quarta-feira, agosto 30, 2006

terça-feira, agosto 29, 2006

C'um catano: é o segundo teaser do FILME DA TRETA!

As primeiras visões de ZEZÉ EM CUECAS, do talhante BIFINHOS, de ZÉ CÁGADO, de GALHETAS, e da MULHER DE ZEZÉ! Façam download aqui e usem o Windows Media Player para ver.

A entrada de Conan O'Brien na cerimónia dos Emmys

As imagens já foram colocadas no YouTube, e retiradas, e voltadas a colocar. E ainda vão ser colocadas e retiradas mais umas vezes até alguém na NBC perceber que, se calhar, é impossível controlar a coisa. Há-de sempre haver alguém preparado para colocar on-line a brilhante entrada de Conan O'Brien de que falei aqui. Vão ao YouTube, e façam uma busca por "Emmy 2006 Intro", ou "Emmys 2006", e não só vão encontrar as imagens de Conan a contracenar com personagens de LOST, THE OFFICE (versão americana), 24, HOUSE, e SOUTHPARK, como também vão conseguir encontrar o monólogo de abertura e o excelente número musical interpretado por Mr. O'Brien.

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(Update - 14:55) O número musical é de génio. Uma crítica nada velada à gestão das principais estações televisivas dos EUA, tomando como ponto de partida as baixas audiências que a NBC (estação que este ano voltou a transmitir os Emmys e onde Conan apresenta o seu Late Night) tem tido nas últimas temporadas. O efeito que a internet tem no distanciamento do público de grande parte da programação televisiva também é referido - é quase como se, na cerimónia máxima de celebração televisiva, Conan O'Brien profetizasse o fim da TV, ou pelo menos de uma certa ideia de TV, que teima em apostar na mudança imposta pelos novos meios, como a TiVo.

Gunter Grass, Mel Gibson, e o Primeiro Comando da Capital

Ao revelar que pertencera às SS quando era chavalote, Gunter Grass fez correr muita tinta (ah, a estranheza de começar com uma frase onde "Gunter Grass" e "chavalote" aparecem lado a lado, só comparável a fazê-lo com "judeu" e "camping-gás"). Levantou-se o problema: na apreciação de uma obra literária ou artística deve ter-se em conta o perfil ético e moral do seu autor? A discussão continuou a propósito dos comentários feitos por Mel Gibson ao ser detido por conduzir alcoolizado, obscenidades que muito ofenderam a comunidade judaica. (Em relação a Mel Gibson, devo dizer que na minha opinião os judeus ofendidos estão a exagerar. Por mais duras que tenham sido as palavras de Gibson, de certeza que não foram piores do que qualquer outra coisa que tenha sido dita sobre eles n'A Paixão de Cristo.)

O debate impõe-se agora uma vez mais, com a edição e estrondoso sucesso do cd de estreia do Primeiro Comando da Capital, organização que divide o seu tempo entre a música e a nobre arte de tomar São Paulo de assalto aos tiros de metralhadora. As cópias do cd são vendidas como se droga se tratasse. Não pelo preço: cada cd custa 5 reais, ou seja, 1,8 euros; ora, um cd pesa à volta de 100 gramas, o que dá portanto menos de 2 cêntimos a grama de cd, preço ainda assim muito inferior à grama de cocaína, de heroína, ou de maconha, que se pratica no mercado.
Se a venda de cd's do Primeiro Comando da Capital se compara ao narcotráfico é pela forma como é feita - às escondidas, seguindo um percurso comum às armas e drogas que chegam aos putos das favelas e aos pais deles, que estão todos presos.

O estilo musical deste agrupamento inclui-se naquilo que se convencionou chamar de funk, como aliás o título do trabalho de estreia indica, Funk PCC 2006. Uma batida tum-tum-tum, som de metralhadoras, e letras reveladoras de um imaginário muito próprio, tais como Daqui para a frente é só terror / A guerra vai começar / Todos os presídios vão se lavantar. Do ponto de vista legal, este estilo de música tem outro nome: proibido, ou, como é mais conhecido, proibidão.
O funk proibidão está configurado na lei criminal brasileira como apologia ao crime, punível com penas de prisão que podem ir dos três a seis meses. O equivalente a um fim-de-semana para muitos destes músicos. Este tipo de funk surgiu em 1999, pela mão dos visionários Comando Vermelho, uma organização criminosa do Rio de Janeiro que está prestes a comemorar os 40 anos de carreira - prova que, no Brasil, carreira não se faz só na Globo.

Pergunto: será legítimo proibir esta arte, usando como justificação as actividades criminosas dos seus autores? Pois que andam a decapitar polícias, a matar delatores colocando-lhes pneus em chamas à volta do pescoço, e a espanhar o terror pelas ruas paulistas através do uso de armas automáticas e machadinhas, pois sim senhores que andam. Mas terão os ouvintes de ser punidos por aquilo que estes artistas fazem nas horas vagas? Será justo que tenham de recorrer a um circuito ilegal - o mesmo tão criticado e perseguido pelas forças de autoridade que agora os empurram para ele - como única forma de acederem a uma cultura que, mesmo com todas as adversidades, consegue chegar ao cidadão como nenhuma iniciativa privada ou estatal no domínio da cultura jamais tentou sequer chegar?

Podem chamar-me sonhador, mas é meu desejo poder um dia ler Die Blechtrommel (O Tambor) de Gunter Grass ao mesmo tempo que ouço Tu tá ligado, amigo, nessa parada / Nós mete bala, pisa em cima / E sai dando risada, sem ser criticado ou perseguido.
Já nem pedia mais nada.
Bom, talvez poder assistir à cena de Mel Gibson a chamar nomes aos polícias judeus. Mas só uma vez.

THE GHOULS - Dracula's Deuce


A rodar na FHfm.

Videos de formação para funcionários da Microsoft, por David Brent, a.k.a. Ricky Gervais

Já estiveram disponíveis no You Tube, mas a Microsoft obrigou-os a tirá-los de lá: os videos de 'formação' escritos, realizados e interpretados por Stephen Merchant e Ricky Gervais, que recupera a personagem de David Brent do magnífico THE OFFICE. Podem ser vistos agora no Google Video, mas é melhor despacharem-se não vá a Microsoft embirrar. Aqui ficam os links:

primeiro video
segundo video

A propósito do início da terceira temporada de THE RICKY GERVAIS SHOW, o mais escutado podcast de sempre, leiam esta entrevista a Ricky Gervais, onde ficamos a saber mais acerca do ícone Karl Pilkington.

E agora que a versão americana do THE OFFICE venceu um Emmy, saibam que no Canadá vai nascer outro David Brent, aliás David Gervais, e que a série se chamará LA JOB (leiam aqui).

Emmys

Todos os vendedores aqui.
E, ao ler a descrição da entrada de Conan O'Brien,

"O’Brien (...) made his entrance in a pre-taped sequence that began with a plane crash that stranded him on the island from the ABC hit Lost, took the show’s mysterious hatch to The Office, wandered into a tense 24 situation, underwent a quick medical evaluation by Hugh Laurie of the Fox hospital drama House, found himself animated on the Comedy Central show South Park, and then endured an awkward confrontation by Dateline NBC correspondent Chris Hansen. Finally arriving at the Shrine Auditorium, he opened the night to enthusiastic applause."

fiquei ainda com mais vontade de ver a cerimónia. Estará isto já disponível no YouTube?

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(Update - 2:10) Pois, ainda não. Entretanto, dêem uma vista de olhos ao balanço feito pelo TV.com à cerimónia (fraquinha) e à prestação de Conan O'Brien, que parece ter sido grandioso, como era de esperar.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Sai amanhã o último trabalho de Bob Dylan

E por favor, que seja mesmo o último.


Em entrevista ao último número da Rolling Stone, Dylan revela uma lucidez que lhe era desconhecida desde sempre: quando inquirido sobre o download ilegal das suas músicas, respondeu "Well, why not? It ain't worth anything anyway".

Ecos de Columbine


Cartas de uma mulher ao ex-marido. O filho de ambos, em vésperas de completar 16 anos, entrou na escola e assassinou a tiro sete colegas e dois funcionários. Uma viagem de culpa, de angústia, retrato brilhante da maternidade, do ser humano, da América, com muitas perguntas e sem respostas. Mas à procura.

We Need To Talk About Kevin, de Lionel Shriver, ainda não está traduzido para português, mas vale a pena não esperar.

sábado, agosto 26, 2006

Novo vício (com um update)

The Young Knives - Weekends & Bleak Days (Hot Summer)


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(Update - 28/08, 2:10) Confirma-se: o álbum de estreia destes senhores é mesmo muito bom. Os YOUNG KNIVES, que há dois anos tinham discretamente lançado um EP intitulado THE YOUNG KNIVES... ARE DEAD, editaram no dia 21 o novo VOICES OF ANIMAL AND MEN, produzido por Andy Gill dos GANG OF FOUR. Para além de fazer boa música, estes tipos também têm muita piada. Prestem atenção à letra e ao video de SHE'S ATTRACTED TO, disponível no MySpace deste trio.

sexta-feira, agosto 25, 2006

E se eu vos disser que VI e FILMEI o grande SEAN CONNERY?


Rigorosamente verdade. Brevemente poderão saber tudo e ver com os vossos próprios olhos, no primeiro SALVO ERRO VIDEOPODCAST, que será sobre esta visita ao Fringe de Edimburgo.

Entretanto, já acrescentei comentários às cinco primeiras fotos que enviei de lá, relativas ao Pleasance Courtyard. Cliquem aqui para lê-los.

Medo.

Enquanto estive fora

quarta-feira, agosto 16, 2006

Cá vou eu para o FRINGE


Seriam precisos cinco anos, onze meses e dezasseis dias para assistir a tudo o que o Fringe tem para oferecer nesta edição. 28014 apresentações de 1867 espectáculos de comédia, teatro, música e dança, fazem deste o maior festival de artes do mundo.
O Fringe é conhecido por funcionar como rampa de lançamento de comediantes e companhias de teatro para o grande público. Muitos dos grandes nomes da comédia de amanhã vão passar este ano pelos inúmeros recintos e palcos da cidade - os Flight of The Conchords, por exemplo, começaram a dar nas vistas por lá, em 2003.
Com tanta oferta, e sem a ubiquidade indispensável para conseguir ver tudo o que interessa, escolher aquilo a que se vai assistir é quase uma tortura, pela quantidade de coisas boas que se tem forçosamente de deixar de fora. Já tenho bilhetes comprados para oito espectáculos, entre eles AUDIENCE, de Michael Frayn, e o já polémico JESUS: THE GUANTANAMO YEARS.
Eu e a Sofia partimos para lá daqui a algumas horas, na manhã do dia para o qual, segundo li na revista FOCUS, estavam previstos os atentados, pelo que vamos tentar não nos sentarmos ao lado de ninguém com gel no cabelo (nunca fiando). Fazemos escala no mui mediático aeroporto de Heathrow, onde vamos estar quatro horas - uma seca, mas foi o voo mais rápido que arranjámos, mesmo tendo marcado tudo há quase dois meses.
Como o serviço do Blogger de envio de posts por telemóvel só está disponível para redes dos EUA, vou reactivar temporariamente o meu moblog do Textamerica, para onde vou enviar algumas fotografias de Edimburgo. Até dia 23, vão passando por HTTP://FHF.TEXTAMERICA.COM.
Então até já.

terça-feira, agosto 15, 2006

Salvo erro no IP, desta sexta-feira a oito dias


Esta semana seria de fotoon SALVO ERRO n'O INIMIGO PÚBLICO. Mas por causa de uma questão editorial qualquer, que o Luís Pedro Nunes me tentou explicar mas que eu, ainda atordoado pelo concerto dos Rolling Stones, não cheguei a perceber, o fotoon passará para a semana que vem. Como amanhã parto para Edimburgo, para o Fringe, tive de deixá-lo já pronto, apesar da grande antecedência. Esta imagem é apenas um pormenor do que vai sair no IP de sexta-feira, dia 25.
Em relação ao Fringe, chequem o próximo post.

Mais fotos de Stones na Invicta

Aqui ficam mais alguns instantâneos captados pela lente do meu telemóvel. Cliquem nas imagens para ampliá-las.



O Stonemobile, a alguns metros do estádio.


Uma das bancadas de venda do merchandising oficial. As não-oficiais abundavam à volta do estádio, e à saída fui testemunha de uma apreensão por parte das forças da autoridade - irritados por não terem ido ao concerto, os polícias descarregaram nos vendedores ambulantes que só estavam a fazer pela vidinha.



Antes do início do concerto, o estádio ainda em processo de 'enchimento', mas já compostinho.


As torres do palco - algures na parte de baixo da torre da direita estavam a Susana Romana, a Patrícia Pereira, e o Pedro Ribeiro.



Mick Jagger debitou algumas frases em português do Brasil, que certamente aprendeu com a Luciana Gimenez. Cão.


Keith Richards a interpretar "Slipping Away", no fundo a história da queda que deu do coqueiro abaixo.


Às tantas, ao som de "Miss You", uma porção do palco avançou multidão adentro, deslizando sobre uns carris até quase ao outro extremo do estádio. Foi a chamada loucura.

Quando se fala de ataques terroristas...


...em que o plano era fazer explodir onze aviões com destino aos EUA usando apenas líquidos, gel, e máquinas fotográficas descartáveis, o cérebro dos atentados só pode ser o MacGyver.

Eis o primeiro teaser do FILME DA TRETA!

Cliquem aqui para fazer o download. Usem o Windows Media Player para vê-lo.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Snack TV

De como estampei o meu iMac

Como não tenho carta de condução - sou uma lástima, pois sou -, os únicos maquinões que posso estampar são os computadores. E foi o que aconteceu.
Na sexta-feira dia 4, as contradições acerca da recuperação do meu iMac caíam-me no telemóvel a uma velocidade surpreendente:
19h30 - sou informado de que vai ser possível recuperar a totalidade da informação. Dizem-me que me ligarão dentro de dez minutos.
20h40 - a chamada nunca chegou, temo o pior. Telefono, e dizem-me para esperar mais um pouco. O ambiente do outro lado da linha é de quem está perante um computador moribundo.
22h10 - dizem-me que afinal não vai ser possível recuperar dados absolutamente nenhuns. 100% de perda. Mas se quiser posso ir buscar o computador ainda hoje. Sem a minha vida lá dentro, mas operacional. Fico em choque.
23h20 - ligo a perguntar a que horas posso ir buscar o Mac. Dizem-me para esperar mais um pouco: existe ainda a hipótese de safar qualquer coisinha. Já não sei o que pensar.
00h31 - recebo um telefonema a dizer que se está a conseguir safar qualquer coisa e que posso ir buscar o animal daí a uma hora, hora e meia.
02h17 - chego a casa com o Mac vazio e um disco exterior onde está tudo o que se conseguiu salvar. Começo a fazer a contabilidade dos estragos.
04h32 - chego à conclusão que se safou quase tudo. Tudo o que perdi foi, maioritariamente, trabalhos que tinha arquivados. Muito pouco do meu trabalho actual se perdeu, e volto a respirrar pela primeira vez naquela semana.
O que provocou o estrago? O Orlando Garcia - que a partir de agora entra para o panteão dos meus heróis por ter estado quase dez horas seguidas a tentar salvar os dados que podia, ficheiro a ficheiro, byte a byte - diz-me que a culpa foi toda minha. Seja Mac ou PC, só se podem gravar cerca de 2GB no desktop, e mesmo isso já é brincar com a sorte.
Eu tinha lá gravados 60GB.
O equivalente a ir a 500Km/h numa estrada cheia de óleo. Estampei-me.
Mas desta vez foi (quase) só chapa.
A partir de agora sou um backup-maniac. Para além dos 250GB que tenho no Mac, tenho agora mais 750 em discos exteriores. É demais para texto, pois é; é demais até para ficheiros do Photoshop. Mas para video, a memória nunca é demais.
Desta safei-me apenas com ferimentos ligeiros.

GRINDHOUSE de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez

Uma das cenas de SIN CITY foi realizada por Quentin Tarantino, que assim se estreou no uso do video de alta definição. Depois dessa primeira experiência, e de ter visto o brilhante resultado final, Tarantino não conseguiu recusar o desafio lançado por Robert Rodriguez: realizarem um filme a meias, em formato digital. E assim era plantada a semente de GRINDHOUSE, cujas filmagens começaram este mês.
GRINDHOUSE é, na realidade, não um, mas dois filmes distintos, cada um deles da exclusiva responsabildade de um dos realizadores. DEATH PROOF, de Quentin Tarantino, é um slasher-movie em que os assassinatos são perpetrados com uso de um carro em de vez de uma faca. O papel de duplo-psicopata-assassino está a cargo de Kurt Russell. Já PLANET TERROR, de Robert Rodriguez, conta a história de zombies vindos do espaço. Estes dois segmentos estarão separados por trailers de filmes que não existem - por enquanto, uma vez que Rodriguez já fala em sequelas de GRINDHOUSE. Os trailers conhecidos até agora são de COWGIRLS IN SWEDEN e de THEY CALLED HIM MACHETE.
A banda sonora foi composta por Robert Rodriguez e, ao que parece, é tão John Carpenter que o próprio John Carpenter ao ouvi-la pensará que foi ele que a compôs.
Os cartazes, junto com as primeiras imagens dos filmes, foram apresentados durante a Comic-Con. As moças são, respectivamente, Marley Shelton e Rose McGowan. Se os filmes tiverem metade da pinta destes cartazes, está ganho. E nos prometidos banhos de sangue vamos poder ver também Rosario Dawson, Josh Brolin, Naveen Andrews (o Sayid de LOST), e o próprio Quentin Tarantino, que encarnará um violador no segmento realizado por Rodriguez.
Estreia a 6 de Abril de 2007, e todo eu sou água na boca.


domingo, agosto 13, 2006

Mais facilmente judeus e muçulmanos acreditariam no Pai Natal ou no Menino Jesus do que no cessar-fogo.

Está marcado para as seis da manhã, mas hoje os ataques israelitas a Beirute foram os mais intensos desde o início da ofensiva israelita, apesar de todas as bombas terem caído sobre um bairro praticamente deserto (o praticamente aqui faz toda a diferença, uma vez que houve vítimas mortais, civis). A resposta do Hezbollah só se fez esperar duas horas, e foi então a vez de Haifa ser atacada. Vi há pouco na SIC imagens de israelitas a quem perguntaram se tinham fé neste cessar-fogo. Não tinham.
E para além de Kofi Annan, alguém tem?

Mick Jagger é deus e Keith Richards o diabo.


(cliquem na foto para ampliar)

No sentido em que Jagger é raposa velha, timoneiro da marca e da máquina de fazer dinheiro que são os Rolling Stones, e Keith Richards é mais visceral, autor da frase do concerto, I'm glad to be here, glad to be anywhere, glad to be back, muito rock 'n' roll, possível de ser dita apenas pelos que têm a sua idade e o seu percurso. E quantos são eles?

Mick Jagger tem uma energia impressionante para qualquer um, mais ainda para alguém da sua idade. Só vi algo parecido quando assisti ao concerto de Iggy Pop & The Stooges, no SBSR do ano passado. O rock tem destes milagres, mas são raros. E assistir ao vivo a milagres destes é um privilégio.

O enorme aparato que os Stones trouxeram ontem para o palco do Estádio do Dragão é muleta mais que suficiente para qualquer artista se poder encostar, e deixar que o espectáculo seja garantido pelas enormes torres de luz e som, o fogo de artifício e os fabulosos músicos de suporte. Mas os Rolling Stones não se encostaram - o espectáculo foram eles, sempre, do princípio ao fim. Rock, blues, e uma mensagem que continua ideológica, embora a ideologia seja agora a do entertenimento. E qual é o mal disso?

Toda a gente devia assistir a pelo menos um concerto dos Rolling Stones antes de morrer. E reparem que não disse antes de eles morrerem. Porque, pelo andar da carruagem, mesmo com quedas de coqueiros e motas d'água (Richards), e entradas em clínicas de reabilitação devido a problemas de alcoolismo (Ron Wood), estes quatro ainda vão andar por cá durante muito tempo.

Assim o queiram deus e o diabo.

sexta-feira, agosto 11, 2006

quinta-feira, agosto 10, 2006

Update,

à base de linkalhada, a este post.

E a seguir, vamos ter de embarcar nus?

Estreia hoje SUPER-HOMEM: O REGRESSO


Após uma reunião nas Produções Fictícias com a Patrícia Inocêncio da Media Planning, para iniciar a campanha promocional de SUPERMAN RETURNS em Portugal (que acabou por não acontecer), eu e o Nuno Duarte fomos convidados a estar presentes no visionamento do filme (mais uma vez muito e muito obrigado, Patrícia). Na altura falei-vos sobre este regresso do Homem de Aço, e aproveito hoje, data da estreia por cá, para largar mais uns bitaites.

O filme é excelente. As opções de Bryan Singer são, a meu ver, todas acertadas, com excepção talvez de uma, à qual dou o benefício da dúvida, uma vez que o pay-off só acontecerá na sequela. Não vos posso dizer exactamente do que se trata, pois seria um spoiler dos grandes; avanço apenas que está relacionado com a personagem do filho de Lois Lane. A opção de diminuir o tamanho do S que o Super tem no peito funciona muitíssimo bem no ecrã: como o Nuno Duarte reparou, quando aparecem planos médios de peito do Super-Homem, o S está dentro do enquadramento por inteiro, não aparece cortado como nos filmes anteriores. E continuo a ser adepto das cores mais escuras do fato, apesar de nos cartazes, e em algumas imagens de CGI, o azul estar um pouco mais claro, o que poderá indicar que Bryan Singer fez algumas cedências às opiniões/reclamações/exigências de muitos fãs, que se andavam (e andam) a queixar. As cores mais escuras do fato actual são, na verdade, muito semelhantes às do fato do Super-Homem mauzão e embriagado que se põe a atirar amendoins com super-força para lá do balcão de um bar, dando cabo da garrafeira, no lastimável SUPERMAN III.


Meia garrafa de Johnny Walker Red Label chegou para pôr o Super neste estado. É Super, é Super, mas no que toca à bebida é um menino.

Por falar em sequelas - SUPERMAN RETURNS é, assumidamente, uma sequela de SUPERMAN II (1980), filme com realização atribuída a Richard Lester, mas que também inclui muito material filmado por Richard Donner, uma vez que, segundo julgo saber, a ideia inicial era que tudo aquilo fosse só um filme (daí o aparecimento de Zod, Ursa e Non em Krypton, no início do primeiro filme, quando são condenados à Zona Fantasma). No entanto, o tom de SUPER-HOMEM: O REGRESSO é, sem sombra de dúvida, muito semelhante ao do primeiro, o de Richard Donner, de 1978. Não esperem portanto super-vilões getting physical, como o General Zod e sua pandilha, mas também não é preciso: o Lex Luthor de Kevin Spacey é mais que suficiente, uma prestação que comete a proeza de ofuscar a de Gene Hackman nos filmes anteriores. Pré-SPOILER (acabei de inventar a expressão - é um facto sobre o filme que não revela nada, mas indicía algo de importante que lhe está relacionado): a maneira como Lex Luthor obtém o dinheiro no início do filme é deliciosa.

Kate Bosworth como Lois Lane não me convence. No entanto, acho que teve mais a ver com o facto de, neste filme, a própria personagem não encaixar naquilo que normalmente associamos a ela, do que propriamente com a interpretação de Kate. Se nos filmes anteriores, em que Lois era interpretada por Margot Kidder, encontramos sempre uma repórter decidida e segura de si, neste regresso deparamo-nos com uma Lois Lane dividida, confusa, sem saber exactamente o que pensar, sentir, ou fazer. Ela até cumpre as ordens que lhe são dadas, coisa impensável na Lois a que estamos habituados. Que diabos - terá sido a maternidade que a amaciou?

A miúda do filme - apesar de aparecer muito pouco - é a namoradinha de Lex, Kitty Kowalski, interpretada por Parker Posey. Pré-SPOILER: um homem sabe sempre quando uma mulher está a mentir, quanto mais um Super-Homem (ai sim?).

A batata quente deste filme foi Brandon Routh. Contra ele ergueram-se muitas vozes, apesar de não se ter chegado ao nível de histeria que alcançou o movimento anti-Daniel Craig para novo James Bond (aproveito para reiterar - os que detestam Craig ainda são capazes de ter uma surpresa, é capaz de vir aí um dos melhores filmes de sempre do 007). E também aqui a opção de Bryan correu bastante bem: Routh convence como Super-Homem, e surpreende como Clark Kent. Quase que arrisco dizer que é um Clark tão bom quanto Christopher Reeve, e isso já é dizer muito. Está portanto encontrado o Homem de Aço do terceiro milénio.

É no lado humano explorado no óptimo argumento de Michael Dougherty e Dan Harris que o filme ganha, mais do que nos efeitos especiais e brilharetes de CGI. Se em 1978 interessava fazer acreditar que um homem era mesmo capaz de voar, em 2006 já toda a gente viu voos surpreendentes, desde o de Neo na trilogia MATRIX ao do calhambeque no segundo HARRY POTTER. Mas é claro que, vinte e tal anos depois, o desempenho do primeiro dos homens voadores não podia desiludir. E não desilude. Um tipo sai da sala de cinema com vontade de dar umas piruetas pela estratosfera, isso é garantido. Pré-SPOILER: quanto se trata de cenas em que o Super-Homem leva a Lois Lane a voar para um passeio, ainda nada bate o SUPERMAN de Richard Donner.
Aplausos de pé mais uma vez para Bryan Singer, por ter escolhido não voltar a contar pela milésima vez (em cinema seria a segunda) a origem do Super-Homem. Este filme não é apenas o regresso do Homem de Aço aos ecrãs de cinema - é o regresso do Super-Homem ao planeta Terra depois de uma ausência de cinco anos, em que o planeta e os seus habitante aprenderam a viver sem ele.

Claro que vou rever este SUPERMAN RETURNS no cinema, pelo menos mais uma vez. E talvez aí consiga tirar as teimas - ainda não consigo perceber qual considero a melhor passagem de um herói dos comics para o cinema, se este SUPER-HOMEM: O REGRESSO, se SPIDER-MAN 2 de Sam Raimi, ou BATMAN BEGINS de Christopher Nolan (pois, também gosto muito do Tim Burton, e dos seus BATMAN e BATMAN RETURNS, mas a abordagem de Nolan é muito mais interessante e tem muito mais a ver com o personagem). Talvez que em 2009, com a sequela deste regresso, se alcance o prodígio absoluto. Singer, que com este filme já ganhou a aposta, promete que sim.

Nota final - SUPER-HOMEM: O REGRESSO é um filme sem kryptonite. Sim, é um trocadilho fraquíssimo, mas eu tinha de o fazer.

Curiosidade - THE SCIENCE OF SUPERMAN, série documental no Discovery Channel, que repete no National Geographic. Brevemente por cá. Espero.

A seguir - De como estampei o meu iMac e consegui recuperar quase toda a informação.

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Update, 20:34 - Outros posts aqui do estaminé relacionados com Super-Homem: O Regresso, onde podem encontrar links gostosos, aqui, aqui e aqui.

sábado, agosto 05, 2006

Um dos melhores videoclips da História: KNIGHTS OF CYDONIA, dos MUSE

Talvez por ter gostado tanto de ORIGIN OF SYMMETRY, passou-me ao lado o terceiro longa-duração dos Muse, ABSOLUTION, depois de achar o single "Sing for Absolution" um pouco abaixo das expectativas. É o problema das primeiras impressões. Se calhar o álbum até é razoavelzito, mas acabou riscado da minha playlist. Já o mesmo não aconteceu com o mais recente BLACK HOLES & REVELATIONS. O tema escolhido para single na Europa, "Supermassive Black Hole", fez-me abanar o pé e, mais que isso, deixou-me com vontade de conhecer o álbum.

Mas foi o tema escolhido para single nos EUA, "Knights of Cydonia", que me fez acreditar, ainda antes de uma audição mais atenta, estarmos na presença de um dos trabalhos mais inspirados da banda inglesa. E, tendo em conta a tal importância das primeiras impressões, tenho de admitir que o videoclip realizado por Joseph Kahn contribuiu em muito para esta rendição imediata - é, na minha opinião, um dos melhores videoclips de sempre, e, sem dúvida, um dos mais hilariantes. Uma espécie de mash-up da mítica série KUNG FU (1972-75), protagonizada por David Carradine, com os comics de Jonah Hex editados entre 1985 e 1987, em que o cowboy é atirado para o século XXI (numa altura em que o séc. XXI ainda era sinónimo de armas de raios laser, robots e naves espaciais), um universo que Joss Whedon dificilmente desconheceria quando criou FIREFLY.
Joseph Kahn foi também responsável, entre outros trabalhos, pelo video "Toxic" da Britney Spears; mas não lhe levem isso a mal. Sejamos justos - o video é bem melhor que a musiqueta, e tem o mérito de ter mostrado a jovem Britney de uma forma que nunca antes tínhamos visto, e que, a julgar pela baixeza de forma que a moça apresenta actualmente, dificilmente voltaremos a ver (atenção que há Personal Trainers, pagos a peso de ouro, que fazem milagres). Falo obviamente das cenas em que Britney aparece nestes preparos:

Só por causa destas imagens, Kahn já merecia o nosso respeito, e o nosso obrigado. Com o video de "Knights of Cydonia", passa a merecer a nossa profunda admiração. Ora vejam lá se não é verdade.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Novidades do serviço de ciberurgências (e algumas considerações acerca da eterna batalha Mac vs. PC)

Parece que 20% da informação no meu iMac foi recuperada, e o processo, que se adivinha longo, continua. Provavelmente só depois do fim-de-semana é que a recuperação vai estar completa, e só então vou ter certezas e sossegar. À medida que o tempo passa, vou-me lembrando de mais e mais coisas que tenho lá guardadas e que não quero, não posso, perder. O segredo será talvez não pensar nisso, e esperar de forma zen até segunda-feira. O problema é que sou muito pouco zen e a vontade de desatar às cabeçadas na parede aumenta.

Entretanto, queria deixar-vos com um pormenor do fotoon SALVO ERRO que fiz para a edição d'O INIMIGO PÚBLICO de amanhã, o tal que tive de fazer duas vezes porque o iMac deu em pifar com ele lá dentro, mas o Blogger não está a fazer o upload de imagens. Talvez mais logo.

Em relação às polémicas Mac vs. PC - sou utilizador da Mac há mais de uma década, e deixem-me dizer-vos que não é por causa deste incidente que vou deixar de sê-lo. Já tive alguns PCs (aliás, este portátil de onde escrevo é um PC), e prefiro mil vezes o ambiente de trabalho que o MacOS proporciona. Mais: o número de vezes que me aconteceu um PC crashar durante um trabalho, com perda irreversível do que estava a fazer, é dez vezes ou mais superior ao número de vezes que isso me aconteceu com Macs. De facto, a única vez em que me lembro de isso ter acontecido com um Mac foi para aí em 97 ou 98, quando estava a escrever a segunda série do MAJOR ALVEGA e, de repente, o Mac onde estava a trabalhar desligou-se sem ai nem ui, fazendo-me perder o episódio, que já ia a mais de metade. De resto, não tenho queixas. O final de todos os PCs que tive foi sempre o mesmo: ataque de vírus, que inutilizaram o disco e me fizeram perder tudo o que lá tinha dentro (nada que tivesse grande importância).

Enquanto escrevo isto, chego à conclusão que ainda não fiz uma pergunta aos cibercirurgiões que estão neste momento de volta do meu iMac: o que é que provocou o pifamento do bicho?

Talvez porque antes de saber causas queira ter é a certeza que consigo safar tudo.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Aí está a versão beta do novo episódio d'O HORROR...


...ou seja, não é a montagem final tal como a desejávamos, mas devido a este problema vamos disponibilizá-la mesmo assim, com 25 segundos a mais do que tencionávamos. No futuro, este episódio será postado outra vez, já com a montagem refeita, e talvez uma cena extra - aquilo a que chamaremos H.i.EPiSÓDIO #06 REDUX. Podem fazer aqui a subscrição via iTunes, ou aceder ao feed aqui.

Entretanto, o meu iMac está entregue nas mãos de quem percebe do assunto, e parece haver a possibilidade de recuperar pelo menos parte da informação. Se fosse uma pessoa dir-se-ia que ficou internado de hoje para amanhã nos cuidados intensivos.
Diagnóstico reservado. Vamos ver.
A todos os que me deixaram comentários e enviaram mails - obrigado pela força e mantenham esses dedos cruzados.

terça-feira, agosto 01, 2006

O meu iMac pifou.

Agora estou a usar o portátil, onde por acaso escrevi a maior parte da série BOCAGE, e ao qual raramente volto quando estou a trabalhar em casa. Mas não tenho outro remédio, porque o meu iMac finou-se. Foi esta tarde, por volta das cinco, enquanto fazia algumas alterações na montagem do último episódio d'O HORROR iNOMINÁVEL. Durante a gravação do ficheiro, o sacrista deu em emperrar, forçou-me a deitar abaixo o sistema, e - puf!, foi a última vez que vi o meu G5 com vida. Parece ser um problema com o disco de arranque, mas só amanhã é que vou saber aquilo que realmente me interessa: conseguirei salvar toda a informação que está lá dentro? Claro que tenho backups, mas não de tudo. Faltam-me coisas importantíssimas, como a tradução para inglês da minha peça AZUL A CORES, em que estou a trabalhar faz algum tempo, o fotoon que tinha praticamente concluído para O INIMIGO PÚBLICO desta semana (estive até há meia hora a refazê-lo de raíz, e lá consegui terminá-lo a tempo), e os masters de alguns episódios do HORROR, nomeadamente este último, que é suposto ir on line amanhã. É suposto, e vai mesmo, dê por onde der - isto porque já tenho uma versão montada e alojada num servidor que, apesar de ter uns pequenos problemas de ritmo na montagem (foi enquanto gravava a versão já corrigida que se deu o aparente falecimento do iMac), pode muito bem ser disponibilizada amanhã, mantendo o ponto de honra de estrear um novo episódio na data anunciada. Depois, tenho imensos apontamentos soltos, esboços de peças, contos, ideias, montes de coisas desorganizadas, à espera que lhes pegue com mais atenção, material de que nem sequer me lembro, tudo espalhado pelos refegos de um disco rígido que, só amanhã, irei saber se tem safa. Por agora, é melhor nem pensar nisso. Dedos cruzados, os dos pés e tudo.

Falta 1 dia para o novo episódio d'O HORROR iNOMINÁVEL