segunda-feira, setembro 25, 2017

Sim, é perfeitamente comum um homem vir-se entre duas estações de metro. Se for entre Arroios e Alameda, até lhe chamam a Fonte Luminosa.

A Joana Amaral Dias defendeu zonas e veículos só para mulheres nos transportes públicos. Depois, veio a Fernanda Câncio dizer que isso não faz sentido e que quer é que as miúdas andem na rua sem que lhes peçam broches. A Rita Ferro Rodrigues reforçou, declarando que quer é que as miúdas possam andar de autocarro sem receio de que um gajo qualquer se encoste a elas para se vir entre uma estação e outra. E depois, veio a Mónica Calle contestar isto tudo, dizendo que quer que as filhas andem em transportes públicos e que os homens se encostem a elas.
Poderá haver quem veja aqui um debate público necessário acerca de uma questão importante. Eu só consigo ver um dos piores episódios da última temporada de "Sex and the City", em que todas as personagens vêem o mundo como pejado de Charlottes, têm as convicções de uma Miranda, usam o vernáculo de uma Samantha, e pensam que são a Carrie.

TOO REAL, de Marc Maron é daqueles solos em que nos desmanchamos a rir por um lado e choramos por outro. Aquela lagrimita de esperança: enquanto houver gente com esta clareza na leitura que faz do absurdo da condição humana, talvez que nada esteja ainda perdido. Melhor ainda: se calhar já está tudo irremediavelmente perdido, mas se foi produzida uma mente como a de Marc Maron, então talvez não nos tenhamos saído muito mal enquanto espécie.

domingo, setembro 24, 2017

Nunca gostei de mimos. De todos, só o grande mestre Marcel Marceau chegou a provocar-me alguma emoção. Inevitável: tratava-se de um grande mestre. De resto, nicles. Não foi por isso de espantar que, quando no Edinburgh Fringe de 2005 ou 2007 ouvi falar pela primeira vez falar do Tape Face (Sam Wills, à época conhecido como The Boy With Tape In His Face), a minha primeira reacção tivesse sido "não, obrigado." Preoconceito ultrapassado e, com poucos minutos vistos da actuação, já estava rendido. Tape Face é muito mais que um mimo e, mesmo quando o é, aborda o métier de uma maneira bastante original. O resultado em palco é um equilíbrio desconcertante entre o absurdo e o maravilhoso, que nos predispõe para o nível de insanidade que vai crescendo ao longo do espéctáculo. Quando ouço dizer que o trabalho de Sam Wills é clownesco, dou por mim a pensar "'tá bem, mas é clownesco q.b". E nem sequer sei bem o que isto quer dizer, 'clownesco q.b'.; mas, uma vez que também não sou grande apreciador de clowns, presumo que o Tape Face use a coisa com conta, peso e medida e, principalmente, alguma frescura. Em suma: à partida, este personagem de Sam Wills tinha tudo para que eu não estivesse para ali virado mas a verdade é que me agarrou facilmente. Entre o sorriso e a gargalhada que nos vai desenhando, Tape Face consegue dizer muita coisa sem nunca abrir a boca. A parte realmente boa disto tudo é que ele vai estar amanhã e depois no Tivoli, às 21h30. É de ir. Pessoalmente, estou muito curioso para descobrir de que maneira o número dele evoluiu nos últimos dez anos.

sábado, setembro 23, 2017

Nintendo, fundada a 23 de Setembro de 1889.

Sim, estou com umas semanas de atraso em relação à série, mas isso quer dizer que a minha noite de sexta foi melhor que a vossa porque vi este episódio absolutamente devastador. Isto começou com a fasquia tão, tão alta e consegue ficar cada vez melhor.

Entre o terramoto e Cristas, o meu coração lisboeta hesita.

A Joana Amaral Dias quer espaço próprio para mulheres nos transportes públicos. Maior desserviço para a causa feminista só mesmo se dissesse "o lugar das mulheres é na cozinha."

A malta que batia palminhas a propósito do #Brexit agora anda tão caladinha. A realidade, às vezes, é um sapo difícil de engolir.‬

Ontem houve casa cheia na Maia e hoje há FILHO DA TRETA em Beja!

sexta-feira, setembro 22, 2017

Nunca mais é Janeiro! Entretanto, o single, "Pétalas", já roda.

terça-feira, setembro 19, 2017

Mete mais alto #564


Tame Impala - The Moment
Directed by Joe G
Edited by George Manzanilla

segunda-feira, setembro 18, 2017

Daqui a pouco.

Da normalização: de repente, o canalha do Spicer até é um tipo porreiro porque aceitou gozar consigo próprio. Que giro. E o peeps bate palminhas. Esqueça-se que a notoriedade que o levou ali foi obtida por ser porta-voz de um fascista da pior espécie. Não papo. No que me diz respeito, levar este energúmeno aos Emmys é uma mancha no currículo do Colbert. O politicamente correcto obrigaria à busca de outro termo mas, à antiga, isto é um branqueamento. Vê-se isto, ouve-se a risota e os aplausos, e fica-se com a sensação: às tantas, os EUA têm o Trump que merecem. Pena que o resto do mundo coma por arrasto.

sexta-feira, setembro 15, 2017

Entretanto, enquanto o FILHO DA TRETA não chega a Lisboa para a temporada de despedida, vai estar no Auditório do Centro de Congressos da Madeira, hoje e amanhã, às 21h30, e domingo às 16h. Dizer que é imperdível seria chover no molhado. Mas olhem que é imperdível.

Faz mais ou menos um ano, estava o FILHO DA TRETA a estrear no Auditório dos Oceanos do Casino Lisboa. Um texto meu e do Rui Cardoso Martins - que já andávamos há que tempos cheios de vontade de voltar a trabalhar juntos - para uma encenação da sister-in-arms Sónia Aragão e interpretação dos grandes José Pedro Gomes e António Machado. Depois de uma gloriosa temporada no Casino e triunfal digressão nacional, o FILHO DA TRETA regressa a Lisboa para uma despedida no Teatro Villaret! Últimas oportunidades para ver ou rever!

Manuel Maria Barbosa du Bocage
faria hoje 252 anos


































Na imagem, o Miguel Guilherme na assombrosa interpretação que fez do Elmano Sadino na série BOCAGE que, em 2006, eu e o Mário Botequilha escrevemos e o Fernando Vendrell realizou.
À distância de 11 anos, aproveito para enviar um abraço a todo o elenco e equipa que, estou certo, recordam a aventura que foi fazer a série sempre que ouvem falar do Vate. E vice-versa.

A ideia de o fazermos surgiu quê? - após The Force Awakens?, Rogue One?, já nem sei. No May the 4th foi para o ar o teaser e anteontem, finalmente, lá conseguimos juntar-nos os quatro via Skype para gravar a primeira edição d'O Lado Coiso da Força. Quatro fãs confessos, o Nuno Markl, o Diogo Beja, o Luís Franco-Bastos e eu, em duas horas de alegre conversa despudoradamente geek acerca do universo Star Wars. A mudança de realizador do Episódio IX, o merchandise da saga, as teorias sobre o que poderá acontecer nos próximos filmes - todo um cacharolete de temas discutidos neste podcast que agora partilhamos convosco.
Disponível no iTunes.

https://itunes.apple.com/pt/podcast/o-lado-coiso-da-for%C3%A7a/id1233166022?l=en&mt=2

‪Certo: as praxes oferecem uma bela oportunidade para fazer amigos. Até porque ser obrigado a rastejar no meio da rua enquanto se ladra é uma maneira linda de começar uma amizade. A nostalgia que esses momentos trarão, daqui a 20 ou 30 anos: "Lembras-te de quando me amarraste a uma árvore e me atiraste ovos e farinha enquanto me obrigavas a gritar 'Sou um croquete de cocó" durante 3 horas? Percebi logo que íamos ser amigos para sempre." ‬

quinta-feira, setembro 14, 2017

Uma adenda ao post abaixo, que me surgiu em resposta aos comentários pelo FB, e que me parece fundamental salientar: a malta que, sendo do meio artístico (principais interessados), não encontram valor nesta acção do Ministério Público. Há também uma sobranceria intelectual em que a obra de Tony que não é de Tony é encarada como fazendo parte de uma "casta" intelectual inferior e que, por isso, não merece paralelo com o todo.

Têm uma piada do cacete, todos aqueles que acham a história dos plágios TonyCarreirescos um assunto de somenos importância. Como se fosse perfeitamente aceitável que se pegue em obras alheias e se capitalize com elas sem dizer ai nem ui aos autores. "Ai o Ministério Público não tem nada melhor para fazer?" Não, peeps, isto não é coisa pouca, e este avanço do MP só peca por tardio. A intangibilidade de uma música não significa que ela não tem um dono, que é quem a criou. É elementar. Ou deveria ser. A ideia de que criar uma obra artística, seja música ou outra coisa qualquer, não é trabalho, está tão mais enraizada quanto mais pequenina for a mentalidade. Esta questão dos plágios está já a servir, se não para mais nada, para tirar da toca todos aqueles que, por ignorância ou qualquer outra motivação (ainda menos) nobre, menosprezam a criação artística, o trabalho intelectual, e erguem com orgulho bacoco o estandarte do "trabalho é plantar batatas".

O tremendo boost intelectual dos fãs de Tony Carreira que agora percebem ser, afinal, admiradores de cantautores franceses e da América Latina. Inchem, hipsters.

quarta-feira, setembro 13, 2017

E a magia que se fez hoje neste estúdio? Gravação do tema do genérico de #1986ASérie com as vozes celestiais da Lena d'Água e da Catarina Salinas dos Best Youth, sob a batuta dos masters João Só e Nuno Rafael.

O iPhone X faz mapeamento de cara; o iPhone XiXi fará centimetragem de pila.

Mapeias-me a fronha mas é o caralhinho.
#iphoda

terça-feira, setembro 12, 2017

Len Wein
12 de Junho, 1948 - 9 de Setembro, 2017
Um imenso obrigado.

Outro dia, um indivíduo disse-me: "Com as redes sociais, agora toda gente tem a mania que sabe escrever".‬
‪ E continuou a tirar as suas fotografias com telemóvel para colocar no Instagram.‬
‪Ri-me.‬

De Píndaro para Hierão de Siracusa e do António de Castro Caeiro para nós. Há que regressar às tapas com o Martins. Obrigado.

Star Trek: 50 anos e 5 dias

domingo, setembro 10, 2017

Ainda não percebi se aquilo de haver gente nos EUA a disparar tiros de caçadeira contra furacões para detê-los é só boateira ou é mesmo verdade. Mesmo sabendo da existência de criacionistas e de malta que está convencida de que a Terra é plana, este parece-me um new low inacreditável. Ainda mais inacreditável, se é possível colocar a questão dessa maneira. A confirmar-se, então agradeça-se à Mãe Natureza que, na sua infinita sabedoria, está a tratar de varrer idiotas deste calibre da face do planeta.
#selecçãonaturalbaby #Darwinficariaorgulhoso