Segunda-feira, Julho 26, 2010

Mete mais alto #86

Ei-lo: o derradeiro episódio d'As Orelhas de Spock!

Inclui entrevista ao lendário Joseph Koch no seu armazém de Brooklyn e resolução do mistério do capacete galáctico-sideral!

Outro filme que não iria escapar às Orelhas. Diz que é "Alice in Wonderland with machine guns". Como não salivar?

SUCKER PUNCH, o próximo filme e a primeira não-adaptação de Zack Snyder.

"...full of machine guns, musical numbers, giant mechs, and (...) scantily clad young ladies" - mais info e imagens de regalar aqui.


(dava para fazer um Top Babes só com os cartazes do filme)

Domingo, Julho 25, 2010

Este iria direitinho para As Orelhas de Spock se o programa não tivesse acabado

Simon Pegg's and Nick Frost's PAUL

Diz que a reacção ontem do maralhal ao preview exibido na Comic-Con de San Diego foi deveras entusiástica. Pudera!

Hoje no último programa d'AS ORELHAS DE SPOCK

Entrevista ao lendário Joseph Koch no seu mega-armazém de comics em Brooklyn, Nova York!
Resolução do intrigante mistério do capacete galáctico-sideral!
22h45 no Canal Q.
Imperdível? Nem por isso, depois podem ver online ou on demand!

Sexta-feira, Julho 23, 2010

O programa mais geek da televisão portuguesa and beyond

Quando o Nuno Artur Silva nos convidou, a mim e ao Nuno Duarte, a participar no Canal Q, o plano era muito diferente. Era suposto eu e o Nuno irmo-nos revezando em aparições n'A Rede, dos irmãos Ana e Nuno Markl, para levarmos um pouco da nossa geekice, com recomendações e apreciações dentro do universo dos comics, do horror, da sci-fi.
A nossa contra-proposta foi a de termos um pequeno programa próprio, 15 minutos onde pudéssemos noticiar, opinar, falar acerca dos universos que tanto nos fascinam, não só para quem já naturalmente acompanha estes domínios, mas também para os que, não tendo qualquer tipo de apetência por registos mais fantásticos, vissem neste programa a oportunidade de, por assim dizer, se converterem. A cultura pop mais geek, do lowbrow aos comics mainstream; as adaptações cinematográficas de bandas desenhadas que acompanhamos desde tenra infância, o cinema de horror, a ficção científica, desde a mais hardcore à mais acessível; os delírios nipónicos e as obras-primas coreanas; o cinema de artes marciais de Hong Kong, do vintage ao mais recente; os gadgets mais inúteis e cativantes, a cultura web mais inovadora e supimpa.
A coisa não parou por aí, e desde o início planeámos incluir no programa amigos que connosco partilham deste fascínio, do Tiago Sério da Mongorhead Comics ao Gonçalo Freitas da BD Mania, ilustres gurus dos comics e do que de mais geek se faz no cinema e televisão. E o world domination plan cresceu, quando nos lembrámos de fazer uma rubrica onde os brinquedos que marcaram de forma indelével a nossa infância tivessem lugar de destaque, preciosidades dos anos 70 e 80, que muitos daqueles que acompanharam o nosso programa já tinham esquecido, graças às participações do Paulo Prazeres e do Miguel V. Santos, realizadores e magos dos efeitos especiais que também se revêm nesta maravilhosa galáxia que é o coleccionismo de tralha cósmica e super-heróistica. Há a certeza de termos provocado uma ou outra debitagem de lagrimita em todos os que reviram n'As Orelhas amigos de plástico e metal que já nem se lembravam que tinham existido nos anos mais tenros à base de criança.
Um programa destes precisava de um nome à altura, e As Orelhas de Spock surgiu-nos como uma oferenda galáctico-sideral, surgindo aos rebolões nos entrefolhos das nossas cabeçolas. Era imperativo que tivéssemos um grafismo diferente de tudo o resto, e para o efeito contámos com a colaboração do Frederico Weinholtz, impagável na velocidade com que respondeu aos constantes pedidos de separadores para as inúmeras rubricas, pedidos que talhámos específicos e aos quais o Fred respondeu com minúcia e detalhe. Precisava de um ritmo digno da modernidade que apregoava, tarefa árdua que significava encher 15 minutos com o material que se esperaria preencher uma hora. A missão era que, chegados ao final do programa, aqueles que nos acompanhavam já não se lembrariam do que tinham visto no princípio. Uma edição dinâmica, vertiginosa, exigente de um esforço sobre-humano partilhado pelo Nuno Quintão, que connosco perdeu anos de vida a tornar este delírio uma realidade. Velocidade alucinante de imagens e informação, à mistura com um mistério novelesco, à volta de um capacete intergaláctico desaparecido, e cujo desfecho está reservado para o derradeiro episódio.
Tudo ideias que sabíamos megalómanas, mas que nos esforçámos por concretizar. Fizeram-se omeletes não sem ovos, mas com menos do que os necessários, substituindo-se a gema pela moleirinha das cabeças dos envolvidos neste projecto, quebradas de forma humpty-dumptyesca para concretizar umas Orelhas que eram, se não ambiciosas demais para o tempo e meios que nelas tinhamos para investir, pelo menos ambiciosas demais para levar a jornada para além dos 13 episódios. O que é pena, mas pronto. Fica o consolo regalesco de termos feito algo de marcante, se não para o Multiverso Mediático, pelo menos para alguns bravos e fiéis que nos seguiram em jeito de culto - um gigantesco obrigado a todos vocês! -, e marcante também para os nossos registos médicos.
Foi uma viagem árdua, à base de multitasking, para todos nós, a uma velocidade daquelas warp, dignas da própria Enterprise, por caminhos cósmicos, "ousando ir onde nenhum homem tinha ido antes", mas extremamente recompensadora. Um abraço especial para a minha orelha direita, o Nuno Duarte, que é o Chewbacca do meu Han Solo, o Bucky do meu Capitão América, o Robin do meu Batman. Ou vice-versa.
O último episódio vai para o ar no próximo domingo às 22h45, não percam. E entretanto podem ver ou rever todos os episódios aqui.
Live long and prosper. Que o Lado Negro da Força esteja convosco. E saúdinha. Saúdinha também é preciso.

Sexta-feira, Julho 16, 2010

Muito verde


Ryan Reynolds vai fazer de Green Lantern e de Deadpool. Portanto, um para a DC, outro para a Marvel. É provavelmente o primeiro tipo a fazer a dobradinha. A questão é que não me parece bem nem para um nem para outro papel. Para o Lantern, é só porque não o vejo como Hal Jordan (espero estar enganado). E como Deadpool, já no Wolverine não me convenceu. Bom, mas também nada nesse filme me convenceu.
Lado bom - vai ser realizado por Martin Campbell. Man know's how to shoot.

Kato!

Um novo e cinematográfico Green Hornet, realizado por Michel Gondry, com Seth Rogen, Cameron Diaz, Edward James Olmos e esse poço de talento que é Christoph Waltz soa-me muitíssimo bem. O que não me soa tão bem é que haja outro Kato que não seja Bruce Lee.

Sexta-feira, Julho 09, 2010

Quinta-feira, Junho 24, 2010

"Acting is not a genteel profession. Actors used to be buried at a crossroads with a stake through the heart. Those people performances so troubled the onlookers that they feared their ghosts. An awesome compliment.
Those players moved the audience not such they were admitted to a graduate school, or received a complimentary review, but such that the audience feared for their soul. Now that seems to me something to aim for."
True and False
Heresy and Common Sense for the Actor

David Mamet


"A magician is an actor impersonating a magician."
- Jean Eugène Robert-Houdin

Sexta-feira, Junho 18, 2010

RIP Saramago


Trocava dois ou três Papas por um Saramago.

Segunda-feira, Junho 07, 2010

Desastres ambientais

Não sei o que é mais prejudicial para o ambiente: se o derrame da BP no Golfo do México, se as vuvuzelas da Galp.

Rethink the Human Narrative

Domingo, Maio 30, 2010

R.I.P. Dennis Hopper

Easy Rider (1969), Dennis Hopper

Sexta-feira, Abril 30, 2010

As Orelhas de Spock

Já está online a promo, fresquinha, fresquinha! Mais novidades em breve (não sei é se antes da estreia, que é já no domingo)!

Terça-feira, Abril 27, 2010

A Semente do Ouro Negro

Há uns meses largos escrevi um docudrama acerca das origens e viagens do café, produzido pela mesma equipa com quem trabalhei em 2002 no Curiua-Catu e também realizado pelo Carlos Barreto, amigo de longa data que conheci quando ambos integrámos a equipa da Conversa da Treta na TV e, mais tarde, da Paraíso Filmes. O docudrama, intitulado A Semente do Ouro Negro, rodado quase inteiramente no Brasil, foi exibido este domingo na RTP 2 e tem trailer e clips online. Os ditos clips não têm a narração em off de Pepê Rapazote, tal como aparecem no docudrama, servindo apenas para elencar as personagens principais desta história de vários séculos: Mathieu de Clieu (que eu interpretei, na condição mais ou menos comum de argumentista que faz uma perninha no filme), a Madame d'Orvilliers e Francisco de Melo Palheta. Durante a parte da rodagem em que participei fui enviando fotos para o Twitpic, que podem ver aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui (ufa), aqui (bolas), aqui (catano), aqui (tantas), aqui (gasp), aqui, aqui, aqui e aqui (esta acabaria por ser usada aqui). Fiquem com o trailer e não deixem de ver os clips.

Depende. Se for como a bacaninha do Avatar, eu quero! Em 4.º grau, faxavor.

Humanidade deve evitar contato com alienígenas, alerta Stephen Hawking.

Segunda-feira, Abril 26, 2010

Club Docs!


Parabéns aos amigos da Droid_id por esta série de documentários: JP Simões, X-Wife, Dealema, Micro Audio Waves e Terrakota, em concerto e conversa. Estreia hoje no Indie, um documentário por dia, sempre às 19h, e serão exibidos em breve na RTP 2. Imperdíveis.

Mete mais alto #84


SCREAMIN' JAY HAWKINS

Quarta-feira, Abril 21, 2010

Vem a Igreja propôr tolerância de ponto para quando o Papa vier a Portugal. Deviam era fechar as escolas e não deixar as crianças sair de casa.

Quinta-feira, Abril 15, 2010

Zoe Lacchei


link

Terça-feira, Abril 13, 2010

Segunda-feira, Abril 12, 2010

Sexta-feira, Abril 09, 2010

Mete mais alto #83


Blood Red Shoes
"Colours Fade"
Fire Like This
2010

Quarta-feira, Abril 07, 2010

Segunda-feira, Abril 05, 2010

A interactividade é uma coisa muito bonita


Quem me segue no Twitter e/ou no Facebook já o sabe: a música e o video foram terminados e entregues dentro do tempo regulamentar. Mais do que a hipótese de ganhar, moveu-me a experiência - fazer em pouco mais de quatro dias aquilo que parecia impossível, mas que, graças à colaboração dos mencionados no final do video, ganhou a forma que aqui vêem. A interactividade é uma coisa deveras bonita. Um renovado obrigado a todos, e em especial ao Zé Costa do Porto de Abrigo (Cais do Sodré, LX) por ter caído vítima da pressa e das noites sem dormir que me custaram a feitura desta musiqueta e video em tempo record. Isto porque acabei por me esquecer de mencioná-lo e à sua amabilidade em ter-nos deixado filmar no seu restaurante. Foram sessões de gravação rápidas mas custosas e longas horas de edição que, pelo menos para mim, valeram bem a pena. E agora, sem mais delongas, para quem ainda não viu - o Polvo.

F de Favola

Já conheceis A Favola da Medusa? Bruitisme dadaísta num dueto de baixos eléctricos, eu e o meu caro amigo Miguel Martins, com duas apresentações no papo, ambas no Bar da Cave (Rua da Imprensa Nacional, LX), "Love Sings Love Songs" e "100% Talent Free". Aqui e aqui imagens e sons da primeira e, em breve, video da sessão de improviso da segunda, junto com novidades de se lhe ferrar o favoledo.

Segunda-feira, Março 29, 2010

Sim, este sou eu algemado em pleno Cais do Sodré


(click na imagem para aumentar)

Trata-se da gravação deste video que, de forma insana, decidi fazer, e que vai de vento em popa. Não vos esqueçais - o prazo para gravarem e enviarem-me para o salvoerro@gmail.com os vossos considerandos acerca da corrupção termina hoje! Plize, venga!

Quinta-feira, Março 25, 2010

Gravem e enviem-me os vossos pensamentos sobre corrupção!

Passa-se o seguinte: Fair Play - Anti-Corruption, competição internacional que desafia músicos de todo o mundo a fazerem um tema (e um video) dedicado ao tema "anti-corrupção e boa governação". Ora, serve este post para vos incitar a concorrer e para dizer que eu próprio - apesar das 789696585 coisas que tenho para fazer - e da data limite para entrega ser já o dia 31 deste mês, decidi agora concorrer. Isto porque acho a corrupção um tema deliciosamente supímpico.

Quero utilizar samples na música que vou fazer, e para isso vou precisar da vossa ajuda. Gravem em audio os vossos considerandos, pensamentos, reflexões sobre a corrupção, nos formatos .wav, ou .mp3, ou .mp4, ou no que quiserem, e enviem-nos para o meu mail, salvoerro@gmail.com.

A qualidade das gravações não é muito importante, desde que se perceba o que dizem. Peço-vos um mínimo de 30 segundos e um máximo de 3 minutos. Vou depois seleccionar partes dos vossos discursos e usá-las como loops na música. Por isso caprichem na mensagem!

Podem falar da corrupção quer a nível nacional quer internacional. A ideia é despertar consciências, por isso não se sintam forçados a usar do humor. De qualquer modo, que ferramenta melhor para despertar as ditas do que o dito? Por isso, também não se inibam de usar o humor. Podem denunciar situações, propôr soluções, a nível do governo, do futebol, seja o que for, aqui ou em qualquer parte do mundo. A minha selecção vai ter como critério a acutilância e a originalidade.

Muito importante - enviem-me as vossas gravações até dia 29 deste mês, que é para eu ter pelo menos dois dias para fazer a selecção e incluir os loops na música. Quanto mais cedo melhor.

Os seleccionados aparecerão referidos no video, com link para os respectivos sites, ou blogs, ou contas de twitter. Se a minha musiqueta ganhar e eu for a Bruxelas tocá-la ao vivo, vocês estarão lá comigo em espírito e dentro do meu coração. É bonito ou não é bonito? É deveras bonito.

Peço-vos também que divulguem este meu pedido, partilhem o repto com o máximo de pessoas que conseguirem: família, amigos, conhecidos e inimigos.

Um antecipado muito e muito obrigado a todos os que enviarem gravações. Sois grandiosos.

Vamos lá, pessoal: o que é que têm a dizer sobre a corrupção?

Hell yeah!

Quarta-feira, Março 24, 2010

MUTO

Para quem não conhece.
Mais info em http://www.blublu.org

Segunda-feira, Março 22, 2010

Domingo, Março 21, 2010

Pessoa do dia #9

POEMA EM LINHA RECTA

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos

(último poema escolhido por José Carlos de Vasconcelos agora no Câmara Clara)

Hoje é dia mundial da poesia.

Quarta-feira, Março 17, 2010

Mete mais alto #82

The xx
"Heart Skipped A Beat"
xx
2009

Domingo, Março 14, 2010

Sem Respirar na Monstra


O país homenageado na MONSTRA deste ano é Portugal, e hoje às 19h há uma sessão dedicada aos argumentistas, onde vai ser exibido o Sem Respirar, curta de animação que escrevi há uns bons anos e realizada pelo Pedro Brito. Vá, saiam de casa e vão lá assistir, há lá programinha melhor para um fim de tarde dominical.

Segunda-feira, Março 08, 2010

Há mais uma fórmula


O volume 2 d'A FÓRMULA DA FELICIDADE, escrito pelo Nuno Duarte e ilustrado pelo Osvaldo Medina, sai dia 1 de Abril. Sete magníficas páginas já estão online para aguçar o apetite (como se fosse preciso aguçá-lo ainda mais depois do primeiro volume!) Sigam este link para a página de FB do Nuno Duarte para ler e ver as novidades.

Sexta-feira, Março 05, 2010

Quando vi os cartazes e achei o Chapeleiro Louco parecido com o bacaninho do Cirque du Soleil, devia ter percebido logo que vinha aí trovoada

Ai é exagero? Então vejam isto --


-- e agora olhem para isto sem chorar:

Eu queria tanto, tanto gostar deste filme. Mas o Mick continua coberto de razão quando canta you can't always get what you want. Acabei por conseguir ir à antestreia de Alice. Como afirmei odiar todos os que tinham convites para supímpico evento, e em louvor de uma certa coerência que não mantenho em todos os aspectos da vidinha, admito o ataque de urticária abjeccionista. Passou rápido, diga-se, e lá estava eu pronto para adorar a película.

Poderão argumentar: Filippetti, mas não terão sido as elevadíssimas expectativas que depositavas na coisa o verdadeiro motivo para a desilusão que sentiste depois de ver a coisa em si? E eu respondo: primeiro, não me chamo Filippetti; depois, embirro com a utilização excessiva da palavra 'coisa'; por último, deixem lá isso das expectativas - o filme não tem alma, seja qual for o grau de expectativa que se ponha na coisa.

Ler Alice no País das Maravilhas quando era criança fez-me sentir adulto de uma maneira que nunca me senti depois de adulto. Relê-lo na idade adulta fez-me sentir uma criança como de certeza não fui, mas imagino ter sido, tal é o poder transformador do livro. Ver a Alice no País das Maravilhas de Tim Burton fez-me sentir sono.

A palavra 'irresponsabilidade' veio-me por diversas vezes à cabeça durante a sessão. Quanto mais não fosse, este filme não podia ser indiferente ao facto de vivermos numa era pós-Coraline. Nada justifica que um reavivar do panteão carrolliano se traduza numa história simplista de 'coming of age' digna de um telefilme de domingo à tarde. Daqueles da Disney, como também é o caso de Alice.

É um catálogo em movimento de belíssimos pósteres para pendurar nas paredes e de action figures com um alto índice de catitidade que vão servir para tirar espaço a coleccionadores de memorabilia e engordar os cofres da Disney. Nada contra, digo eu, babado possuidor de tudo o quem tem a ver com a criação de Lewis Carroll, de dezenas de edições de Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho, em tantas línguas quantas as dos países que visitei e dos visitados por pessoas que conheço. Pessoas essas que passam automaticamente à categoria de meus amigos caso me tragam edições nativas dessas paragens remotas. Só que do aparato visual à envolvência com a história e os personagens vai uma distância tão grande quanto a que separa o Tim Burton que eu gosto deste que fez Alice.

E, já agora, aquilo dos belíssimos pósteres - olhem outra vez para o cartaz em que aparece Johnny Depp como Chapeleiro Louco. Nem precisam de ver o outro, apenas digam mentalmente: 'Cirque du Soleil'. Agora vejam lá se ainda conseguem pendurá-lo na sala. Talvez, se forem uma das garbosas moças que soltavam risinhos e batiam palminhas, palminhas, de cada vez que o Depp aparecia na tela, ainda que estivesse a fazer o mesmo papel que anda a fazer nos últimos 5356 anos. Ou então se gostaram muito do Quidam. Mas se for esse o caso, a gente escusa de falar mais sobre isso. Para não criar mau ambiente.

A Mia Wasikowska, tão Alice que está nos trailers, porque não fala, quando o faz no filme parece enfadada com os diálogos que lhe deram para interpretar, tal é a falta de foco e a leveza-Disney de um argumento que não dá o devido valor ao património carrolliano e se mostra pouco inspirado para concretizar a renovação mitológica a que se propõe. Contracenar com actores metidos em fatos verdes para depois levar animação por cima e bicharada que só é acrescentada em pós-produção também não ajudou a moça. Talvez que a tenra idade ainda não lhe tenha trazido o cinismo de, por exemplo, uma Helena Bonham Carter - das poucas notas positivas deste País das Maravilhas-'Tá-Bem-'Tá-Maravilhas-Pois -, que foi aos píncaros de uma Red Queen memorável apesar de ser bastante provável que também estivesse a achar tudo aquilo um aborrecimento dos granjolas. Aplausos também para Matt Lucas, duplicado como Tweedledee e Tweedledum, os dois bonecos que eu mais quero ter na prateleira da sala.

Vêem? Eu digo mal mas também vou dar guitinha à Disney. E porquê? Porque tudo aquilo é um anúncio sofisticado, a dizer 'Agora vais ali à Fnac ou isso e compras esta bonecada toda e estas edições novas da Alice'. E eu vou, porque sou muito influenciável e porque sou tão fã da obra de Carroll que até vou adquirir um dvd deste filme, apesar de achá-lo tão raso como a linha do meu batimento cardíaco durante momentos em que não queria acreditar no que estava a ver, um filme sem pinga do absurdo que me faz adorar os livros (uma lebre a arremesar chávenas contra as cabeças de meio-mundo e uma adivinha obscura repetida até à exaustão pelo Chapeleiro não são, nem de longe nem de perto, suficientes).

As personagens são desinteressantes, o que é incompreensível quando se pensa no material original, com tamanha fata de dimensão que, de alguma forma, até terão tirado uma ou duas das três em que o filme é suposto ser exibido. Isto porque o Real 3D aqui também sofre muito a nível de ser alguma coisa de jeito. O que só prova que o domínio do 3D não é só uma questão técnica e vem acrescentar valor artístico a essa pérola que é Avatar. Pérola, sim. De ostra gorda. Esse sim, é uma Maravilha de filme.

Danny Elfman. Li que a música que fez para Alice concretizava o mui aguardado regresso ao nível que o celebrizou. Não me lembro onde li isto, assim como não me lembro do último score de Elfman de que não me tenha esquecido imediatamante após o filme acabar. Da música que fez para Alice não posso falar - não me lembro.

Para fechar, mais uma nota, acerca da tradução: Rarrazoado? Mas que necessidade houve de traduzir Jabberwocky para Rarrazoado? Também aparece assim nas novas edições da Alice que invadem as lojas? É que não me apetecia nada adquirir edições com Rarrazoado escrito. Vou fazê-lo, porque sou um fraco. Mas não me apetecia.

Quinta-feira, Março 04, 2010

Mete mais alto #82


Ok Go
"This Too Shall Pass"
Of the Blue Color of the Sky
2010

(Videozorrozaçolameledozão!)

Quarta-feira, Março 03, 2010

Quinta-feira, Fevereiro 25, 2010

Vai-se andando até ao Porto


(click na imagem para aumentar)

VAI-SE ANDANDO estreia hoje no Coliseu do Porto! Até domingo, 27.
Mais info aqui

Quarta-feira, Fevereiro 24, 2010

Sexta-feira, Fevereiro 12, 2010

The Attention Song


Outra experiência DJ'ólica e VJ'zélica aqui deste que vos assina. Som de quilate de uma Valentina Torres pré-banda gástrica e video tão assustador como uma Betty Graffstein pela manhã. Enjoiem.

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

The Trust Song

Mais uma música e video que fiz nestes últimos dias. "The Trust Song", perturbante and yet very fofa.

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

The Experience Song

Nova musiqueta e video da dupla DJ Phileas & VJ Phizzias, duas metades do mesmo frontespício que sou eu próprio. Enjói.

Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

The Pick Up Song

Dedicado aos meus amigos VJs da DROID_id que me inspiraram a fazer este video. A musiqueta, também da minha lavra, dedico-a aos meus amigos DJs Al:x e Alex FX. As sábias palavras sampladas são de Eric Weber.

Segunda-feira, Janeiro 18, 2010

Ena, ena

Quanta honra. Já tinha tido alguns tweets em destaque no Radar da Sapo, mas desta vez atingi o pleno - 3 tweets nos 3 destaques. Diz que é a primeira vez que acontece. Pintarólico!

(click na imagem para aumentar)

Sábado, Janeiro 16, 2010

Pense no Haiti, reze pelo Haiti


On 1989 a magnitude 7.0 earthquake struck Bay Area, CA: 63 deads. In Haiti was also 7.0: 100,000 deads. Natural disaster or a poverty story? (via @JMF1957)

Terça-feira, Janeiro 05, 2010