quinta-feira, dezembro 26, 2019

Que no bolsonarista Brasil se tenha verificado um atentado terrorista perpetrado por fundamentalistas religiosos contra a Porta dos Fundos não é, infelizmente, surpresa. Que grande parte dos media e da opinião pública dirija o foco, a propósito do dito atentado, sobre se o especial de Natal teve ou não piada, isso sim, baralha.
Espera - pensando melhor: não baralha nada. Afinal, estamos a viver tempos medievais, em que o arremesso de cocktails molotov é resposta adequada à comédia. A conversa do “respeitinho é muito bonito” cabe inteira numa garrafa, o ódio é o rastilho e a ignorância é a chama. Não é admissível, sob que prisma for, que alguém se refira ao que aconteceu como outra coisa que não seja terrorismo religioso.
Como sempre, a única resposta a dar a esta gente que pensa poder, através do medo, limitar a liberdade de expressão, é subir o tom. Diz que vem escrito nos Evangelhos: para cada cocktail molotov, 100 dildos na bunda.

terça-feira, dezembro 24, 2019

sábado, dezembro 21, 2019

Outro dos grandes espectáculos de stand-up comedy do ano passado - mas que só vi este ano -, e do qual acho que ainda não tinha aqui falado (não que tenha obrigatoriamente de fazê-lo, pois que a minha opinião sobre seja o que for não passa de uma migalha de côdea de pão sem glúten na imensa mesa de jantar que são as redes sociais) é este Disgraceful de Tom Segura. Reparo que a palavra lucidez aparece muitas vezes nas louvas que teço a espectáculos de comédia, o que me leva às seguintes conclusões: é o que mais prezo, a resistência às opiniões nada fundamentadas da moda, carregadas de hipocrisia, conveniência, e perdidas no exagero contraproducente que desfaz quaisquer boas intenções que pudessem haver à partida; e que é na comédia - essa perspectiva com que se encara a realidade pelo que ela é e não pelo que queremos que seja - que se encontra, hoje talvez mais do que nunca, um desassombro absoluto sem o qual se torna impossível ver a tal luz ao fundo do túnel - mais que isso: perceber que não há túnel, muito menos luz. Disgraceful é esse tipo de espectáculo, em que a gargalhada vem acompanhada de pequenas epifanias, se não de conteúdo, de formas de o pensar.

Terry Gilliam compara Paulo Branco a Trump. E depois então deixa de ser simpático.

Estou a curtir ver malta que normalmente ataca comediantes cá do burgo por achá-los ofensivos agora a defenderem o direito à ofensa no caso do Especial de Natal da Porta dos Fundos. Qual é o vosso critério, peeps? É porque o alvo das piadas não vos diz nada, e portanto estamos perante um caso de pimenta no cu dos outros ser refresco? Ou é por os rapazes serem brasileiros, estrelas galácticas, e defendê-los dá mais sainete? Alguma coerência seria catita porque de outra forma demonstrais não ser mais que palhaços oportunistas a porem-se em bicos dos pés.

sexta-feira, dezembro 20, 2019

Hoje foi o dia daqueles mails de Feliz Natal que as empresas passaram quase um mês a desenvolver como se fosse um projecto de vida ou morte e que depois a malta recebe e às vezes nem abre. #produtividade

A máscara, o capuz, o medo, a memória de hoje e futura. Pela escrita, realização, produção, interpretação, banda sonora original (e a outra); pela maneira como é feita a adaptação da obra de Alan Moore (adaptação única e única adaptação possível), imersa no zeitgeist actual como o original o era no dos anos 80; pela resposta (coincidência?) dada às recentes palavras de Moore de que o universo dos super-heróis americanos é reflexo de ideiais de supremacia branca (na série, é questão identitária da comunidade afro-americana); pelas inúmeras referências pop e eruditas, vindas de dentro e de fora do universo dos comics; pelo domínio absoluto da construção dramatúrgica (trabalho de relojoeiro) e da narrativa (ovo e galinha e ovo), esta série de Damon Lindelof é, sem sombra de dúvida, a série do ano. Mas de longe. Não está aberto a discussão.

Soberbo, este espectáculo de Michelle Wolf, a comediante que arrasou no Jantar de Correspondentes da Casa Branca naquele que seria o último ano em que permitiram participações galhóficas no dito. Um tratado hilariante sobre a falta de foco na luta pela igualdade de direitos, a ‘cancel culture’ e a vitimização. Lúcida, com domínio técnico absoluto do timing e da construção de piadas, Michelle Wolf tem neste Joke Show um dos melhores especiais de comédia deste ano. E dos últimos anos, na realidade.

Elsa, Fabian... nomes fofuchos. Porque não nomes de tempestade que sugiram o perigo real? Quem dá nome a estas depressões, furacões e afins? Uma problemática contemporânea cuja resposta tentámos encontrar há mais de ano e meio no DDT - Donos Disto Tudo, neste singelo sketch que escrevi, e os excelsos Joana Pais de Brito, Gabriela Barros e Pedro Luzindro interpretaram.

sexta-feira, dezembro 13, 2019

Facebook: a fazer-me perder o respeito por pessoas que eu até tinha em alguma conta desde 2007.

Mete mais alto #594


Apparat - Heroist

Artgerm

Trump como POTUS, Bolsonaro como Presidente, Boris como PM, Ventura no Parlamento - está na altura de acabar com o voto e fazer a contagem directamente das caixas de comentários online.

Parabéns, grande Tiago, pelo Prémio Pessoa. Tens palmilhado um belíssimo caminho. Guardo com orgulho o nosso Azul a Cores feito em 2000 e troca-o-passo. E mais orgulho sinto agora por ti. Forte abraço.

Amanhã, a 4.ª edição do FEIO começa às 15h00. Às 16h30 lá estarei também a ler. Obrigado ao Luís Carmelo pelo convite.
Podem encontrar o programa das festas aqui.

Boris venceu com maioria. Só me vem à cabeça aquela letra: “You’re gonna reap just what you sow.”

quinta-feira, dezembro 12, 2019

quarta-feira, dezembro 11, 2019

John Buscema BOTD 1927


“O sono da razão produz monstros.”
- Francisco Goya

Decorrem as gravações da 2.ª temporada da Patrulha da Noite.
Está o mundo preparado?
Não está.
É lidar.

domingo, dezembro 08, 2019

sábado, dezembro 07, 2019

Reza a lenda que, certa noite, Tom Waits rodava sobre uma interminável interestadual dos EUA, quando uma melodia esvoaçante se lhe alapou nas meninges. Sem gravador-gaiola onde pudesse guardá-la, o poeta do asfalto logo percebeu que ia perder a dita cuja; a melodia iria continuar a voar até que alguém em melhores circunstâncias a conseguisse fixar. Era a mais bela melodia do mundo, de sempre, e ele não ia conseguir lembrar-se.
Tom parou o carro, deixou-se cair de joelhos no meio da estrada e uivou à lua: “Porquê agora? Porquê?”. Acredito piamente que, até hoje, essa melodia não se deixou agarrar. Anda aos rebolões por aí, à espera de encontrar de novo aquele homem da voz cavernosa, para que ele a faça música. Menos que isso, é melodia desperdiçada.
Tom Waits faz hoje 70 anos.

sexta-feira, dezembro 06, 2019

‪A tour continua! Esgotado, esgotado, esgotado! E há datas que não estão aqui. Hoje é no Seixal!‬

O Feio.

quinta-feira, dezembro 05, 2019

A Imortal da Graça em destaque na Biblioteca da Penha de França 💜
Para mim, o ano está feito.