terça-feira, fevereiro 28, 2006

LOST - 2ª série


Estreia hoje às 23h45 (mas então não ia passar em horário nobre?) Enquanto o episódio não chega, passem os olhos por estes links:
- Lost - site oficial da ABC;
- Oceanic Airlines - site fictício da companhia aérea do voo 815, que caíu na ilha. Se perderem algum tempo aqui vão poder encontrar informação sobre personagens e episódios futuros.
- Lost-Media.com - press-releases, fotos, links, tudo actualizado regularmente;
- Lost-TV - site não-oficial;
- E leiam este artigo da Entertainment Weekly, onde todos os mistérios da série são desvendados (NOT!)

(foto: Evangeline Lilly no papel de Kate Austin)

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Isto já não é o que era (2)

Fez um negócio com o filho: contava-lhe a verdadeira história por detrás das cegonhas e dos bebés, e em troca o miúdo explicava-lhe como se usa o Bluetooth.

Isto já não é o que era

Mais do que quando a viu dar o primeiro passo, ou dizer a primeira palavra, a mãe emocionou-se da primeira vez que falou com a filha por Messenger.

domingo, fevereiro 26, 2006

Lazy Sunday, Ricky Gervais, e os podcasts pagos


Lazy Sunday, a curta digital que confirmou Andy Samberg e Chris Parnell como os dois humoristas capazes de recuperar algum do prestígio que o Satuday Night Live teve no passado, já esteve disponível grátis para download. Foi lançado por altura do aparecimento do iPod Video, e tornou-se talvez no primeiro caso sério de popularidade entre os utilizadores da última 'cápsula' da Apple. Quando Lorne Michaels, produtor-executivo do SNL, decidiu cobrar pela curta, começaram os protestos. Amanhã, o podcast de Ricky Gervais, que consta do Guiness como sendo o mais descarregado de sempre, deixa também de ser grátis, passando cada um a custar cerca de 1,70 euros. A justificação é que Karl Pilkington, que se tornou o primeiro ícone da era podcast depois de fazer um comentário acerca de comer aquilo que em Portugal se chamam 'túbaros', está desempregado e precisa do pilim. Neste ponto estou com Liam Lynch que, no seu ultimo videocast, disse que não faz sentido cobrar por este novo meio, que ele chama de TV cabo acessível ao mundo. Cabe aos anunciantes apostar nos podcasts e começar a pagar pela utilização de espaço publicitário. Isto parece-me melhor modelo de negócio do que cobrar ao público por algo que, mais a mais, costumava ter de graça. Resta esperar pelo número de downloads de amanhã para tirar algumas conclusões. A malta do Lusocast também está alerta. Entretanto, fiquem com este “Lazy Sunday”, disponibilizado pelo You Tube. De graça. Agora, a NBC está a tentar processar o You Tube por fornecer alojamento a todos os que disponibilizam a curta de graça (saibam mais aqui), quando, não só na minha opinião, devia era agradecer pela divulgação sem a qual "Lazy Sunday" não teria o sucesso que teve.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Esta imagem não é a preto-e-branco


Foi hoje divulgada a primeira imagem promocional de Spider-Man 3, e não, esta foto não está a preto-e-branco, é mesmo assim, o fato do aranhiço é negro. Já se esperava, desde a notícia de que um dos vilões de serviço será Venom, interpretado por Topher Grace, como aliás já vos tinha falado aqui. O uniforme vivo e negro do Aranha, encontrado no universo criado pelo Beyonder para as primeiras Secret Wars, acabará por mudar a vida de Eddie Brock, e transformá-lo no Venom. De facto, se não fosse este uniforme negro, e os consequentes aparecimentos de Venom e Carnage, as “Secret Wars” dos anos 80 teriam, pelo menos na minha opinião, sido um total fracasso. Ah, também deram origem a uma colecção porreira de action-figures (tirando aquele pormenor dos escudos, que eu nunca percebi, porque nem sequer apareciam nas revistas, só nos pequenos livritos que acompanhavam os bonecos) com que eu brinquei enquanto vi o meu primeiro filme porno, naquela idade em que não me limitava a colocar na prateleira a bonecada que comprava, mas em que também já me sentia atraído pela visão de seios generosos.

Claro que, na versão cinematográfica, acredito que o aparecimento deste fato não tenha nada a ver com as "Secret Wars". Até porque não me parece possível que um evento daquela envergadura, que envolveu tantos personagens, possa ou valha sequer a pena ser tratado ou referido no filme, que estará quase de certeza mais próximo das histórias de Ultimate Spider-Man #33 a 36.

Quando virem a capa do Daily Bugle, reparem na pista adiantada em relação à origem de Venom: a notícia acerca da tempestade. Já aquilo da coroação do campeão de basket - primeiro, ainda pensei que poderia ter a ver com a entrada de Gwen Stacy na série de filmes, Gwen que, como toda a gente sabe, era (digo era porque, nos comics, a garota já morreu) disputada por Peter Parker e Flash Thompson. Flash era, nos comics, jogador de futebol americano, mas pus a hipótese de que, no filme, fosse o tal campeão de basket. Depois percebi que estava a arriscar demais: não só Flash Thompson nem sequer vem referido na lista do IMDb, como ainda por cima, e a crer nos pequenos detalhes sobre o filme que têm vindo a público, o único triângulo amoroso deste filme é entre Parker, Mary Jane Watson, e Gwen Stacy. Por isso, não vejo com que acontecimento do universo das revistas do Aranha é que aquela notícia se pode relacionar, mas de certeza que não está ali por acaso. Vamos ver. Estreia em 2007.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Aniversário: Doug Moench


De tudo o que conheço escrito por Doug Moench, aquilo de que mais gosto são as histórias de Shang Chi, herdeiro de um império do crime organizado que se revolta contra o pai, Fu Manchu. O filme "The Hands of Shang Chi", com argumento de Bruce McKenna, realizado por Yuen Woo-Ping, e produzido por Ang Lee, é suposto estrear este ano. Saibam mais aqui.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

AZUL A CORES - ESTREIA HOJE -22H00 - SALA ESTÚDIO DO TEATRO DA TRINDADE


Sabes aquilo que se diz, a cara-metade? A minha cara-metade? E se a pessoa que nos completa é mais do que a nossa metade? Se sem ela somos um terço, ou um quarto, ou menos? E se a nossa cara-metade for bastante mais que a nossa metade? Se for demais para nós? E se em vez de nos acrescentar, ela nos tira?
in Azul a cores

O amor (e refiro-me ao amor entre um homem e uma mulher, ou mesmo entre dois homens ou entre duas mulheres) é foleiro enquanto conceito, e, na maior parte das vezes, também o é na forma. Fale-se do início de uma relação, do durante, ou do fim, existe uma espécie de nobreza (chamo-lhe assim à falta de melhor termo) que condiciona o tratamento dado à pessoa que amamos, ou que já amámos. Não falo daquilo que foge da norma (se é que foge), da violência doméstica, de mulheres fisicamente maltratadas, ou homens (que os há); falo de agressão verbal, psicológica, afectiva. Existem regras de relacionamento que, na maior parte das vezes, exigem uma absoluta falta de sinceridade da nossa parte, quer nas palavras, quer nos actos, mas tudo se justifica com o tacto, a sensibilidade, o respeito. Mesmo quando as relações acabam e se parte a louça toda, já não interessa, porque se chegou ao fim. O terreno pantanoso está naquelas relações que se mantém, apesar de, na realidade, já terem acabado há muito tempo. Aquela zona já para lá da lenta deterioração do relacionamento entre duas pessoas, quando se possui a intimidade mas não a vontade de agradar o outro com esse conhecimento profundo que se tem dele; quando se utilliza a intimidade para magoar, porque é a única coisa que mantém a relação.

O meu ponto de partida para a escrita desta peça foi imaginar uma relação assim, (pós-)amorosa, despida de toda a sua nobreza, de todas as condicionantes que evitam, na maior parte das vezes, que se vá longe demais nas ofensas, nas palavras brutais e agressivas, só possíveis porque se tem um conhecimento profundo daquilo que é realmente capaz de magoar a outra pessoa. Dizem-se palavras que sabemos irem castigar aquela pessoa que conhecemos como ninguém, o respeito e a consideração já não impedem nada; e a outra pessoa também não vai virar costas e desaparecer da nossa vida por achar que dizer o que dissemos foi ir longe demais, porque também ela está viciada nesse processo de agressão sistemática e obsessiva. Como escrevi a certa altura na peça, “Deus deu-nos um dom, que é o dom de magoar aqueles que nos são próximos. Deus deu-nos esse dom porque sabe que aqueles que nos são próximos acabam sempre por desiludir-nos, e nessa altura temos de castigá-los.”

Azul a cores nasceu como uma pequena peça de vinte minutos que escrevi em 2004 para as Urgências. No final ficou a vontade de ampliar esses vinte minutos e tornar “Azul a cores” numa peça maior, autónoma, de cujo processo de escrita e ensaios tentarei falar-vos aqui. Tenho a sorte de estar a trabalhar com dois actores da envergadura de um Tiago Rodrigues, que é também, junto com a Magda Bizarro, produtor do espectáculo, e da Margarida Cardeal, que faz esta noite, às 22h00, o milagre de estrear na Sala Estúdio do Teatro da Trindade apenas uma semana depois de ter o primeiro contacto com o meu texto.

Para mais informações acerca do espectáculo e para adquirir bilhetes (esta é a parte mais importante), visitem o site do Teatro da Trindade. Podem ver o spot promocional da peça aqui, mas atenção – se acederem via PC é possível que apenas ouçam o som e não vejam a imagem. Já tenho, entretanto, uma versão do spot para Windows Media Player que irei disponibilizar, em princípio, amanhã.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

A propósito da polémica dos cartoons dinamarqueses...


...aqui fica o meu fotoon 'Salvo erro' que foi publicado n'"O Inimigo Público" de sexta-feira, para quem não viu.

(cliquem na imagem para vê-lo no formato em que foi publicado no IP)

sábado, fevereiro 18, 2006

Ainda sobre os Stones...


...depois da bronca do 'ai-que-ela-tem-o-mamilo-à-mostra' protagonizada por Janet Jackson, os Rolling Stones actuaram na final do Super Bowl e algumas das letras das suas canções foram alvo de censura (leiam mais aqui). No concerto agendado para o Porto não se esperam censuras, a não ser que Mick Jagger se lembre de cantar as palavras "apito", "dourado", ou "Super-Dragões, olé".

Stones no Estádio do Dragão, 12 de Agosto - eu vou!


(foto: os Stones com menos 1000 anos, e ainda com Brian Jones)

Já agora, aproveito para desejar um camadão de hemorróidas ao fdp que cerca de 1988 me surripiou da mochila o vinil do Undercover.

E agora para algo completamente diferente

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Bocage, ep.6 - hoje às 22h20, RTP 1 (e algumas notas sobre o ep.5)

O quinto episódio deu-nos o chamado quentinho no estomâgo. As intrigas relativas a personagens secundários como a Nise, José David e Maria Francisca começaram a ganhar forma, e o cadete André da Ponte (Dinarte Branco) entrou pela primeira vez na série. Só chorei duas vezes a ver cinema ou televisão. Uma foi quando, no "Homem Aranha" de Sam Raimi, o aranhiço se desvia de umas asas de morcego explosivas atiradas pelo Duende Verde. A outra foi neste quinto episódio, quando Bocage vira costas perante a visão da sua amada Maria Gertrudes. O Mário disse-me que não verteu lágrima, mas eu sei que, no fundo, bem lá no fundo, ele teve de passar com um Kleenex pelo vaso lacrimal do seu coração (esta imagem tem tanto de bonita como de doentia). Foi revelada neste episódio a verdadeira razão da partida do poeta para a Índia: Gil Francisco, seu irmão, casara com Maria Gertrudes, a quem Bocage chama a certa altura de luz da minha vida ("E quantas luzes da tua vida é que tiveste nesse ano? Nesse mês? Nessa semana? Se a Gertrudes escolheu ficar comigo, só podes culpar a ti próprio.", responde-lhe Gil Francisco). A cena do reencontro entre o poeta e Gertrudes, que se fica pela troca rápida de olhares antes de Bocage virar costas e afastar-se, ficou completa com a narração deste soneto saído da pena do vate sadino, em off:

Temo que a minha ausência e desventura
Vão na tua alma, docemente acesa,
Apoucando os excessos da firmeza,
Rebatendo os assaltos da ternura:

Temo que a tua singular candura
Leve o Tempo fuga nas asas presa,
Que é quase sempre o vício da beleza
Gênio mudável, condição perjura:

Temo; e se o fado mau, fado inimigo,
Confirmar impiamente este receio,
Espectro perseguidor, que estás comigo,

Com rosto, alguma vez de mágoa cheio,
Recorda-te de mim, dize contigo:
"Era fiel, amava-me, e deixei-o"

O episódio 6, "Mundo às Avessas", começa daqui a pouco, às 22h20, na RTP 1.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

O segundo HORROR


Já está disponível o segundo episódio d'O HORROR iNOMINÁVEL! Quem ainda não subscreveu pode clicar aqui, ou aceder ao feed aqui.

domingo, fevereiro 12, 2006

Fato domingueiro


Charlize Theron como Aeon Flux.

Estreia 16 de Fevereiro.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Bruce Banner vs The Incredible Hulk on Intelligent Design


por Mike Powers, na Slippy Magazine:

A very divisive and controversial issue of the past year has been the debate over intelligent design. Should it be taught in public schools as science? To discuss the issue today, the Slippy Magazine Academy of Science is holding a discussion on the issue. Our panel members are acclaimed nuclear physicist Bruce Banner, and his alter ego, the Incredible Hulk. Mr. Banner, you have the floor.

Bruce: Thank you. Today we find ourselves in what some have dubbed a "culture war" which has manifested itself in the debate over intelligent design quite prominently. On one side stands the religious community which wants to impose a theory that has absolutely no basis in reality into the public school system. On the other side stand the academics who feel that if something can’t be proven through science…

Hulk: Science bad!

Bruce: … Well, Hulk, the whole issue we’re dealing with here is, in fact, one of science. Intelligent design is a theory that’s based on someone’s belief in a deity that nobody can prove exists. To say that God…

Hulk: God good!

(leiam na íntegra aqui)

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Aniversários

Hoje: Frank Frazetta.




Ontem: John Williams.

Bocage, episódios 3 e 4: as cenas cortadas

Um dos maiores terrores de um argumentista é ter cenas cortadas, total ou parcialmente, do seu guião. Estes cortes, feitos durante ou após as gravações, acabam sempre, pelo menos do ponto de vista de quem escreve, por prejudicar a narrativa. A lógica de “tudo o que está escrito, faz falta para a série” quer dizer isso mesmo. Se uma ou mais cenas, ou partes de cenas, se perdem, quer durante as gravações da série, por contingências de tempo ou de produção, quer na montagem, porque o episódio tem de ser encurtado para caber nos cinquenta minutos regulamentares, a história acaba prejudicada. Cortar uma cena de um episódio significa voltar a escrever e/ou reposicionar todas as outras cenas que tratam intrigas relacionadas com a cena que é cortada. Durante a montagem, a mudança de alinhamento ainda é possível, mas a rescrita já não. Em última análise, este tipo de corte é tão mais grave quanto mais importante for a intriga tratada na cena cortada. Se estivermos a falar de um ‘plot’ secundário, os danos são menores; mas quando as cenas cortadas são o lançamento de uma ou mais intrigas principais, então o episódio (e, por vezes, a série) perde algum sentido, ritmo, e tensão.

Na sexta-feira, 28 de Janeiro, durante a exibição do terceiro episódio do Bocage, eu e o Mário Botequilha vimos que algumas cenas – entre elas uma, a nosso ver, imprescindível para o lançamento da intriga da falsa santa – haviam sido cortadas. Tivemos por isso de nos embriagar fortemente.

Para esta intriga, baseámo-nos numa história que, segundo “O Perfil Perdido” de Adelto Gonçalves, corria nos tempos de Bocage como exemplo das trapaças de que os padres eram capazes. Agostinho Macedo utilizaria o mesmo estratagema para arranjar dinheiro com que pudesse pagar a Bocage o que devia, e, ao mesmo tempo, ganhar os favores da Igreja e ser readmitido na Ordem dos Gracianos. Antes do aparecimento, pela primeira vez no episódio, de Ana de Jesus Maria, a jovem que, acabada de chegar dos Açores, é usada pelo padre-lagosta na encenação de um milagre, existia uma cena no nosso guião em que Agostinho falava a Bocage dos seus planos. Era passada no quarto de Pichelim (o negro do Botequim das Parras, no quarto de quem Bocage pernoitava):

------------------------

CENA 8: INT/DIA – QUARTO DE PICHELIM

Bocage escreve. O chão está cheio de folhas rasgadas. Continua com a mesma energia mas desta vez o entusiasmo deu lugar ao desespero. Bocage não gosta de nada do que escreve e impacienta-se. De repente, num assomo, pega nas folhas, abre a janela…


Bocage
Água vai!

… e atira as folhas. Apanha todas as que caíram ao chão e atira-as também para a rua, até não sobrar um único pedaço de papel no quarto.

Transeunte
(em off, da rua; irritado)
Mas o que é isto?

Bocage
(debruçando-se à janela)
É bom para limpar o cu!

Fecha a janela, furioso. Senta-se no chão a um canto.

Bocage
(como se rezasse)
Musas, minhas musas… Porque me abandonaram? Que fiz eu para que me negassem a fúria?...

Batem à porta. Bocage vai abrir, quase a medo, depois desta ladainha. É Agostinho Macedo.

Bocage
(sem o deixar entrar)
Trazes o meu dinheiro?

Agostinho
Gastei-o.

Bocage
E di-lo assim, minha besta?! Pertencia-me!

Agostinho
Mas estava no meu bolso!

Bocage vai para lhe fechar a porta mas Agostinho faz valer a sua envergadura e força a entrada.

Agostinho
Fui expulso do clero! Acreditas?

Bocage
(sarcástico)
Ohhh… É quase um cisma… Esta noite o Papa não prega olho... O que será do catolicismo sem o beberrão, corsário, ateu e sifilítico Agostinho Macedo, mais conhecido nas casas de putas como Padre Lagosta!? Depois daquilo tudo, que esperavas?

Agostinho
Mas aquilo o quê?! Estás a mangar comigo? Mas aquilo o quê?!

Bocage encolhe os ombros e nem lhe responde para desespero de Agostinho. Bocage aponta-lhe a porta.

Bocage
Se não trazes o meu dinheiro, meia volta.

Agostinho
(acalmando-se)
A única maneira de o reaveres é se eu recuperar os meus privilégios. E, da maneira como eu vejo isto, só vou lá com um milagre.

Bocage
Ou dois!

Agostinho
O milagre da beata de Évora!

Bocage abana a cabeça, desconsolado.

Bocage
Pois claro… Só precisas de encontrar uma santinha e estás aviado. Ensandeceste de vez!

Bocage sai, deixando Agostinho sozinho.

------------------------

Sem esta cena, sentimos que o aparecimento de Ana de Jesus Maria no episódio foi súbito demais. A nossa intenção era que a ideia fosse passada de forma mais gradual, começando pela cena acima transcrita; depois aquela em que o intendente Pina Manique fala com o Duque de Lafões sobre a vinda de 100 famílias dos Açores para Lisboa, às quais a Coroa iria dar terras em Setúbal, Évora, Beja e Portalegre; e, finalmente pela cena em que Agostinho apresenta Ana de Jesus Maria, recém-chegada dos Açores, a Bocage.

Outra cena cortada tem a ver com a prisão de Bocage. No guião, depois da polícia, chamada por Cecília, chegar a casa dos Bersane, o poeta é apanhado e levado para a intendência. Em consequência dessa prisão, Bocage tem um diálogo com o tenente José David em que se desvenda mais um pouco acerca da relação entre os dois, e da aparente fixação que o tenente tem por Maria Francisca, a irmã de Bocage (lembram-se, de que já no segundo episódio, José David reconhece Bocage e imediatamente se lembra e refere o nome da irmã do poeta?).

------------------------

CENA 12: INT/DIA - GABINETE DE PINA MANIQUE

Bocage é levado pelos dois polícias que o prenderam à presença de José David. David aponta uma cadeira; os guardas sentam-no e saem. José David anda pelo gabinete como se fosse seu, o que Bocage regista, mas não diz nada. Por momentos parece que se vai sentar na cadeira do Intendente mas não ousa; fica em pé, encostado à secretária, sério.

Bocage
Este não é o gabinete do Intendente Pina Manique?

José David
(acena que sim)
Dizem-me que assaltaste uma quinta nos Olivais.

Bocage
Ora… Balelas. Visitava uma senhora minha amiga.

José David
Não me custa acreditar nisso.

Bocage
(brinca, para quebrar o gelo)
Tomas conta das instalações enquanto ele janta?

José David
Nunca percebes quando deves estar calado, pois não?

Bocage sente-se atemorizado.

José David
Sabes que se eu não te tivesse mandado trazer, a esta hora já estavas no Limoeiro com três ou quatro dentes partidos?

Bocage
(sincero)
Agradeço-te, José David. Obrigado… Tenente.

José David
Manuel Maria… Ouve o que te digo: vives paredes-meias com a perdição. Portugal, Espanha e a Inglaterra preparam uma aliança contra a Convenção Nacional Francesa e Lisboa está cheia de maçons e espiões. Se te continuares a dar com estrangeirados republicanos e jacobinos, é meio caminho andado para o degredo. Ou para o cadafalso.

Bocage
(dizendo o que ele quer ouvir)
José David, agradeço-te as tuas palavras avisadas. Procurarei emendar-me.

José David
A partir de agora, tens a sorte nas tuas mãos. E nas mãos de Deus.

Bocage
Então não tenho que temer. Posso ir?

José David
Podes.

Bocage levanta-se e dirige-se à porta. José David, com nítida dificuldade em lançar o assunto, ainda lhe diz:

José David
Olha… Diz-me… Onde pára a tua irmã Maria Francisca?

Bocage
Não sei. Infelizmente, não a vejo há uns bons anos.

José David
“Infelizmente…” Nem sequer procuraste a tua família desde que vieste da Índia. Se souberes dela, diz-me.

------------------------

Esta cena servia para introduzir elementos de um ‘plot’ de continuidade que se irá desenvolver nos próximos episódios (a questão da família de Bocage ocupa grande parte do quinto). Quem viu o quarto episódio talvez se recorde de que, no fim, depois da ascensão do balão de Lunardi, José David revela a Bocage que a sua irmã é a nova dama-de-companhia da Condessa. Como José David descobriu isso é coisa que também não chega a ser explicada, por causa de outra cena cortada, no episódio 4. Mas sobre isto falarei mais à frente.

Ainda sobre o episódio 3: se houve intriga cuja resolução não passou para o público, foi a relacionada com a falta de inspiração do poeta. A nossa ideia era que, numa altura em que Bocage precisava do seu talento mais do que alguma vez precisara (durante a ‘Guerra dos Vates’), as musas o abandonassem. A cena em que Bocage vai ao quarto de Nise, interrompendo o serviço que ela está a prestar a um cliente, queixando-se de falta de inspiração, mais a cena em que não consegue encantar a Condessa de Oyenhausen com as suas improvisações, procuravam criar tensão à volta de um problema que, até ao fim do episódio, teria de ser resolvido. A resolução passava pelo negro Pichelim, e a ideia surgiu a partir destes versos, que Bocage recita na cena 14 deste episódio:

Na Tasca da Ribeira Nova, botequim inculto
Mora o preto castiço, de quem falo;
Cujo nervo é de tal sorte, e tal vulto,
Que excede o longo espeto de um cavalo:
Sem querer nos calções estar oculto,
Quando se entesa o túmido badalo,
Ora arranca os botões com fúria rija,
Ora arromba as paredes quando mija.

Na primeira versão do argumento, Bocage, por esta altura da sua vida, morava nas traseiras do botica do Azevedo, propriedade de Frei Francisco de Aguiar. Por uma questão de economia de cenários, o Fernando Vendrell propôs que, em vez disso, o poeta estivesse a dividir o quarto com Pichelim, o negro do botequim das Parras. Durante o desenvolvimento do guião, andávamos à procura da solução para o bloqueio de Bocage. A musa não poderia ser a Condessa, não poderia ser Nise, então quem?

Uma noite telefona-me o Mário Botequilha. A fixação de Bocage pelo nervo de tal sorte, e tal vulto, do preto castiço podia ser a solução. O perfil boémio e libertino podia deixar supôr que Bocage já tinha, digamos, experimentado de tudo, e é preciso não esquecer que estávamos em 1793 – naquela altura, o mundo inteiro tinha o seu quê de Chiado e Príncipe Real (esta comparação pode não ser muito bem recebida pela maior parte dos historiadores, mas a verdade é que muitos já disseram, à sua maneira, exactamente o mesmo). Ora, a partir do momento em que Bocage dividia o quarto com Pichelim, tudo podia acontecer. O que o Mário dizia era que o preto castiço fosse, de forma subtil, sugerido na série como a solução para a falta de inspiração do poeta. O Pichelim seria a musa de Bocage.

Polémica ou não, a intriga já tinha um desfecho. Durante o episódio, sempre que Pichelim e o Bocage se cruzassem, a narrativa deveria preparar ou mesmo sugerir esse desfecho. Lembrem-se por exemplo desta cena, que não foi cortada (e da qual transcrevo apenas o que interessa para o ponto que pretendo ilustrar):

------------------------

CENA 14: INT/NOITE – TASCA DA RIBEIRA NOVA

Bocage entra, vindo da rua, ainda a abanar a cabeça com o plano de Macedo. Vai direito ao balcão e agarra numa garrafa ali esquecida. Pichelim, rápido, não o deixa levá-la.

Bocage
Lá estás tu armado em sentinela. Larga, Pichelim!

Pichelim
Trazes dinheiro?

Bocage
Um amigo de tantos anos desta casa não merece fiado?

Toineta vem ver o que se passa.

Pichelim
Entende-te com a patroa.

Bocage
A mão do teu Pichelim parece uma tenaz!

Toineta
E o mangalho é como um aríete.

Bocage
Pronto… Já faltava a velha história de que os pretos têm todos um marsapo cavalar.

Toineta
Os pretos todos não sei, mas o do Pichelim faz inveja a muito burro. Tem muitas “clientas”. E clientes...

------------------------

Na cena em que Bocage e Pichelim jogam pelo direito de dormir na cama, era suposto que ambos acabassem deitados de costas um para o outro, mas de olhos abertos. Um momento de desconforto, ou de antecipação, apenas sugerida. No primeiro ‘draft’ do guião havia uma cena em que Bocage e Pichelim se encontravam, na manhã seguinte, e em que uma troca de olhares insinuava que algo se havia passado durante a noite. Tudo muito subtil, para que nunca se chegasse realmente a perceber se alguma coisa tinha, de facto, acontecido. Mas pensámos que aquele momento de desconforto, com Bocage e Pichelim na mesma cama, fossem suficientes, e acabámos por retirar a cena da manhã seguinte. Aconteceu que, no episódio, esse momento foi substituído pelo ‘gag’ de Bocage a levar a mão ao rabo, como que para se proteger de um eventual avanço de Pichelim. O resultado foi que nem a sugestão ficou explícita, e a maneira como Bocage acabou por recuperar a sua inspiração acabou por ficar ainda menos evidente do que pretendíamos. Isto poupou algumas pessoas de verem feridas as suas susceptibilidades. O que é pena.

Em relação ao episódio 4, exibido na semana passada, houve um pormenor que foi cortado, e que acabou, a nosso ver, por tirar tensão à história. Quem viu talvez recorde que Bocage, ao mesmo tempo que acede ao pedido de António Bersane de convencer a filha a deixar-se de namoricos com Baltasar Teófilo, concorda também em ajudar o mesmo Baltasar a conquistar as graças de António, uma vez que o rapaz quer casar com a filha deste, Maria Vicência Bersane. Motivo deste jogo duplo: Baltasar tem em seu poder os manuscritos que Bocage ia vender ao livreiro Diogo Borel; sem aquelas epístolas, Bocage não tem dinheiro, e Baltasar só os devolverá a Bocage se este concordar em ajudá-lo. Talvez se lembrem também deste diálogo:

------------------------

CENA 3: EXT/DIA – LIVRARIA DA VIÚVA BERTRAND

O livreiro Diogo Borel está a começar a fechar a livraria. Conversa com Bocage, que está cheio de dores na mão onde o polícia lhe bateu.

Bocage
Será que o apanharam?

Diogo Borel
Para teu próprio bem, Bocage, espero que não. As tuas rimas rendem mais aqui à venda do que em cima da secretária do Intendente.

Bocage
A propósito, amigo Diogo, queria saber se há hipótese de me pagar já parte do que acordámos.

Diogo Borel
Encontra-me as epístolas e encontrarás dinheiro meu na palma da tua mão.

Bocage
(declama)
Teu espírito insano, ah que procura
Pela estrada do Olimpo Alcantilado?
Não temes, despenhando-te dos ares
Qual Ícaro infeliz dar nome aos mares
(aponta para a cabeça)
Vê? Enfim, não estou muito contente com o final… Mas tenho as rimas na cabeça, é só passá-las outra vez para o papel.

Diogo Borel
(dá algumas moedas a Bocage)
Então vai a correr passá-las antes que um copo de genebra a mais t’as apague da memória.

Bocage
(mostra a mão inchada)
Dê-me pelo menos dois dias, que eu de mão esquerda não me sei fazer à pena.

Bocage afasta-se. Borel ainda lhe grita umas últimas palavras de aviso:

Diogo Borel
Bom, mas cuidado com a genebra, hã? Olha a memória! Só um copito ou dois!

------------------------

Ora, se Bocage sabe de cor os poemas, e tem tanta urgência em vendê-los a Borel para que este lhe pague, é lícito argumentar que o poeta podia perfeitamente sentar-se e voltar a escrevê-los. No guião, tal como o escrevemos, isso era explicado porque, no início do episódio, em consequência do encontro com Baltasar Teófilo, um polícia confunde Bocage com um cúmplice de Baltasar e bate-lhe com o bastão, deixando o poeta com a mão aleijada. Esta era a cena inicial tal como a tínhamos escrito:

------------------------

CENA 1: EXT/DIA – RUA / JUNTO À TASCA DA RIBEIRA NOVA

Dia 1.
Legenda: “Lisboa, 1794.”
Bocage caminha com uma capa cheia de epístolas debaixo do braço. Está feito um maltrapilho – basta um olhar para se perceber que atravessa dificuldades económicas.
Vê Nise a sair da tasca da Ribeira Nova; vai para chamá-la, mas cala-se quando repara que a moça vai acompanhada de um “mosca” do Intendente. Nise não parece contrariada em segui-lo e, por isso, Bocage não intervém; antes assume um ar desconfiado e mal-humorado. Nise nunca o vê.
No sentido oposto ao de Bocage vem um jovem loiro, bem parecido e altivo (que se saberá mais tarde chamar-se Baltasar Teófilo). Traz vários livros de capa encarnada debaixo do braço. Tem uma expressão de insegurança e nervosismo no rosto. Bocage, de olhos postos em Nise, esbarra com o rapaz; ambos deixam cair o que traziam nas mãos.
Baltasar baixa-se imediatamente para apanhar do chão os seus livros e as epístolas de Bocage. Está com um ar ainda mais nervoso e olha para um lado e para o outro.

Bocage
Olha onde pões os pés, bispote!

Baltasar
(indignado)
Ai ainda por cima!? É preciso descaramen...

Baltasar interrompe a frase quando vê, pelo canto do olho, dois Polícias que se aproximam. Assim que vêem Baltasar, os Polícias reconhecem-no e começam a correr atrás dele. Baltasar foge com os dois Polícias no seu encalço. Quando passam por Bocage, um dos polícias levanta o bastão para lhe dar com ele.

Polícia
Sai da frente!

Bocage desvia-se, mas não o suficiente, e ainda leva com o bastão na mão direita. Os Polícias correm rua acima, atrás de Baltasar.
Bocage agarra a mão dorida. É então que olha para os livros que tem nas mãos e repara que não são as suas epístolas, mas um dos livros que Baltasar trazia.
Ainda olha para a rua por onde Baltasar fugiu, mas já nem tenta correr atrás. Atenta no livro que tem nas mãos: a capa é encarnada, mas sem nenhum nome ou título. Bocage abre-o e vê, na primeira página: “O Espírito das Leis” de Montesquieu.

------------------------

Para além de acrescentar urgência à necessidade que Bocage, mais tarde no episódio, tem de fazer (ou fingir que ajuda) Baltasar a conquistar as graças daquele que pretende para seu sogro, este pormenor da mão ferida permitia momentos como aquele em que a pequena Ana Perpétua tinha de cortar o bifinho ao poeta. Corte que acabou cortado.

A tentativa de prisão (no fundo apenas uma manobra de intimidação) do embaixador francês, Derbault, referenciada no episódio tal como foi exibido, acabou também por ser cortada:

------------------------

CENA 25: EXT/MANHÃ – RUA

À distância, o intendente observa José David aproximar¬ se, seguido por uma guarnição, do embaixador Derbault. Derbault está, junto com a sua comitiva, ao lado da carruagem da Condessa de Oyenhausen. Junto a Derbault estão também a Condessa e Maria Francisca.

Intendente
(observa; fala de si para si, mas como se falasse com José David)
Quero que o trate com respeito, mas seja firme.

José David
(vénia)
Senhora condessa, muito bom dia. Senhor embaixador, à luz do tratado de auxílio mútuo das Coroas Portuguesa, Espanhola e Inglesa, venho pedir que me mostre as suas credenciais.

Calmamente, o embaixador faz sinal a um dos seus acompanhantes, que entrega as credenciais a José David. José David cruza o seu olhar com o de Maria Francisca: reconhecem-se, Maria Francisca baixa o rosto.

Intendente
(observa à distância, fala de si para si)
Veja atentamente as credenciais. Não acredito que haja alguma irregularidade. Peça desculpa pelo incómodo, e retire¬ se.

José David
(devolve as credenciais ao embaixador)
Peço desculpa pelo incómodo. Tenham um bom dia.
(faz uma pequena vénia à Condessa)
Senhor embaixador... senhora condessa.

José David vira costas e vai para se retirar, quando a Condessa o chama.

Condessa
Nosso tenente. Voltei de Almeirim e encontrei Lisboa ocupada por loucos e libertinos, não me sinto segura. Esse é o seu dever, certo? Manter a ordem e a seguarança.

José David
Terei todo o gosto em providenciar-lhe uma escolta até ao palácio, senhora condessa.

Condessa
É muita gentileza da sua parte.

Enquanto se dirige para a sua carruagem, o rosto de José David fica carrancudo: está nitidamente irritado com aquela situação, mas mantém a compostura.

Intendente
(observa à distância, fala de si para si)
Acima de tudo, nunca se esqueça, José David: a paciência é uma virtude.

------------------------

Esta cena, para além de marcar bem a influência de Pina Manique sobre José David e a sua determinação em ‘educá-lo’, era também o reencontro de José David com Maria Francisca. Era por causa desta cena que, no fim do episódio, o jovem capitão sabia que a irmã de Bocage era a nova dama-de-companhia da Condessa de Oyenhausen.

Outra coisa que saltou fora do episódio 4 foi o gato. Se bem se lembram, há uma cena em que Baltasar Teófilo conta que o capitão italiano, Lunardi, numa ascensão anterior, à falta de lastro tinha sacrificado um gato para que o balão subisse. No nosso guião, no estaleiro onde Lunardi construía o seu balão havia também um gato, com quem Agostinho, o padre-lagosta, mantinha uma relação difícil. Ele não gostava do gato, e o gato não gostava dele. Na cena final, em que o balão de Lunardi começava a perder altitude, Lunardi atirava o gato borda fora, como, reza a História, tinha feito em Inglaterra. Só que na nossa cena, o gato caía em cheio na cabeça de Agostinho. Para evitar problemas com a Sociedade Protectora dos Animais, o gato foi substituído por um vulgar saco de lastro, mesmo depois de eu ter oferecido o meu gato para ser atirado, fosse de que altura fosse, de preferência de cabeça.

Esta semana é exibido o quinto episódio, onde o tom da série começa a enegrecer. É a primeira aparição do cadete André da Ponte, interpretado pelo Dinarte Branco. Este personagem e Bocage têm cenas muito fortes entre eles, por isso a coisa promete. Ainda não vimos os episódios que se seguem, pelo que estamos bastante curiosos. É amanhã, sexta-feira, salvo erro às 23h00.

(as imagens deste post são, todas elas, referentes ao episódio 1)

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Isto é cá de uma tristeza que eu nem sei.


Daqui a pouco, no Pavilhão Atlântico. E eu em casa.
Podia ser pior, podia estar a trabalhar numa embaixada
dinamarquesa algures.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

domingo, fevereiro 05, 2006

Fato domingueiro


Barbie bombista suicida, via theculture.

Fato domingueiro



Dr. Strange
e Clea, por Frank Brunner.

A lei do mais forte*

*Texto de Vasco Pulido Valente no Público de hoje, reproduzido n'O Espectro:

O primeiro-ministro Sócrates declarou que "o uso gratuito e irrestrito" da liberdade de imprensa pode conduzir "à lei do mais forte". Nas "sociedades democráticas, segundo Sócrates, a imprensa deve ser "responsável" e "respeitar a dignidade" do próximo. D. António Marta, bispo de Viseu, concorda: nada de "extremos"! E até D. Januário, mimo episcopal da esquerda, vai avisando que "há limites". Tudo isto, como se calcula a propósito dos cartoons dinamarqueses, que para D. António, "acenderam um rastilho difícil de controlar". Que dizer disto? Em primeiro lugar, que a linguagem hipócrita da Ditadura volta sempre à superfície com assombrosa facilidade. Salazar teria aprovado fervorosamente Sócrates, D. Januário e D. António. Passou a vida a pregar o mesmo. Só insistia na censura, e com muita pena, jurava ele, precisamente para evitar "o uso gratuito e irrestrito" da imprensa, garantir a "responsabilidade", estabelecer "limites", proibir "extremos" que "acendessem rastilhos". Afinal, o homem tinha razão. Não se devem deixar à solta os jornalistas. Existem "valores" com que não se brinca e que a autoridade, com a sua superior moral e sapiência, está por natureza obrigada a defender.

Claro que sem liberdade de imprensa, por muito relativa que ela fosse, a Europa seria hoje muito diferente. Sem Erasmo, a Reforma, o iluminismo e o socialismo; e sem a arte, a ciência e a crítica bíblica, a Europa ocidental, para sossego e conforto do seu espírito, seria agora quase oriental e, com sorte, até talvez muçulmana. Uma hipótese que aparentemente agrada a toda a gente que por aí rasteja para não ofender ou amansar a conhecida susceptibilidade do Islão. A tirania do "politicamente correcto" já não permite pensar que a civilização greco-latina e judeo-cristã da Europa e da América é uma civilização superior; e superior, muito em especial, à civilização falhada muçulmana e árabe. Mas, quer se pense quer não, o facto permanece e a subserviência do Ocidente perante a intimidação islâmica, a propósito dos cartoons da Dinamarca ou de qualquer outro pretexto, envergonha e humilha.

Principalmente porque, ao contrário do que Sócrates resolveu explicar, com o seu oportunismo e a sua absoluta inconsciência cultural, a liberdade (no caso, da imprensa) não leva à "lei do mais forte". O que leva à "lei do mais forte" é o petróleo e o dinheiro do petróleo. Quando o Islão berra, a Europa treme. O resto, a baixa retórica do relativismo, não passa da eterna sabujice da dependência.

(Obrigado ao Pedro Mexia - foi no seu Estado Civil que dei com o texto, antes mesmo de o ler no Público ou n'O Espectro.)

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Bocage, episódio 4, hoje na RTP 1 às 22h15. - Espera aí... 22h15? Tão cedo?









Querem ver que neste episódio não escrevemos um único palavrão, nem sequer uma cena com mamas?

Hoje, Salvo erro no IP

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Já está disponível, totalmente grátis, o primeiro episódio d' "O Horror iNominável"!


O quê? O(A) amigo(a) ainda não subscreveu? Mau. Então faça o favor de clicar aqui, ou aceder ao feed, aqui.