O dia em que a minha cabeça foi esmagada com uma pá.
O Markl anda a colocar no YouTube os episódios de ÓDIO VISCERAL, esse objecto raro e tantas vezes incompreendido do qual sou fã, ou não tivesse eu um gostinho especial por tudo o que é série-B. Representações de violência extrema, concretizadas com uma escassez de meios daquelas de bradar aos céus, em que duas bolas de ping-pong pintadas com caneta de feltro fazem a vez de olhos, e uma melancia toma o lugar da cabeça da vítima (eu, neste caso). Acho que foi Frank Zappa que disse uma vez gostar de filmes em que se vêem os fios a fazer mexer as patas da aranha gigante, ou os pés humanos por baixo do fato de borracha do monstro, qualquer coisa assim do género, e é exactamente esse carinho que eu nutro por obras do calibre do ÓDIO VISCERAL. Tudo o que são experiências descomplexadas e despretenciosas têm os meus thumbs up, e tenho pena que não existam mais coisas deste tipo nos canais cabo. Quando o Markl e o Orlando Panhões, a.k.a. Francisco Palma, me convidaram a levar um ódio meu para ser destruído e a oferecer-me a mim próprio como sacrifício, aceitei de imediato. Já os conheço há anos, por isso as gravações mais pareceram um banal encontro de amigos para uma tarde solarenga de homicídio simulado, não fosse o pormenor de estar a chover. Esse foi o dia em que mais me aproximei da sensação de ser um dos meus ídolos, Bruce Campbell - é que, assim como ele ficou com irritações na pele por causa da caracterização de zombie que usou em WITHIN THE WOODS (filme de 1978, espécie de 'ensaio' do que viria a ser o primeiro filme da saga gore EVIL DEAD), também eu desenvolvi uma reacção alérgica à maquilhagem usada para fingir que os meus olhos tinham saltado para fora. Esta é também a última vez em que aquele meu adorado blusão de cabedal, com uns bons 12 anos que fariam dele um excelente whisky velho, foi visto com vida. Porque depois da valente pazada que Panhões pregou na melancia que substituiu a minha cabeça na deliciosa cena de esmagamento craniano, a pá deu em resvalar e fazer um doloroso rasgão no desprevenido blusão. Safaram-se as minhas costas, já que o blusão estava colocado numa cadeira. Panhões é implacável, e impõe-se o seu regresso.

1 comentário:
que fixe!! ..para acabar a fantástica noite de filme da treta....
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