sábado, junho 22, 2019

Só por nostalgia se pode lamentar o fim da Vertigo. Há muito, até mesmo desde antes da saída de Karen Berger, que a Vertigo já não ocupava o lugar editorial de antigamente. Outras editoras, em especial a Image, têm editado muitos e bons títulos que, nos anos 90, só podíamos esperar do selo mais louvado da DC. O assombroso catálogo continuará a existir, o património fica. A Vertigo morreu, viva a Vertigo.
(Abaixo: capa de Brian Bolland para o Vol. 6 de THE INVISIBLES de Grant Morrison)

sexta-feira, junho 21, 2019

Capa de Paul Renaud, 2011.

Scarlet #2, escrito por Brian Michael Bendis, ilustrado pot Alex Maleev.
2010.

quinta-feira, junho 20, 2019


Um filme com um grau de auto-indulgência que só não estraga o resultado final porque todos os protagonistas têm um talento elevadíssimo e um carisma irresistível. Estão ali para se divertirem e acabamos por nos divertir com eles. Formulaico, no sentido em que segue a “fórmula-Jarmusch” (e, sendo Jarmusch, nem cai bem dizer “formulaico” - é “marca de autor”, pois claro), Os Mortos Não Morrem é por vezes inconsequente, mas sempre divertido, com aquele ritmo e tom que Bill Murray domina e em que Adam Driver já se sente em casa. São estes os dois actores que, junto com Tilda Swinton, mais se destacam; Chloe Sevigny, Steve Buscemi e Tom Waits fazem o que podem com o tempo de ecrã que têm - e fazem bonito.
O filme só peca, a meu ver, por ser assumidamente consciente de que é um filme, insistindo nessa tecla até como solução para a intriga (chamemos-lhe assim) que mereceria talvez mais trabalho de filigrana. No fim de tudo, isso é o que menos interessa, e os pontos mais fortes são a mensagem social e política (mais social que política), seguidora da cartilha de George Romero e de John Carpenter, e o rigor com que, mesmo tratando-se de uma comédia, as cenas com zombies declaradamente inspiradas no trabalho do Mestre George Romero são concretizadas. Desde Romero que ninguém filmava zombies assim; até dá a ideia de que o Mestre por lá andava, nas filmagens, a dar dicas a Jim Jarmusch. O que é bem possível, visto que - lá está - os mortos não morrem.

domingo, junho 16, 2019

Com Seratonina, Michel Houellebecq passou, cá no burgo, a ser tratado por tu por mais gente, é vê-los, de repente, a dizerem que sempre gostaram do Houellebecq desde pequeninos, leram os livros todos e torceram por ele quando jogou contra o Amora; enfim, chegou ao estatuto, digamos, de uma Agustina, e isto ainda vivo, o que, só por si, é um feito digno de vénias. Fico muito contente de perceber que um dos meus escritores-fetiche é agora sinónimo de ai eu encontro-me sempre na crista da onda no que respeita ao último grito literário, já me fazia espécie que tanta gente da crista da onda não conhecesse a extensa obra do senhor, agora é um vê se te avias nas estantes e, quero acreditar, nem só para enfeite os volumes ali estão, para isso há vasos com plantinhas - se por um lado têm de ser regados, por outro não acumulam pó. Mas ó Filipe, tu, com essa conversa, pretendes o quê?, estás armado em hipster literocoiso, só tu é que podes conhecer o Michel, não é o chef, é o outro, aquele de nome esquisito, como é que ele se chama?, porra, como é que alguém há de conseguir escrever o nome desse indivíduo sem ir ao Google?; porque foi exactamente isso que tantas vezes ouvi, malta que chutou para canto, malta que só se deu conta de que havia um Houellebecq quando os constantes dedos apontados (É islamofóbico!, é misógino!) gesticulavam de forma mais aparatosa; e alguns desse clube são os mesmos que, hoje em dia, abanam os seus exemplares como quem, num concerto, ergue um cartaz a dizer “Faz-me um filho”. E isso, convenhamos, é o tipo de mortal encarpado à rectaguarda que faz tilintar o nervo de quem mantém grande afinidade com os escritos do homem; é aquele sentimentozinho de posse, o que é que querem?, aquela comichão causada não por ver mais gente a tomar conhecimento de uma coisa que pensávamos poder guardar só para nós (catano, mas brincamos ou quê?, Houellebecq é gigantesco há q’anos, vende que se desunha, é uma pop star!), mas sim por perceber a quantidade e qualidade de quem da obra dele se aproxima (repito: cá no burgo) porque agora é fashion cumó cacete. Reparem: não estou a falar de quem só agora o descobriu: isso, acho muito bem, e nem sequer teria de achar nada, mas acho, pronto, fico muito contente, alguma inveja, até - que bom seria descobrir agora, p.e., Plataforma, O Mapa e o Território, ou Submissão; é magnífica, esta coisa de descobrir um autor que nos enche as medidas e já com tanta, tanta obra feita, nem se sabe por onde começar. Isso é bom, é espantoso, é óptimo. Mas não - estou a falar dos pavões, dos que agora, assim de repente (repito-me), já são Houellebecq desde pequerruchos; apropriaram-se do nome (vão ao Google sempre que é preciso), tatuam a cara do homem na testa se isso lhes der mais meia hora de botanço de faladura neste ou naquele evento, para impressionar, causar boa impressão, dar sainete. Concedo: isto é sinal que o danado do Houellebecq está a galgar degraus, já começa a substituir o Bukowski como escritor de quem mais gente fala sem o ter lido - corrijo: de quem mais gente se mostra íntima tendo-o conhecido há meia dúzia de dias. Não que o Houellebecq precise deste tipo de, chamemos-lhe assim, celebrações, mas - e tendo em conta que é uma pessoa tão consciente de que «a partir de certa idade, a vida torna-se sobretudo administrativa» (vem n’A Possibilidade de uma Ilha, traduzido para português de forma notável pela Inês Rodrigues), não me parece que, de ponto de vista administrativo, lhe cause impressão este súbito fluxo de royalties vindo da tugalândia, seja qual for a razão que levou ao dito fluxo. E esta converseta toda porquê?, para quê? Enfim, acontece que uma dos vermes que me consomem a tripa cerebral - chamo-lhe assim porque há uma dose de maus fígados a complicar esta digestão - é a aversão, o preconceito bacoco que ainda existe em relação à literatura de ficção científica, nervura cutucada na última sessão de Sidekicks, com o Gonçalo Freitas, onde o ilustre convidado, o Mestre João Barreiros, nos contou do incómodo de Margaret Atwood por ver o seu The Handsmaid's Tale nomeado para os Prémios Nebula, uma vez que se tratam de prémios reservados à ficção científica, e a Margaret ui-ui, ficção científica, está quieto ó mau, alguma vez?, vade retro; junte-se a isso a manifesta ignorância e prepotência de Ian McEwan, convencido que, no seu último Máquinas como Eu, descobriu a pólvora: é vê-lo pavonear-se em inúmeras entrevistas, completamente cego ao facto de que as temáticas que jura a pés juntos estar a desbravar já foram mais do que tratadas - e bem melhor, muito, muito melhor - na literatura de ficção científica (quem não sabe é como quem não vê, e depois fazem-se figuras e passam-se vergonhas), e eis-me a rir que nem um perdido por verificar que muitos dos que agora se agarram aos artelhos de Houellebecq são, na maior parte, feitos da mesma massa daqueles que olham com sobranceria para a literatura de ficção científica. E lembro-me do ensaio "Sair do século XX", incluído no Lanzarote do costas-largas Houellebecq (traduzido por Rita Carvalho e Guerra), que tive oportunidade de ler em voz alta para quem me quis ouvir no passado mês de Março, no Inventário Possível na Lua da Bika - A Vizinha, com o António de Castro Caeiro e a convite do José Anjos e do Valério Romão (que, é de referir, traduziu para português o Seratonina). Alguns excertos: «Tendo em conta a extraordinária e vergonhosa mediocridade das "ciências humanas" no século XX, tendo em conta também os progressos alcançados durante o mesmo período pelas ciências exactas e a tecnologia, é de esperar que a literatura mais brilhante, mais inventiva deste período seja a literatura de ficção científica (...) É obrigação dos autores de "literatura geral" recomendarem às populações os seus confrades talentosos e desajeitados que cometeram a imprudência de produzir para a "literatura de género", condenando-se assim a uma obscuridade crítica radical. (...) No seu período áureo, a literatura de ficção científica podia fazer este tipo de coisas: realizar uma autêntica encenação em perspectiva da Humanidade, dos seus costumes, dos seus conhecimentos, dos seus valores, da sua própria existência; tratava-se, no sentido mais autêntico do termo, de uma literatura filosófica. Tratava-se também, profundamente, de uma literatura poética (...) No plano científico e tecnológico, o século XX pode ser colocado ao mesmo nível que o século XIX. No plano da literatura e do pensamento, por outro lado, o desmoronamento é quase inacreditável, sobretudo desde 1945, e o balanço é constrangedor: quando nos lembramos da ignorância científica crassa de um Sartre e de uma Beauvoir, que, no entanto, deviam inscrever-se no campo da filosofia, quando se considera o facto quase incrível de que Malraux possa ter sido considerado - embora por muito pouco tempo - um grande escritor, avaliamos o grau de embrutecimento a que nos levou a noção de compromisso político e admiramo-nos de que actualmente ainda se possa levar um intelectual a sério (...) De facto, não acho muito exagerado afirmar-se que, no plano intelectual, não sobraria nada da segunda metade do século se não tivesse havido literatura de ficção científica.» Fico-me por aqui, até porque se dá a coincidência de não ter mais nada, por agora, a acrescentar ao assunto, com a consciência de que o Michel Houellebecq se está ora a rir, ora a marimbar para os pavões todos - e se ele se está a marimbar, quem sou eu para não marimbar também? Já soltei o vapor, agora vou administrar a minha vida, que também já estou em boa idade para isso. O que vale é que é domingo.

O Mestre Neal Adams comemorou ontem o seu 78.º aniversário.























Capa de Neal Adams com arte-final de Murphy Anderson sobre fotografia de Jack Adler.

sexta-feira, junho 14, 2019

Diz que hoje foi aprovada uma lei que proíbe beatas no chão.

Nick Derington

está nomeado para um Eisner pelo trabalho que fez em Mister Miracle.





quinta-feira, junho 13, 2019

Visionário, já em 2001 Guterres falava de pântano.

“Esta dificuldade em aceitar a mudança; e aquela ainda maior, de a mudança nos aceitar a nós.”

in A IMORTAL DA GRAÇA

quinta-feira, junho 06, 2019

Pequenada, A Imortal da Graça está a um preço bem simpático na Feira do Livro de Lisboa (e o meu anterior, Há Sempre Tempo Para Mais Nada, também). É aproveitar!

Lucio Parillo

No próximo domingo, dia 9, às 17h, os Sidekicks regressam à Fnac Chiado, e com um convidado muito especial: nem mais nem menos que o Grande João Barreiros, sumidade absoluta no que respeita à Ficção Científica! Uma hora de conversa acerca dos mais recentes lançamentos de BD, da adaptação televisiva de Swamp Thing, dos nomeados e vencedores dos Prémios Nebula, e muito, muito mais! Apareçam!

Novas datas

Portanto, acontece o seguinte: CASAL DA TRETA praticamente esgotado até ao fim desta temporada (ainda há uns poucos bilhetes até ao dia 7 de Julho).
Depois, o casal maravilha volta dia 31 de Julho e vai estar às quartas e quintas no Teatro Villaret durante o mês de Agosto!
É ou não é uma belezura?
Bilhetes já à venda; e é melhor apressarem-se que desaparecem mais rápido do que manteiga em focinho de cão!

Estreia hoje A VIDA SECRETA DOS NOSSOS BICHOS 2, onde fiz, na versão dobrada em português, a voz do terrível vilão Sergei!
Ide ver e levai os vossos petizes que o filme é inspirador e muito divertido!

segunda-feira, junho 03, 2019

sexta-feira, maio 31, 2019

La Virilha
Nightclub & Tapas
by Dildo Paris

PATRULHA DA NOITE
Sábado na RTP1

Alegria das granjolas: tem sido um forrobodó ao nível das salas esgotadas - vai daí, e a pedido de vários famílias dos quatro cantos do globo terrestre, o CASAL DA TRETA, em vez de sair de cena do Teatro Villaret no fim de Junho, vai ter ainda apresentações na primeira semana de Julho!
Entretanto - Porto, não esquecer: de 24 de Outubro a 24 de Novembro, haverá Treta no Teatro Sá da Bandeira- Porto. E os bilhetes já estão à venda!

6 de Junho é o dia de estreia de A Vida Secreta dos Nossos Bichos 2. Quando ouvirem Sergei, o vilanesco dono do circo, será a minha voz que estarão a escutar. Isto na versão dobrada, claro está; na original, o papel foi interpretado por Nick Kroll. Até agora, só tinha feito voz para uma curta-metragem de animação que eu próprio escrevi, intitulada Sem Respirar, o que é bem diferente de dobrar um personagem que já vinha com voz de origem, e numa longa-metragem. Os senhores da Illumination ouviram a minha versão e, tendo apreciado deveras, tive a oportunidade de dar voz a este Sergei. Que seja um divertido vilão foi a cereja em cima do bolo. Obrigado à Isabel Lima pelo desafio, e à Claudia Cadima pela orientação durante as gravações nos estúdios On Air. Que bela experiência, esta!
A Vida Secreta dos Nossos Bichos 2 estreia a 6 de Junho. Já tinha dito isto, não já? É para não se esquecerem.

quinta-feira, maio 30, 2019

“Gente e lugares que deixam de ser aquilo que nos lembrávamos para passarem a ser aquilo que tentaremos esquecer; passarão um dia a escombro, essa condição que as mentes menos alerta confundem com construção pela metade.
A Menina Celeste fala sozinha, ouve-a quem quer:
- Esta ideia de que uma vida se preenche com obra feita e lugares visitados, como se o simples acto de existir não fosse suficiente, como se olhar mais do que três minutos para alguma coisa fosse um desperdício. Andam a dar cabo do ócio no quotidiano, para depois poderem vendê-lo como bem de luxo.
Uma cidade em obras é como uma cidade em chamas. Ambas em transformação. Num sentido, em direcção à cinza. Noutro, em direcção a quê? O futuro?”

in A IMORTAL DA GRAÇA

CASAL DA TRETA - um espectáculo pela igualdade de genros... hããã... igualdade de gémeos. Bom, vocês perceberam. Até 30 de Junho no Teatro Villaret! Quinta a sábado às 21h30, domingos às 17h.
E a seguir: Porto! De 24 de Outubro a 24 de Novembro no Teatro Sá da Bandeira. Bilhetes já à venda!

Ontem, durante a jantarada de fim de rodagem da Patrulha da Noite, esbocei este garatujo da Vizinha dos Sacos, personagem indescritível da Joana Pais de Brito na nossa série. O episódio 2 é já no próximo sábado. Que viagem magnífica isto está a ser!

quarta-feira, maio 29, 2019

Dia 10 de Junho, às 15h30, vinde à Feira do Livro de Lisboa para terdes os vossos exemplares d’A IMORTAL DA GRAÇA assinados e poderdes depois arrecadar 300.000 rupias vendendo-os no eBay. Ou, em alternativa, guardá-los para lerdes e relerdes. Conto convosco!

Na segunda-feira passada, estive em amena conversa com o amigo Rui Unas no Maluco Beleza. É sempre um prazer falar com o Rui: até me esqueço que estamos a ser transmitidos em directo (e gravados), o que dá um gosto especial à conversa. Obrigado a todos os seguidores do Maluco Beleza pelas questões colocadas. E um abraço especial ao Chico Peres Smith, ao Marco Almeida e à Maria Higgs Celeiro. Foi maluco, foi beleza.

A capa do número 28 da venerável run de Swamp Thing escrita por Alan Moore e ilustrada por Stephen Bissette e John Totleben (Setembro, 1984). A imagem desta capa foi supimpamente reproduzida para o cartaz promocional da adaptação televisiva que está prestes a estrear.

A fasquia a atingir por qualquer biopic de um artista musical acaba de ser elevada. ROCKETMAN é mágico, emocional, conturbado, confessional e celebratório - como, afinal, a carreira de Elton John. Taron Egerton tem aqui o papel de uma vida. Chovam prémios sobre este filme. Que maravilha!

terça-feira, maio 28, 2019

sábado, maio 25, 2019

Uma semana passada, quero aqui deixar um imenso obrigado à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira pelo convite e pela conversa sobre A IMORTAL DA GRAÇA, na Biblioteca Municipal do Palácio da Quinta da Piedade, na Póvoa de Santa Iria. Foram quase duas horas que passaram a correr, comigo imerso na simpatia de todos os presentes. Espero voltar em breve.

PATRULHA DA NOITE
Estreia HOJE!
21h, RTP1

sexta-feira, maio 24, 2019

Ler Alan Moore ao som de Moondog: o Mago de Northampton e o Viking da 6.ª Avenida, dois génios com raízes muito fortes nos seus contextos geográficos, a partir dos quais atingem níveis elevados de transcendência. Combinação supimpa.