terça-feira, fevereiro 19, 2019

A 20.ª edição das Correntes d'Escritas já começou! Estarei alegremente presente a partir de amanhã. No dia 21 (quinta-feira) irei apresentar A Imortal da Graça; e no dia seguinte estarei à conversa com Bruno Vieira Amaral, David Toscana, João Pinto Coelho e Luís Sepúlveda. Vemo-nos lá.

A Imortal da Graça, Livro do Dia na TSF - aqui.

quinta-feira, fevereiro 14, 2019

Uma foto tirada hoje, provando que a Graça é imortal, e um excerto do meu livro, mostrando que isto do amor e da morte não é de agora:























«Foi na estalagem que o conheceu. Mais velho, a atirar para o meio século. Hoje em dia, não conseguia sequer dizer o nome dele em voz alta, nem dentro da cabeça nem cá fora. Era uma falta assim grande. Conheceu-o e ele foi educado, daquela maneira que a jovem Celeste não sabia existir. Servia à mesa no Café Chave D'Ouro, no Rossio, aprendera maneiras com aqueles que atendia, esforçava-se para falar como eles, cheirava a roupa lavada. E a Celeste tirou os cabelos do rosto, deixou-se ver e casaram na Igreja de Arroios. A assistir, carpideiras de um funeral que ia acontecer a seguir, vieram mostrar serviço chegando mais cedo. A Celeste nem se deu conta; estava feliz.
O casebre em Loures teve o mesmo destino das cabras, foi consumido pelo vazio que lhe crescia no estômago. A Celeste escolheu lençóis e toalhas para a casa na Calçada do Poço dos Negros, ele gostava de a ouvir explicar a correcta combinação de cores e padrões; era sabedoria que lhe vinha de lidar com tanta roupa.
Ele tinha um piano, ficara ali esquecido pelo antigo inquilino. Não sabia tocar, mas tocava, e o som que saía era música para os ouvidos da Celeste. Fazia a Celeste sentir-se uma princesa e ela começou a comportar-se como tal, dentro das suas limitações - sabia lá a Celeste como se comporta uma princesa. Ele levava-lhe o pequeno-almoço à cama. Algumas noites, ao regressar do café, trazia-lhe um bibelô de porcelana, um mimo. E um dia morreu.»

terça-feira, fevereiro 12, 2019

«Dizem-nos para vivermos o agora, porque é no momento presente que existe a felicidade. Pensar apenas no agora é o que fazem os outros animais que não o homem.
»Pensar no futuro, pesar consequências de actos ou inacções, aprisionar sonhos na almofada das noites e cantá-los na mansidão frenética dos dias são factores que nos definem enquanto espécie. Viver apenas no momento é negar a nossa humanidade.
»

domingo, fevereiro 10, 2019

Rui Lagartinho no Expresso:
«Filipe Homem Fonseca escreveu o romance que anda na cabeça de muitos desde que Lisboa aprendeu a soletrar a palavra gentrificação. (...) desde que José Cardoso Pires, em "Alexandra Alpha", encostou uma personagem ao muro de azulejos da Vila Berta (e nessa altura a Graça já era um território estranho) que não tínhamos uma experiência tão estimulante.»

All Them Witches // Live on KEXP from Avast! Recording Co. (November 16th 2018)

A Imortal em casa.

sexta-feira, fevereiro 08, 2019

«Amarga e dilacerante como um copo de lixívia bebido de uma só vez, Celeste, já desististe do mundo há muito, o problema é que o mundo ainda não desistiu de ti.
Estica o braço relutante, qualquer interacção lhe custa, um preço que não quer pagar. Acende a televisão, segunda das duas naquela casa, uma maior na sala, esta na cozinha, pequena como o mundo que nela se espreita.
Só tem dois canais e já são dois a mais do que preferia ter. Há pessoas que deixam de comer para pagar pacotes de canais onde abundam programas de viagens que nunca farão a sítios onde se come comida que nunca irão comer porque gastam o pouco dinheiro que têm em pacotes de canais. Um ciclo vicioso de substituição da vida por uma imitação em alta definição, num ecrã maior do que quaisquer ambições permitidas àqueles a quem querem sossegados em casa, contentados. O básico de ontem, o luxo de hoje: um tecto. Segurança. Viagens para quê? Já bastam as emissões em directo: mais um atentado, daqueles que nos fazem telefonar para familiares e amigos. Sabemo-los longe da tragédia, só lhes queremos ouvir a voz. Mais um nome de gente, cidade ou estabelecimento, ligado de forma irremediável à ideia de tragédia. Não de descoberta revolucionária, maratona com requinte de recorde batido, especialidade gastronómica ou prova de equitação, mas de horror; monumento ao mais monstruoso do ser humano, a mais uma prova de que dizê-lo assim talvez seja uma redundância.
Cada evento destes retira mundo a toda a gente, menos vida e História, duas coisas que só são uma. Desaparece e é substituída por outra infinitamente maior pela pequenez a que nos sujeita. Lugares que deixam de ser aquilo que nos lembrávamos para passarem a ser aquilo que tentaremos esquecer. O silêncio na TV não é pelas vítimas; não há homenagem possível.
Seguem-se os pedidos de contribuição, os donativos, os números 760 para onde é suposto ligar; o luto e a regeneração e a bondade em nove dígitos e uns cobres + IVA.
No meu tempo, ajudar não era nada disto.
O teu tempo, Celeste? Que tempo é o teu?
A Menina Celeste escolhe dar atenção a isto mais tarde, talvez no anúncio do próximo atentado já consiga lidar com este.»

A Imortal da Graça
já está à venda em vetustos estabelecimentos.

Atenção, Invicta! Hoje e amanhã!

Shazam!

Desenhada esta noite: a minha versão da Mary Marvel,
inspirada na Bettie Page.
(click na imagem para aumentar)

quinta-feira, fevereiro 07, 2019

sexta-feira, fevereiro 01, 2019

Já à venda























Do press-release:
É no coração de Lisboa, entre os ruídos dos martelos pneumáticos e de uma cidade dividida entre o fascínio da novidade e a angústia da tradição, que nasce o mais recente romance de Filipe Homem Fonseca.
Ambientado numa das zonas mais populares da cidade, A Imortal da Graça retrata um grupo de moradoras (e um morador) na sua luta pelo poder – neste caso, pela sobrevivência – dentro de um bairro sitiado pela especulação imobiliária, de onde é literalmente impossível sair por causa das eternas obras de renovação.
Com laivos de farsa e comédia, A Imortal da Graça evoca também a situação presente dos bairros históricos alfacinhas, de onde residentes mais velhos e mais pobres são sistematicamente expulsos, em resposta à pressão crescente dos interesses de grupos financeiros e imobiliários.
Com a mestria e o sentido de humor de quem escreve uma crónica de bairro, Filipe Homem Fonseca traz para o seu romance situações-limite cheias de imaginação – sob a forma de histórias de amor, de perda, de ternura, de disputa e de delírio – e personagens cheias de encanto e complexidade, como o é Lisboa dos nossos dias.

quarta-feira, janeiro 30, 2019

A Imortal da Graça
chega a 1 de Fevereiro

«A velha tem queixas a apresentar, tem sempre. Novelos de fumo envolvem-lhe a cabeça como um chapéu vistoso que uma lady exibe nas corridas de cavalos.
- Milhares de anos de lutas por território e agora querem convencer-nos de que o que está a dar são casas pequenas, usa o espaço da melhor maneira, a gestão dos espaços minúsculos, é o que está na moda. Uma merda. Ninguém vive numa casa pequena porque tem sainete, vive numa casa pequena porque não pode pagar uma maior. Sempre foi assim: uns com nada para que outros tenham tudo. Mas agora tentam convencer-nos de que ter quase nada é a norma, é a moda. A miséria não vai de modas.»

domingo, janeiro 27, 2019

A idade é um posto e as mulheres do bairro lutam entre si pelo título de mais velha. Graça, jovem com o mesmo nome do bairro onde habita, é dama de companhia da Número Um, senhora centenária; só assim pode morar na Lisboa das rendas ridiculamente altas. Actores famosos de Hollywood aguardam o despejo ou a morte de mais um residente para poderem ocupar-lhe a casa. Gabriel ganhou o Euromilhões mas as obras de renovação do bairro formam um muro que o impede de sair e reclamar o prémio. Embeiçou-se por Graça e quer levá-la a jantar. Graça não quer sair; Gabriel não quer ficar. Do choque entre estas vontades nascerá a tragédia. A execução em câmara lenta prepara-se no palco feito de escombros. Uma cidade eternamente a arranjar-se para sair daqui, de si própria.

Disponível a partir de 1 de Fevereiro.
Muito em breve divulgarei data e local da apresentação, para a qual estão desde já todos convidados.

segunda-feira, janeiro 21, 2019

domingo, janeiro 20, 2019

“It had put things in perspective. He supposed that was what laughs were for.”
- Alan Moore
in Jerusalem (2016)

Malha. Junte-se a isto a notícia de que o grande George Pérez se vai retirar, e é a altura ideal para reler The Judas Contract, que o senhor fez em 1980 com Marv Wolfman.
Ah, e a série da Doom Patrol que chegue rápido!

sábado, janeiro 19, 2019

Catita. Uma abordagem às viagens no tempo que, sem ser novidade, tem pormenores com uma certa - vá - frescura. Por muitos defeitos que a série possa ter (e não são assim tantos), os personagens fazem valer a pena, servidos por actores competentes. Se vier uma 4.ª temporada, será bem-vinda. Se ficar pela 3.ª - fechou bem.

quinta-feira, janeiro 17, 2019

Só agora vi a 1.ª temporada. Muito bom.

quarta-feira, janeiro 16, 2019

O meu novo romance chega em Fevereiro. Mal posso esperar para que o leiam. Novidades em breve.
Entretanto, deixo aqui a capa, da lavra da Ana Roque aka death_by_pinscher.

quinta-feira, janeiro 10, 2019

Mystery in Space 1-3 (1951)
Covers by Carmine Infantino
with inks by Frank Giacoia & Joe Giella.

Mete mais alto #581

Homenagem de Charles Mingus a Lester Young.

Há 20 anos estreava aquela que é a melhor série televisiva de sempre até para quem não a viu.

Uma comédia para toda a família, até para aquele tio que ninguém gosta que apareça nos jantares.
“Mais do que um filme-catástrofe, é uma catástrofe de filme”,
in revista Caça e Pesca de Arrastão.‪
TIRO E QUEDA‬
‪O Filme‬
‪Estreia 17 Janeiro

quarta-feira, janeiro 09, 2019