Segunda-feira, Outubro 23, 2006

Outro dia em que a minha cabeça foi como que esmagada por uma pá.

Foi quando li isto:


"Lichtenstein: creator or copycat?
By Alex Beam, Globe Columnist | October 18, 2006

Art teacher David Barsalou has an interesting avocation. He has found and catalog ed almost every comic book panel later blown up and sold for megabucks by 1960s Op Art icon Roy Lichtenstein. So far, Barsalou has about 140. You will see a sample on this page, or go to his website,
Deconstructing Roy Lichtenstein.

Color me naive, but I never thought Lichtenstein's work was a direct copy of scenes from comic books. I assumed that he stylized certain scenes suggested by the comic vernacular of the 1950s and 1960s. ``He tried to make it seem as though he was making major compositional changes in his work, but he wasn't," says Barsalou, who teaches at the High School of Commerce in Springfield. ``The critics are of one mind that he made major changes, but if you look at the work , he copied them almost verbatim. Only a few were original."

Leiam o resto aqui, e não deixem de visitar Deconstructing Roy Lichtenstein.

Para mim, enorme fã do trabalho de Roy Lichtenstein, é como levar com um barrote pela cabeça abaixo. Custa a engolir, mas as evidências são f#%!%@$! O Boston Globe também promove uma sondagem: Isto afecta a visão que tem do trabalho de Lichtenstein? Pois com certeza que sim.

9 comentários:

Tino_de_Rans disse...

E só agora é que isto se descobre???

saynomore disse...

que isto é pra assinalar as diferenças? é que são muitas

Filipe disse...

Claro que são muitas: as cores, as dimensões. Mas acho que o principal se resume a esta frase de Alex Beam: "Chamem-me de ingénuo, mas nunca pensei que o trabalho de Lichtenstein era uma cópia directa de livros de banda desenhada. Assumi que ele estilizava certas cenas sugeridas pelo vernáculo da BD dos anos 50 e 60".

bv disse...

fiquei deprimida...

Filipe disse...

Foi exactamente para isso que postei esta notícia: não queria ficar deprimido sozinho.

Pedro Guerreiro disse...

Atenua-te a depressão?

passarola disse...

eu sempre tive ideia que era coisa assumida.. afinal não é um processo muito diferente de pintar uma lata de sopa, ou colorir uma foto da marilyn.. mas fui procurar e descobri esta informação no http://en.wikipedia.org/wiki/Roy_Lichtenstein

"Most of his best-known artworks are relatively close, but not exact, copies of comic book panels, a subject he largely abandoned in 1965. (...)These panels were originally drawn by lesser known comic book artists such as Russ Heath, Tony Abruzzo, Irv Novick, and Jerry Grandinetti, who rarely received any credit. (...) Some threatened to sue him...But this is to miss the point of Roy Lichtenstein's achievement. His was the idea. The art of today, he told an interviewer, is all around us.""

Pode desiludir enquanto homem.. por não ter partilhado glórias com os verdadeiros criadores das imagens.. mas ..por mim..se um dia... poder ter um lichtenstein na sala...... ;)

Filipe disse...

Eu tenho um na sala (não verdadeiro, claro está, é apenas uma impressão comprada no Stedelijk) e agora, cada vez que olho para ele, aperto o punho em frente à cara e digo "Ah, Licht, meu sacripanta!". Mas também não me parece que vá tirá-lo da parede. Repito: não pensei que os trabalhos fossem assim tão iguais, e acho que torna tudo mais fácil e, para mim, menos valioso. A minha fruição do trabalho do senhor tem agora um ruído, uma moínha. Não acho que seja a mesma coisa que pintar uma lata de sopa - esse argumento foi aliás usado no fórum do Boston Globe, e alguém chamou a atenção para o facto de uma lata de sopa Campbell ser um objeto tridimensional que Warhol passou para 2D. logo aí há uma diferença entre o que este fez e o trabalho de Lichtenstein.

Filipe disse...

Acrescento: uma das coisas de que mais gostava nos trabalhos de Lichtenstein era a sugestão que faziam, a partir de um quadro ou de uma sequência, de toda uma história, para o que contribuíam as legendas e os balões de texto típicos da BD. Saber que afinal essa sugestão nasce porque os quadros foram mesmo retirados de uma história, em que até as legendas e os balões de texto são iguais, tira-lhes bastante encanto.