O Interior é igual em toda a parte.
Há livros em que as personagens, mais do que se revelarem, fazem aumentar a vontade que temos de conhecê-las. Acabamos o livro com essa vontade, porque houve muitas respostas que ficaram por dar, porque não existem, ou talvez não sejam o mais importante. Esses livros acabam por ficar connosco durante mais tempo, às vezes a vida toda. Quem me alertou para isto foi o Rui Cardoso Martins, e o seu romance de estreia é um desses livros. E SE EU GOSTASSE MUITO DE MORRER é uma sucessão de socos no estômago, que têm a capacidade de criar a dormência necessária para aguentarmos a força crescente com que se sucedem, sem nunca nos tornarem indiferentes. Uma mistura única de sensibilidade e humor, se é que são duas coisas distintas (este livro faz-me duvidar disso). Li-o em duas noites e voltei a ele todos os dias seguintes. Parece tão distante do meu quotidiano, mas, ao mesmo tempo, tem tantos pontos de contacto. A morte é um tema que nos diz muito a todos. Tenho a sorte de trabalhar diariamente com o Rui, e por isso tenho a oportunidade de massacrá-lo com perguntas que faria aos meus autores favoritos. Ele é um dos meus autores favoritos. Este livro vai sobreviver ao Rui. E acho que isso é a melhor coisa que pode acontecer a uma obra.
"Na confusão do mundo, um rapaz sobe a rua. O Interior é igual em toda a parte.
Mas hoje vai mudar. Ele traz um segredo terrível no bolso do kispo.
Faz calor na província dos suicidas. Dá vontade de rir: uma cidade em que até o coveiro se mata... São estatísticas, tudo em números. Na Internet, há sexo e doidos japoneses e americanos para conversar em directo. No campo, granadas e ervas venenosas. No prédio, um jovem assassino toca órgão.
O space-shuttle leva cortiça do Alentejo para o Espaço. O Bispo viu o maior massacre da guerra de África e calou-se.
Mas hoje vai responder. Os factos verdadeiros são os piores.
O amor do rapaz rebentou.
Que responsabilidades temos quando nada fizemos?
Em que fado parámos, onde fica Portugal?"
"Na confusão do mundo, um rapaz sobe a rua. O Interior é igual em toda a parte.
Mas hoje vai mudar. Ele traz um segredo terrível no bolso do kispo.
Faz calor na província dos suicidas. Dá vontade de rir: uma cidade em que até o coveiro se mata... São estatísticas, tudo em números. Na Internet, há sexo e doidos japoneses e americanos para conversar em directo. No campo, granadas e ervas venenosas. No prédio, um jovem assassino toca órgão.
O space-shuttle leva cortiça do Alentejo para o Espaço. O Bispo viu o maior massacre da guerra de África e calou-se.
Mas hoje vai responder. Os factos verdadeiros são os piores.
O amor do rapaz rebentou.
Que responsabilidades temos quando nada fizemos?
Em que fado parámos, onde fica Portugal?"
Rui Cardoso Martins
(texto da contracapa)
(texto da contracapa)
O livro será apresentado por António Lobo Antunes amanhã, quinta-feira, 19 de Outubro, às 18h30 na Fnac Colombo.


1 comentário:
Gosto.
Da contracapa.
Frieza pragmática e crueza quase sádica.
O tipo de escrita faz-me lembrar Gonçalo M. Tavares, com os seus livros pretos.
Bem bom também.
Mas a contracapa apanhou-me.
Daqui a uma ida à FNAC encontramo-nos.
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