamos, se é que alguma vez souberamos desde que tínhamos chegado à Amazónia. As horas passaram, nós sentados à espera, ninguém falou daquilo que estava a pensar, pensávamos todos o mesmo. Os sons da floresta eram mais que muitos, tão vivos quanto queríamos estar no fim daquele dia. Houve um pássaro pequeno que pousou ao pé de nós, talvez fosse o cuí; se tudo o resto falhasse, poderíamos pedir-lhe que nos levasse de volta para casa, como fizera à lua e às estrelas.

Antes mesmo do Tati voltar, com um ar satisfeito, antes de atirar um javali morto para o chão e fazer um gesto a pedir-me um cigarro, achei que talvez o meu pai tivesse razão, eram os melhores dias da minha vida, pelo menos por enquanto.

- 09/01/06.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Got Love to Kill


Após "Soon" e "Sometimes", duas pérolas do incomparável LOVELESS, álbum de 1991 dos My Bloody Valentine (dia 5 de Novembro completam-se 15 anos desde o seu lançamento), e depois da cover de "Summer Breeze" pelos Type O Negative (que inauguraram neste Halloween o seu novo site), está a rodar na FHfm, para gáudio geral, Juliette and the Licks com "Got Love to Kill".
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(Update - 16:20, 5/11) A quem apreciou a foto de Juliette Lewis: saibam que foi tirada durante o Iceland Airwaves de 2005 por Robert Stefansson.

Anathema & Teatros de Guerra


ANATHEMA, de José Luís Peixoto, vai ser apresentado na Culturgest nos próximos dias 5, 6, 7 e 8. Este espectáculo da companhia belga tg STAN conta com a participação do Tiago Rodrigues como actor e co-criador, e aborda a questão do terrorismo, do medo e da violência. Nos diversos trabalhos que tenho desenvolvido com o Tiago nos últimos dois anos pude observar a tremenda energia e dedicação que ele coloca em todos os projectos. Não poderei nunca esquecer - só para dar um exemplo - o talento e a disponibilidade que tanto ele como a Margarida Cardeal demonstraram durante as filmagens de AZUL A CORES (que, por sinal, ainda não acabaram - faltam dois dias de cenas adicionais). Trabalhar com o Tiago é um gosto só comparável a vê-lo trabalhar. Não deixem de assistir a ANATHEMA num destes quatro dias, às 21h30, porque qualquer um dos responsáveis por este espectáculo é razão mais que suficiente para justificar uma ida ao teatro.


Na Casa d'os Dias da Água vai estar exposta a instalação de Thomas Walgrave, TEATROS DE GUERRA. Thomas é também um dos responsáveis por ANATHEMA, e trabalhou connosco na segunda edição das URGÊNCIAS. Esta exposição, que está inserida no projecto 'Teatros de Guerra' do Teatro do Tejo, vai estar aberta ao público até 12 de Novembro, de terça a domingo, das 13h às 15h e das 17h às 20h. A entrada é livre.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Óbito


Artur Francisco Varatojo, aliás Inspector Varatojo, um dos grandes responsáveis por eu me ter tornado um ávido leitor de policiais. Morreu este sábado, aos 80 anos.

Quem viu, disse: "Foi horrível, parecia real!"


Ontem fui a uma festa de Halloween mascarado de "Dr. Gentil Martins no Prós e Contras sobre o Referendo ao Aborto". Andei a pregar sustos a toda a gente com o meu diploma e acabei por ganhar o prémio de máscara mais aterradora da noite.