quinta-feira, outubro 19, 2017

A Hierarquia da Discordância de Paul Graham

Que desperdício. Arderam hectares e hectares de território quando bastava perfeitamente terem ardido os exemplares desta última edição da Sábado.

quarta-feira, outubro 18, 2017


Há nas pétalas das flores uma qualidade táctil transcendente,
Uma daquelas sensações sublimadas que requerem silêncio e solidão
E nos impregnam de uma tristeza boa, de uma tristeza que vale a pena
Porque nos ensina a viver alheados do corso em que a vida se tornou
E a morrer indiferentes à absurda possibilidade de qualquer fim.

Há nas flores, mais do que em qualquer bicho ou espécie de gente,
Um ensinamento de brevidade eterna, uma riqueza discreta,
Uma elegância, isso!, uma elegância, ó filisteus sem número
Que trocais de carro e de casa e de mulher e não vos iludis nunca,
Porque o encantamento só se dá na pureza e, desde que nascestes,
Uma barba cerrada trava-vos o riso e acumula restos de comida,
Restos de ideias, e uma atroz propensão para o sucesso.

Entretanto, a nobre rosa, a fulgurante papoila dos trigais,
A exótica orquídea crescendo no topo das árvores,
Existem muito para lá desta estreita faixa de gravilha
Que nos medeia o nascimento e a morte,
Existem todas em cada uma e, desse modo, ao serem tocadas,
Passam aos netos os dedos dos avós, trazem o cheiro
Primordial do mundo, do mundo ainda sem nome ou solução,
À vida entre paredes em que nos deixámos cair
E que tanto precisa de azul.

Miguel Martins, in O Caçador Esquimó

Da igualdade de género.

Amanhã a que horas é a actuação da Rainha do Eucalipto? Sabem se vai tocar alguma do novo álbum?

terça-feira, outubro 17, 2017

Para os abutres, isto é assim uma espécie de Primark.

CDS vai apresentar moção de censura ao governo. Se Assunção Cristas tivesse tido um nível de competência enquanto ministra igual à lata que tem, não teria promovido a fusão do ICNB com a AFN nem imposto a lei dos eucaliptos. Se é para sacudir água do capote, sacudia mais cedo, para cima das chamas, e escusava de estar a rezar por chuva.

Diz que é para 25 de Maio, 2018.

Canon Dodgson para o filho, Lewis Carroll, 8 anos de idade:

"...I will not forget your commission. As soon as I get to Leeds I shall scream out in the middle of the street, Ironmongers – Ironmongers – Six hundred men will rush out of their shops in a moment – fly, fly, in all directions – ring the bell, call the constables – set the town on fire. I will have a file & a screw-driver, & a ring, & if they are not brought directly, in forty seconds I will leave nothing but a small cat alive in the whole town of Leeds, and I shall only leave that, because I am afraid I shall not have time to kill it.

Then what a bawling & a tearing of hair there will be! Pigs & babies, camels & butterflies, rolling in the gutter together – old women rushing up the chimneys & cows after them – ducks hiding themselves in coffee cups, & fat geese trying to squeeze themselves into pencil cases – at last the Mayor of Leeds will be found in a soup plate covered up with custard & stuck full of almonds to make him look like a sponge cake that he may escape the dreadful destruction of the Town…"

(Obrigado, Miguel Martins)

Mete mais alto #565

Type O Negative
October Rust
1996

Sabe o que é que me aflige, doutor? É começar a perder o respeito. E quem diz começar, diz já tê-lo perdido completamente. A gente pensa que conhece as pessoas mas depois há umas que nas redes sociais parecem outras. É o que escrevem mas, mais do que isso, é quando as vejo botar likes em coisas que palavra de honra. Não as revejo naqueles likes, doutor, parece que têm duas caras, e dou por mim a pensar mas afinal que razões é que têm para estar a pôr likes nisto ou naquilo quando são istos ou aquilos que eu sei - ou julgava saber - que são completamente avessos às coisas que defendem cá fora? E perco o respeito, doutor, é assim como que um desprezo que me apanha aqui o ombro e desce pelas costas e pelo braço e já começa a alastrar para o resto do corpo, às vezes nem me tenho nas canetas. Não há remédio para isto, doutor? Nenhuma receita que me possa passar para aviar na farmácia? É que assim é muito complicado.

O aproveitamento polītico da miséria e da desgraça alheia é infâme. Percebem-se as motivações, a agenda, e o estômago revolve-se. Mas percebem-se. Agora, as motivações do pequeno tudólogo, do caça-likes e simpatias online, do oportunistazinho de serviço, que nem serviço presta, é só chico-esperteza e pecos-pecos de sofrível substância - quando a tem: essas, ninguém as percebe, excepto outros patarecos que, para aplaudirem este ou aquele tinhoso de cabeça fraca armado aos cucos, fazem figura de ursos perante outros que os observam em procissão lambe-escrotista. Tanta merda mas tanta merda mas tanta merda. Tanto oportunistazinho à espera de um convite para, sei lá, escrever uma crónicazinha num jornal? Para um ginzinho num sunset? Para o caralhinho que vos foda?

segunda-feira, outubro 16, 2017

BLADE RUNNER 2049
Notas #02

(contém SPOILERS)
Blade Runner 2049 pega num dos elementos mais importantes do filme de '82, a água, apropria-se dele e dá-lhe continuidade, usa-o de forma recorrente como material simbólico ao longo da história. A água como metáfora das memórias e da vida: as memórias que se esvaem na chuva ("like tears in rain"); a que se agita por debaixo da superfície (o escritório de Luv, com os reflexos tremeluzentes do tumulto interior da Replicant, unhas polidas e o extermínio remoto); as lágrimas de Luv como único sinal de uma humanidade que encara como fraqueza e defeito; a ausência de água/referências/vida (o deserto de Las Vegas, até ao encontrar das abelhas; e não será por acaso que Deckard tem milhões de garrafas de whisky, ao ponto de oferecê-lo ao seu cão); o lago de memórias nos aposentos de Wallace, de onde resgata o passado de um Deckard que conhece o carácter único de uma gota de água ("Her eyes were green."); a enxurrada durante o confronto entre K e Luv, ameaçando afogar um futuro que não é de nenhum deles); e o fluxo interrompido, a cristalização de tudo, quando realmente neva durante a morte de K, quando holograficamente neva sobre a primogénita da nova espécie. A própria "bolha" dentro da qual Ana Stelline é obrigada a viver, um rio aprisionado numa barragem prestes a rebentar. "I know what's real", diz Deckard a certa altura do filme. Claro como água.

“Quem ganha dinheiro quando arde Portugal”, pergunta o El Mundo
«Ali, naquele hotel e entre “ragu e ensopado de borrego”, as concessões públicas de Baleares, Estremadura, Andaluzia e Portugal eram definidas.»

Estes fogos não se atearam sozinhos.
As alterações climatéricas vêm mesmo a calhar para as partes interessadas nestes fogos. Que as há.
A pressa em apontar culpas (que as há) ao governo, o desmazelo-tipo-forquilha com que são apontadas, enumeradas, traz à cabeça a palavra "agenda".
Estes fogos não se atearam sozinhos.
O que aconteceu ontem, esta noite, é terrorismo.
Condolências aos afectados pela tragédia.
Obrigado, mais uma vez, aos bombeiros.
Estes fogos não se atearam sozinhos.
O que aconteceu ontem, esta noite, é terrorismo.

domingo, outubro 15, 2017

Educando os distraídos: é disto que se trata. Por isso, acalmem as passarecas, 'tá? Pronto.

BLADE RUNNER 2049
Notas #01

(sem spoilers)
Já se tornou comum dizer que o Blade Runner de 1982 não precisava de uma sequela. Mas a verdade é que Blade Runner 2049 também não precisa de uma prequela. Se é verdade que existem muitas referências - por continuidade ou antítese - ao filme original, que fazem ressonância e adensam o ambiente e a trama, esta obra é, por direito próprio, um objecto que se basta a si mesmo, contendo tudo o que é preciso conter para que se desfrute a história e os ambientes. Sem nunca desrespeitar as suas origens (em muitos sentidos é mais fiel ao espírito de Philip K. Dick do que o BR original), BR2049 presta-lhe as devidas homenagens com a subtleza e elegância características de Denis Villeneuve, mas cedo se emancipa.

sábado, outubro 14, 2017

32 anos

Estava a pensar louvar as inúmeras virtudes da Obra-Prima que é BLADE RUNNER 2049 mas vou é pegar no tempo que isso me levaria e dedicá-lo a ir rever o filme.

Ver THE PASSENGERS (2016) é abdicar de 116 minutos que já ninguém nos devolve. Uma história à la Corin Tellado sem o brilho kitsch necessário para se aguentar a xaropada, um ritmo trapalhão e um terceiro acto ainda mais desastroso que o resto do filme. Jennifer Lawrence e Chris Pratt com uma química que se esperaria encontrar entre um pneu a arder no deserto e uma beringela, e actuações desinspiradas. O design de produção e a direcção de arte mereciam melhor que este argumento e realização.

Amanhã, o Nuno Markl, a Ana Markl e eu vamos estar à conversa com a Patrícia Vasconcelos acerca do processo de escrita de #1986ASérie. A partir das 19h15, no “A Quatro Mãos” - 1.º Encontro de Escrita para Cinema e Televisão em Português, na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais.
Mais info aqui.

sexta-feira, outubro 13, 2017

‪Todos aqueles contra animais nos restaurantes, relaxem: de certeza que já se sentaram ao lado ou à frente de bestas bem menos simpáticas.‬

Hoje no CC Olga Cadaval e amanhã em Faro (esgotado)!

The New Mutants

Há décadas que espero por isto e parece-me que vai sair melhor que a encomenda!

Amanhã no DDT - Donos Disto Tudo vai haver arremessos de cenas por parte de Trump num singelo sketch que escrevi com a Ana Ribeiro. It's gonna be huuuge! Tremendous!

quarta-feira, outubro 11, 2017

segunda-feira, outubro 09, 2017

Quando tiver o chamado vagar, discorrerei longa e prazenteiramente acerca da Obra-Prima que é BLADE RUNNER 2049. Por agora, vou só dizer que tenho muita pena de quem não se sentiu esmagado pelo filme. É uma experiência absolutamente maravilhosa e arrasadora que vos passou ao lado.

domingo, outubro 08, 2017

Este trailer já ganhou. Pela primeira vez quero muito, mas muito, ver este filme.