sexta-feira, maio 25, 2018

E quando nos dão o troco na mão mas colocam na seguinte ordem: recibo que vamos deitar fora, nota, moedas. Como se faz para tirar o recibo da mão sem deixar cair as moedas todas? Disso é que ninguém fala.

‪Isto do PCP votar contra a eutanásia é o quê, medo que alguém proponha eutanasiar o Partido?‬

quinta-feira, maio 24, 2018

Se o Eminem aparecesse hoje, provavelmente ia ser acusado de apropriação cultural.

De cada vez que o Kendrick Lamar diz "bitch" num dos seus temas, há uma fã com vontade de subir ao palco e explicar-lhe que a N-word mesmo necessária é Noção.

Este tsunami de mails acerca da política de privacidade soa assim como "toma lá um boiãozito de vaselina" depois da sodomização já estar feita.

Diz que ontem completaram-se 8 anos desde a exibição do último episódio de uma das séries mais fascinantes e viciantes de sempre. Curiosamente, mesmo passado todo este tempo, de vez em quando, em conversa, há malta que se mostra convencida de que o final foi uma coisa... que não foi. E, na maior parte das vezes, essa malta remata dizendo que deixou de ver lá para meio da segunda ou terceira temporada. Assim é, de facto, complicado - para dizer o mínimo - saber como tudo acabou.
Não vão pelo “ouvi dizer”, vejam as 6 temporadas que vale muito a pena. Tem fillers? Muitos. Mas tem tantos killers que até dói. O episódio 5 da temporada 4, “The Constant”, p.e., é absolutamente brilhante e permanece uma lição de narrativa televisiva. Só por esse, já valeria a pena. Das raras vezes que dou workshops, é um episódio sobejamente dissecado e tem sido unânime o sentimento de admiração por todas as camadas em que “The Constant” se desenrola.
Haters gonna hate; mas, quer queiram, quer não, LOST permanece inabalável como um dos grandes marcos da ficção televisiva de todos os tempos.

Assistir ao LABIRINTO DA SAUDADE na Fundação Calouste Gulbenkian foi uma experiência solene e comovente. Não só pela presença do Professor Eduardo Lourenço na sala, no dia em que comemora os seus 95 anos, mas, acima de tudo, pelo retrato que dele nos é dado no filme. Não há vénias que cheguem para parabenizar o Miguel Gonçalves Mendes e toda a equipa, a maneira como nos leva para dentro da cabeça do Professor, todo ele pensamento maior sobre Portugal e os portugueses que (cito de memória) "descobrem os outros e se afastam cada vez mais de si mesmos". Onírico, factual - naquela medida em que a História o é, porque "a Historia é a ficção das ficções" -, profundamente emotivo, este filme caminha entre dois mundos, o documental e o ficcional - que será, talvez, a única maneira de retratar verdadeiramente a visão que Eduardo Lourenço nos dá de nós mesmos enquanto povo. Peça de filigrana que tem como material as memórias vivas e, por isso, mutáveis, vai estar a partir de quinta-feira nas salas de cinema e é de visionamento indispensável. É mais do que uma passagem do livro ao cinema, é mais, muito mais, do que uma homenagem: é uma cumplicidade.

quarta-feira, maio 23, 2018

"As coisas são demasiado complexas para se tirarem conclusões precipitadas" é o novo "não tenho argumentos por isso é melhor acabar aqui a conversa".

Kendrick Lamar chama fã ao palco para cantar com ele. A moça domina as letras. A música que o Kendrick canta tem a palavra "nigga". A moça canta a letra da música do Kendrick Lamar. Como a moça é branca, o Kendrick, muito chocadinho, interrompe aquilo porque a moça disse "nigga". E é branca. A moça branca disse a palavra que está na letra da música que o Kendrick a chamou para cantar com ele. E depois deu-lhe a chamada descasca, à frente de toda a gente.
Justifiquem lá esta atitude de merda do Lamarzinho, peeps. Tentem lá, que é para eu me rir para não chorar.

Ron Howard entrega um filme competente, by the book, sem surpresas - o que não é surpresa, tratando-se de Ron Howard. Tudo cumpre: a narrativa (Jonathan e Lawrence Kasdan também não fizeram mais do que cumprir), a temática (também ela expectável), a estética, os gags, o elenco (vão todos benzinho; os papéis também não dão para mais), as piscadelas de olho aos fãs que queriam mesmo muito ver acontecimentos do cânone, até agora apenas referidos, a acontecer. Com a limpeza despachada de um contabilista de óculos que entrega uma imaculada declaração às Finanças, o velho Ron levou a bom porto a missão. Não é um porto onde se encontrarão desvairadas e imprevisíveis noitadas, mas é um lugar onde se pode desfrutar de um salutar entretém. Se a Força está com este filme? Não diria Força, mas um Empurrãozito, pronto. Que o Empurrãozito esteja com o Ron.

#Solo #AStarWarsStory

terça-feira, maio 22, 2018

Ah, a Expo 98. Belíssimo evento onde se enfileiravam quase tantos turistas para visitar os pavilhões como hoje se enfileiram na Baixa Lisboeta para comer um pastel de bacalhau com recheio de queijo da Serra.

#Expo98 #20anosExpo98

segunda-feira, maio 21, 2018

Hoje

Poetas do Povo (#256) / Os Suspensórios Lassos do Furriel Saint-Clair por A FAVOLA da MEDUSA. 21 Maio, 22h. Com: Ana Água, Luís França e Miguel Martins. Música de Filipe Homem Fonseca e Ana Roque
Hosts: Alex Cortez e Nuno Miguel Guedes
Vanguardas: três autores muito diversos: a norte-americana Gertrude Stein (1874-1946), o italiano Filippo Tommaso Marinetti (1876- 1944) e o alemão Kurt Schwitters (1887-1948). Da primeira, Ana Água lerá um texto de Tender Buttons (1914), numa tradução de A.M.J. Crawford e Miguel Martins, publicada na revista brasileira Modo de Usar & Co.. Será acompanhada por Filipe Homem Fonseca no teremim. Do segundo, Miguel Martins lerá, em tradução sua, um trecho sobre a guerra, citado por Luigi Russolo em A Arte dos Ruídos - Manifesto Futurista, 1913 (Lisboa, Momo, 2013). Será acompanhado por Ana Roque, na trompete. Do último, Luís França lerá, na íntegra, Ursonata (1923/1932), sendo acompanhado à guitarra eléctrica por Filipe Homem Fonseca. Este texto, com prefácio de Miguel Martins e posfácio do autor, foi publicado pela Cronópio (Lisboa, 2018).
Três ideias da literatura em que o som, em associações mais ou menos livres, tem um papel fulcral.


sábado, maio 19, 2018

O episódio 8 é tão tenso que se fosse a uma consulta hospitalar era logo internado.
Que maravilha.
#TheTerror

quinta-feira, maio 17, 2018

THE TERROR é o slow burner mais cativante desta temporada televisiva. Elenco incrível a interpretar personagens marcantes, uma permanente sensação de claustrofobia - homens fechados em si mesmos, desesperados por virem à superfície - que a imensa desolação gélida, ao invés de atenuar, antes acentua. Gestão da narrativa e dos tempos fria como a paisagem. Diálogos do mais refinado: não há aqui exposição trapalhona nem nunca se cai na tentação de levar a papinha à boca do espectador. Entre os factos reais e a ficção, esta é um duríssimo tratado da distância milimétrica que separa o racional do insano. Raras vezes a condição humana terá sido retratada em televisão com tamanha crueza e virtuosismo.

Hoje! Vinde que vai ser supimpa!

Curtia isto, apesar de, já na altura, achar meio chachadice. Auto-lembrete: rever, nem que seja para confirmar a suspeita de que envelheceu mal. Esperançazinha: que agora esteja melhor, porque a série B tem, muitas vezes, esse condão.

quarta-feira, maio 16, 2018

Ao quarto episódio da segunda temporada, Westworld atinge novos píncaros. Quando se fala de séries estrangeiras, dá-se muito destaque aos meios de produção. E é verdade que eles estão lá, fruto de orçamentos com os quais, por cá, podemos apenas sonhar. Mas desenganem-se: a verdadeira diferença reside no tempo dado à escrita (tempo esse - é verdade - que é um luxo também proporcionado pelo orçamento bojudo). Lembremo-nos de que a primeira temporada teve a produção interrompida porque Lisa Joy e Jonathan Nolan não estavam contentes com os guiões finais e precisavam de tempo para rescrevê-los. E refira-se o tempo dedicado a escrever esta segunda temporada, sem pressas. As boas narrativas são como o vinho, precisam de tempo para amadurecer. Diamantes em bruto são apenas isso: diamantes em bruto. O polido é sempre melhor.

terça-feira, maio 15, 2018

O primeiro pôs a fasquia muito lá em cima, mas este segundo não desilude. Em certos sentidos, poderá até ser superior - embora uma das coisas mais bonitas do mundo seja esta possibilidade que temos de nem sequer ter de escolher um preferido.
David Leitch realiza com segurança mas, se impressionou em ATOMIC BLONDE, aqui fez-me, por vezes, suspirar pela visão que Tim Miller trouxe ao anterior DEADPOOL. Já Ryan Reynolds veio confirmar aquilo que não precisava de confirmação - nasceu para este papel.
Facto: mesmo sem um orçamento muito superior, DEADPOOL 2 tem uma grandiosidade que supera em muito o primeiro, em especial no que respeita à galeria de personagens. E, de entre esta malta, o destaque vai todo para Domino, interpretada com à-vontade por Zazie Beetz (de ATLANTA), e para Josh Brolin, que está a viver um período de ouro: depois da sua magistral prestação como Thanos em AVENGERS INFINITY WAR, brilha agora novamente como Cable.
DEADPOOL 2 oferece uma velocidade vertiginosa de piadas e referências pop, e aqui (não só, mas também) há que tirar o chapéu aos argumentistas Rhett Reese, Paul Wernick e ao próprio Ryan Reynolds: a sucessão alucinante de gags durante o filme acontece sem nunca deixar de fazer a história avançar. Se é verdade que, a espaços, se sente que a narrativa podia andar mais rápido, a comédia é de um gabarito tal que faz valer a pena o breve encosto. Violento nas imagens como nas piadas, este filme oferece gargalhada e porrada de criar bicho, mas também oferece amor, redenção e a ideia de família. Num filme em que o protagonista quebra com frequência a quarta parede, não deixa de ser irónico verificar que não tem pejo em levar-se mais a sério do que outros que, à partida, não assumem o carácter de paródia (sim, estou a pensar em THOR: RAGNAROK). Só por isso, esta segunda incursão do Merc With a Mouth em território cinematográfico (aquela de X-MEN ORIGINS: WOLVERINE nunca aconteceu) seria merecedora de aplausos.
Longa vida a Deadpool. É certinha. E nem é só por causa do seu super-poder de factor de cura; não, é que vem aí franchise. X-FORCE está anunciado. E vontade para um DEADPOOL 3, Ryan Reynolds tem e não é pouca. É continuarem a vir - nas imortais palavras de um velho sábio, "Assim vale a pena".

40 anos

Goonies de Benfica

Durante a escrita do episódio de hoje de 1986, tive oportunidade de reviver três recordações de infância. Primeira, a do mendigo que costumava pedir nas imediações da minha rua, e de quem toda a gente dizia ser secretamente rico, proprietário de prédios e terrenos. Nunca se provou nada disto e, sinceramente, olhando para o velhote, custava tanto a acreditar; mas o mito persistia, sem que, por isso, lhe deixassem de dar moedinhas (a vizinhança tinha toda um grande coração), depositando-as na ranhura da caixinha de madeira que ele trazia ao pescoço.
A outra, mais recente, mas também antiga de décadas, é a da “notícia” saída na versão portuguesa do jornal Notícias do Mundo (conservo ainda hoje todos os números), dando conta de um adorador do Diabo que morava na minha rua. Mesmo sabendo que aquelas notícias eram todas falsas, não descansei enquanto não descobri exactamente quem vivia na morada referida, e fiz o meu melhor para disfarçar o desconsolo ao perceber que não era, na realidade, vizinho de ninguém com um 666 marcado a ferro e fogo na testa. Passei esta “notícia” para o lendário Jornal do Incrível (nenhuma série passada no Portugal dos anos 80 ficaria completa sem uma referência ao Jornal do Incrível), publicação gizada pelo não menos lendário Roussado Pinto, que também coleccionei religiosamente.
A terceira: tomei contacto com a numismática por via do meu pai, coleccionador devoto, e aqui ela assume um papel determinante - o avô do Tó é coleccionador e uma moeda dada por engano ao mendigo misterioso acaba por acelerar os acontecimentos.
Deste cocktail nasceu esta espécie de Goonies de Benfica, episódio onde foi também muito explorada a temática da emancipação, com especial incidência nos percursos da Marta e da Maria de Lurdes - que diz finalmente das boas ao Fernando.
Não pudemos deixar escapar a oportunidade para uma sincera homenagem ao grande Roussado Pinto, aka Ross Pym, não só através das menções ao Jornal do Incrível e à Zakarella, mas também pela voz do Sérgio, que se desdobra em elogios para com o Mestre.
O episódio 9 é exibido hoje às 22h00 na RTP1. Importante lembrar que o próximo capítulo desta aventura milnovecentoseoitentaeseisista terá lugar a 17 de Maio, na Altice Arena - Concerto Por Um Novo Futuro - 1986, espectáculo solidário para ajudar a Novo Futuro, com a participação dos maravilhosos músicos que fizeram a banda sonora da série e com o bónus, quiçá, de tirar uma selfie com o Presidente Marcelo, porque a vida sem uma selfie com o Presidente Marcelo é uma coisa assim muito para o sensaborona. É de não perder, malta!

segunda-feira, maio 07, 2018

Generalizando: enquanto que a ficção ocidental assenta, em grande medida, em estafados contos morais unificadores, positivistas até no retrato que fazem de futuros distópicos mais ou menos próximos, a ficção asiática (foco-me mais na japonesa e sul-coreana) não receia explorar um lamaçal mais primitivo, por isso mais íntimo e assustador, que só causa ressonância emocional quando o público se permite ver reflectido sem ter, para isso, de se sentir julgado. A estranheza que muitos sentem quando são, pela primeira vez, expostos a determinados autores asiáticos, prende-se talvez mais com a temática subjacente do que com a estrutura e estética, causas normalmente apontadas para atracção ou repulsa.
Mais do que a questão do aspecto formal, há um conteúdo tratado na grande maioria da ficção de origem asiática que se aproxima perigosamente de tudo aquilo que, no ocidente, estamos demasiado ocupados a tentar ignorar, negar, e ocultar, usando para isso - ironicamente - mecanismos nascidos de uma visão deturpada do que é (generalizo, novamente) a “filosofia oriental”.

アグレッシブ烈子

Sobre Aggretsuko: não me lembro de ver uma chapada tão bem assente nas fuças da tendência hipocritamente positivista actual. Uma chapada com luvas de algodão-doce. Revestidas de pregos cortantes e enferrujados. Vénias a “Yeti”, à Sanrio, e a Rarecho, essa lenda, que escreveu e realizou.

Parem tudo o que estão a fazer e vejam e ouçam isto. “This is America” de Childish Gambino (aka Donald Glover). Realizado por Hiro Murai.

quarta-feira, maio 02, 2018

Na semana passada foi por causa do Cristiano Ronaldo e hoje é por causa da Eurovisão: a carreira de Lino e Anita vai ficar na garagem mais uma semana. Com sorte, na próxima quarta-feira lá conseguiremos ver exibido aquele que é o derradeiro episódio das Excursões Air Lino. Resta o consolo de saber que, pelo menos até agora, estes múltiplos adiamentos não desmotivaram todos aqueles que vão seguindo estas excursões. Um grande bem-haja.

segunda-feira, abril 30, 2018

A QUIET PLACE (Um Lugar Silencioso) tem muitas virtudes, sendo uma delas a de que faz das salas de cinema o lugar silencioso a nível das conversetas e mastiganço de pipoca que deveriam ser sempre: a horda normalmente ululante demonstra um nítido desconforto na prática dos ruídos e exibe um cuidado inédito, uma vez que o filme é, na sua maioria, bastante silencioso e qualquer choque molar-milho ganha proporções bíblicas. A gestão dos silêncios é, aliás, peça fundamental na tensão que o filme mantém com sucesso absoluto até à segunda metade do segundo acto, altura em que dá entrada um elemento - do qual não posso falar, porque seria um spoiler - que remete para uma solução a meu ver trapalhona em sentidos que, lá está, não posso referir.
O não-dito é peça dramatúrgica essencial na narrativa, coerente com o dispositivo de terror que serve de base a todo o filme. Uma família luta pela sobrevivência e - num plano menos metafórico e mais próximo do que é a experiência real - para estabelecer uma comunicação aberta entre si. Que o tenha de fazer num mundo em que o som chama a morte, faz deste drama familiar uma bela peça de terror cinematográfico que "só" peca pela conclusão; ou melhor, pelo mecanismo que nos leva até ela.

domingo, abril 29, 2018

When Harry Met Sally

Lindíssimo filme. Parabéns, Filipe Melo e toda a equipa. Sempre que comer tarte de maçã, vou lembrar-me deste Sleepwalk.