domingo, Novembro 23, 2014

Abre a boca e come lá mais uma colherzinha

Christopher Nolan tem muitos méritos, sendo que o maior deles é, também, fonte do seu maior problema. Convencionou-se dizer que faz blockbusters 'cerebrais', em oposição aos muitos outros - que abundam - vazios de conteúdo, concentrados apenas nas sequências de acção, na espectacularidade das imagens e do som. É frequente ouvir que Nolan, ao pegar em temas e histórias como a de "Inception" ou a deste "Interstellar", não toma o 'grande público' por parvo. Estará cheio de boas intenções, mas os resultados finais apontam o contrário. Não há filme de Nolan que não seja palavroso, no pior dos sentidos: é demasiado expositivo, com diálogos em que as personagens não falam entre si: apenas estão a explicar ao público, tin-tin por tin-tin, cada passo que é dado, numa lógica de 'abre a boca que eu dou-te a papinha toda feita'. Não deixa espaço absolutamente nenhum para que seja o espectador a decifrar o que se está ou irá passar. Isto resulta cansativo, desapontante. "Interstellar" é exemplo máximo disso.
Quem não viu ainda o filme, não leia o resto deste texto, porque a partir daqui há SPOILERS. Considerem-se avisados.

Não é preciso ser um profundo conhecedor de ficção científica, nomeadamente de filmes, livros ou séries que lidem com paradoxos temporais, para descortinar, logo nos 2 ou 3 primeiros minutos do filme, o que seria a grande surpresa final. Assim que Murph, a filha de Cooper (o personagem interpretado por Matthew McConaughey) fala num fantasma que tenta comunicar com ela, percebe-se que se trata do próprio Cooper, no futuro, a tentar comunicar com a filha. Não me lixem: não fui, com certeza, eu o único a perceber isto de imediato. Assim como é mais que evidente que os tais 'eles' que estão a tentar ajudar os humanos a sobreviver a uma Terra que já não é propícia à vida, não são mais que os próprios humanos no futuro. São mecanismos já usados e abusados em histórias do género, não há aqui absolutamente nada de novo.

Tendo percebido isto logo no início, resta ao espectador o suplício de três horas de filme que já sabe como é que vai acabar, sem qualquer tipo de surpresa. O dito clímax final, num tesseract onde Cooper pode aceder ao quarto da filha em vários tempos diferentes, é um dispositivo já explorado, e com muito mais requinte, num episódio de Doctor Who, mais exactamente o quarto da segunda série da nova leva, em 2006, intitulado "The Girl in the Fireplace", escrito por Steven Moffat. Neste episódio, o Doutor encontra-se numa nave onde existem várias 'partes de trás' de uma lareira, cada uma delas dando acesso à Madame de Pompadour nas suas diferentes idades. Novamente, não há nada de novo em "Interstellar".

Claro que há boas sequências, algumas pérolas de diálogo - todo aquele que não é meramente expositivo -, e o factor inspiração e fé no engenho humano e no futuro da raça humana é de louvar, e muitíssimo necessário nos tempos que correm, para não dizer sempre. Mas o facto de haver tanto neste filme que seria de louvar torna a desilusão ainda maior. Tem tanto potencial, mas nem o argumento dos irmãos Nolan, nem a prestação dos actores está à altura. McConaughey, actor com quem nunca fui à bola, foi elevado a um estatuto que não tem depois de "Dallas Buyers Club" e "True Detective". No primeiro, fez um brilharete, admirado muitas vezes pelas razões erradas - não é por ter emagrecido ao ponto de ter ossos a espreitarem por baixo da pele que fez um bom trabalho, acontece que de facto agarrou muito bem o personagem. E em "True Detective", sem sombra de dúvida, tiro-lhe o chapéu. Mas aqui, em "Interstellar", desliza novamente para um registo que roça o melodrama, vítima talvez de um necessário contrabalanço ao tal carácter 'cerebral' de Christopher Nolan. Sobre a Anne Hathaway, nem vale a pena falar. Muito fraquinha. O elenco adicional também não traz nada de bom; trata-se de gente talentosa, mas não tem aqui espaço para subtilezas. É triste quando os personagens mais memoráveis de um filme são os robotzitos que, em principio, deveriam ter um papel apenas acessório.

Remeto para estas declarações de Terry Gilliam, onde ele explica, melhor do que eu poderia fazer, o valor de não responder a todas as perguntas do público; mais: a necessidade de levantar ainda mais perguntas. Christopher Nolan não quer fazer perguntas, limita-se a dar respostas, sem dar sequer tempo a que se coloque qualquer tipo de questão. O cinema não pode ser só isto, tal como não pode ser apenas explosões e sequências de acção. E se isto vos parece pomposo, bem, só estou a alinhar no tom com que, tanto alguns críticos internacionais como nacionais (a malta do Público, que percebe tanto de cinema como eu de carpintaria) se referem à obra de Nolan, para colocá-la em píncaros que não merece.

Li não sei onde que o maior mérito de "Interstellar" é mostrar, mais uma vez, o quão magistralmente bom é "2001: A Space Odissey" de Stanley Kubrick. Não iria tão longe. Mas.

sábado, Novembro 22, 2014

A música que Carlos Alexandre, superjuiz, crooner, dedica a José Sócrates. http://youtu.be/jwSGv_xDSPU

Jantar de Carlos Alexandre.

Carlos Alexandre, para além de juiz, também tem carreira na música. Mas o bichinho da justiça está sempre lá: atentem no nome do primeiro tema.

Se isto do Sócrates é manobra para dar cabo do PS, era escusado. A Isabel Moreira, com a história das subvenções, dava cabo do PS sozinha.

Tendo em conta o ter sido etiquetado de ultrasexy, o número de fiéis, e o ter sido detido, é correcto dizer que Sócrates é o Justin Bieber português. #Belieber #BabyBabyBabyUuuuuh

sexta-feira, Novembro 21, 2014

Ainda não foram ver TIRO E QUEDA ao Tivoli?

Tsh. Não sei o que é que andam a fazer das vossas vidas.

Isto vai acontecer a 2 de Dezembro.


Outra vez.

Obrigado a todos os que nos escutam, isto sem vocês não era ‪Outra Coisa‬.

quinta-feira, Novembro 20, 2014

Favola ocupada

Uma nota acerca da banda sonora do HOMEM OCUPADO: para além de ter composto um tema de propósito para este nosso filme, usei também algumas das músicas que fiz em 2011 para as minhas Ghost Series. A música do genérico é d'A Favola da Medusa, ensemble de que faço parte junto com o Miguel Martins e a Ana Isabel Dias, um tema, como sempre, feito de improviso, com a participação da Sónia Montenegro, que vos deixo aqui na versão integral.
(Relembro que vamos actuar hoje no Teatro Cinearte - A Barraca, 22h30, num formato diferente do que é habitual. A não perder.)

Hoje!

Do blog do Miguel Martins:

Poesia às Quintas – com Miguel Martins – 110ª sessão – Bar a Barraca – 20 de Novembro – 22.30h

Poesia em estado essencial, A Favola da Medusa é – quem o não sabe? – o melhor conjunto do mundo. Desta feita, apresenta-se com uma formação em que, a Miguel Martins e Filipe Homem Fonseca (computadores), se juntarão Ana Dias (harpa) e Joana Bagulho (cravo).

Extraordinariamente, nesta sessão haverá lugar ao pagamento de uma entrada (5€). Quem não aparecer é porque alinha em cenas macacas com o Camarinha.

Por se tratar da 110ª, lembramos que participaram nestas sessões 96 pessoas, a quem muito agradecemos. São elas:

Músicos: Abdul Moimême, A Favola da Medusa, Alexandre Andrade, Anabela Duarte, Ana Dias, Ana Van Zeller, André Ramos, António de Miranda, Benoit Crauste, Bruno Graça, Daniel Vieira, Duncan Fox, Filipe Homem Fonseca, Franz Dorsam, Gala Celma, George Haslam, Gonçalo Gato, Inês Macedo, Joana Bagulho, João Camões, João Crisóstomo, João Pedro Santos, Johannes Krieger, Jon Luz, Judith Retzlik, Mário Rua, Pedro Castanheira, Pedro Castro, Ricardo Cruz, Ricardo Pinto, Rui Godinho, Sónia Montenegro, Tomás de Miranda, Tozé Salomão, Vasco Gato. Leitores: Abel Neves, Alexandre Sarrazola, A.M.J. Crawford, Ana Isabel Soares, Ana Salomé, Ana Zanatti, André Ferreira, António de Castro Caeiro, Antonio Vicente Seraphim Pietroforte, Bruno Béu, Carlos Mota de Oliveira, Changuito, Clara Caldeira, Cristina Maria da Costa, Eduardo Brito, Frederico Amaral, Frederico Pedreira, F. Starik, Ghazal Mosadeq, Hélder Costa, Inês Ramos, Jaime Rocha, Joana Serrado, João Miguel Henriques, John Frey, John Mateer, José Luís Costa, Levi Condinho, Louisa Stratton, Luís Filipe Parrado, Luís Meireles, Manuela Costa, Manuel Filipe, Margarida Ferra, Maria do Céu Guerra, Mariana Pinto dos Santos, Mário Galego, Marta Soares, Ozias Filho, Patrícia Baltazar, Raquel Nobre Guerra, Ricardo Marques, Rui Brás, Rui Miguel Ribeiro, Sandra Filipe, Sara M. Felício, Sérgio Moras, Valério Romão, Vasco Gato, Vítor Silva Tavares.

Artistas plásticos: Ana Tecedeiro, Luís França, Luís Henriques, Ricardo Castro, Sandra Filipe.

Actores: Nuno Fernandes, Luís Miguel Corado.

Hoje, a sonda Curiosity falou sobre o robot Philae, Carlos do Carmo e Vhils. Ouçam aqui.

Os chineses são os maiores investidores no imobiliário em Portugal. Os pagodes nas bandeiras portuguesas no Euro2004 eram premonitórios.

Mais forte que UHU, é a cola que junta laureados com malta que, até então, nem sabia quem era o dito laureado. #agorasãotodosamigosefãsdocarlosdocarmo

terça-feira, Novembro 18, 2014

Assim estreou.

Um gigantesco obrigado ao Fórum Fantástico, na pessoa do Rogério Ribeiro, pela oportunidade de exibirmos no domingo o nosso "HOMEM OCUPADO - Em Casa de Cortázar", e a todo o público presente na Orlando Ribeiro - não podíamos ter desejado melhor estreia. No meio desta correria que foi a feitura deste filme, tenho de destacar esse senhor do som que é o Cristóvão Carvalho que, apesar de sobrecarregado de trabalho, deitou mãos à pós-produção audio do nosso tributo a Cortázar, fazendo acontecer a magia a que já me habituou em tantos anos de parceria. Um saravá de todo o tamanho aos nossos convidados, António Mega Ferreira, Rui Tavares, Vasco Pearce de Azevedo e Filipe Melo: sem vós, isto não seria possível. Obrigado também à Beatriz Silva, apanhada de surpresa, mas que não hesitou em deixar-se filmar enquanto ensaiava Bach em violino. Aquele abraço ao André Toscano pelo apoio sem reservas: és magnânimo. E, como não podia deixar de ser, uma saudação muito especial ao companheiro João Morales: o documentário está feito, caríssimo, e agora é mostrá-lo por esse país fora. Acima de tudo, vénia a Julio Córtazar, pela obra e inspiração. Que sejamos todos ocupados pela sua herança.

Próxima quinta, 22h, imperdível.

Quando a incompetência é demais, o povo desconfia. Ou devia.

Barack Obama fala de Vladimir Putin


Ouvir aqui.

Há um lado bom na possibilidade de Vladimir Piutin nos invadir: acabava-se logo com esta moda do gin, que os russos gostam é de vodka.

As razões que alguns media arranjam para usar a palavra "medo" mudam mais rápido do que as fashion trends. Senhoras e senhores, depois do ébola, depois da legionella, eis que para a temporada Outono-Inverno 2014 temos o regresso da gripe das aves. ‪#‎medo‬ ‪#‎medinho‬ ‪#‎cagufa‬ ‪#‎fashion‬

segunda-feira, Novembro 17, 2014

Relembro que a principal marca de chocolates é a mesma que quer privatizar a água, dizendo que não é um bem que deva ser acessível a toda a gente a não ser mediante a chamada compra. Por isso, parem lá com a merda da choradeira porque o chocolate vai acabar. Abram a pestana.

domingo, Novembro 16, 2014

"Gostávamos da casa porque, além de espaçosa e antiga (...)"

Às 18h30 no Fórum Fantástico, a decorrer na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, vai ser exibido o nosso "HOMEM OCUPADO - Em Casa de Cortázar". Um filme exigente que, pelas suas características, teve de ser realizado em apenas um mês, e nos envolveu, a mim e ao João Morales, num processo que não podia deixar de ser difícil. Valeu a pena pela enorme admiração que temos pela obra de Cortázar, e contámos com a ajuda e disponibilidade de uma mão-cheia de convidados que não hesitaram em prestar o seu depoimento para ajudar-nos a solucionar este mistério. Fica a faltar o vosso visionamento, ao fim da tarde de hoje. Esperamos por vós.

sábado, Novembro 15, 2014

Última hora: João Garcia propõe-se escalar o Kardashiarest, na cordilheira dos Kimalaias.

sexta-feira, Novembro 14, 2014

O comentário do professor Marcelo ao rabioscão da Kim Kardashian, aos vistos gold, ao rabioscão da Kim Kardashian, à aterragem do módulo Philae, ao rabioscão de Kim Kardashian, aos escuteiros, ao rabioscão da kim Kardashian, ao avanço russo pela Ucrânia, e ao rabioscão da Kim Kardashian. Para ouvir aqui.

É muito isto.

quinta-feira, Novembro 13, 2014

Depois de aterrar num cometa, o Philae vai tentar a aterragem no rabo da Kim Kardashian. Aliás, chama-se "arrabagem". Arriscadíssimo.

A Kim Kardashian precisaria na boa de pelo menos dois vistos gold.

Cavaco Silva comenta troca de galhardetes com Ferro Rodrigues.

"Olha que se não comes a papa, a mamã chama o marido da ministra das Finanças."

quarta-feira, Novembro 12, 2014

Buster Keaton


Incha, Michael Bay!

(referência desactualizada ao "Armageddon")

Proponho que Legionella se torne um verbo. Assim, quando sairem viroses da boca de, por exemplo, um Machete, um Pires, um das Neves ou um Saraiva, poderemos dizer "Estás a legionellar".

Portanto, Legionella é o nome da bacaninha que conduziu o alfa pendular, é isso?

terça-feira, Novembro 11, 2014

Em breve virá outro surto, o do Natal.


(na foto: Nancy Reagan foi uma menina má, e Mr. T não tem presentes para ela, 1983)

Crise pode justificar "certas restrições" aos direitos fundamentais

                                                                         - Machete

Alcatrão e penas. É o que este traste merece.

Uma pessoa vê as notícias e chega à conclusão que a legionella tem mais colocações que os professores. #RIPjornalismo

segunda-feira, Novembro 10, 2014

sábado, Novembro 08, 2014

Alguns jornalistas estão a esfregar as mãos de contentamento: depois de espremerem o ébola, têm agora a legionella para poderem usar a palavra "medo". Medo, medo, medo.

Homem Ocupado - Em Casa de Cortázar (trailer)

16 de Novembro, 18h30 no Fórum Fantástico
Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro
Telheiras, Lisboa
Entrada livre

Apresentação do programa do Fórum Fantástico 2014 - 17h - Fnac Chiado

Venham agora às 17h à Fnac Chiado para assistir à apresentação do programa do próximo Fórum Fantástico. Vai ser exibido pela primeira vez o trailer do documentário que fiz com o João Morales, "HOMEM OCUPADO - Em Casa de Cortázar", que tem as participações especiais de António Mega Ferreira, Vasco Pearce de Azevedo, Rui Tavares e Filipe Melo.
Até já.

16 de Novembro no Fórum Fantástico.
Novidades em breve.

(click para aumentar)

quinta-feira, Novembro 06, 2014

Acabo de saber que o "Portugal tem Talento" anda à procura de concorrentes que façam stand up, porque já estão fartos de música e cantores. Apelo ao boicote a esse apelo. Se querem comediantes profissionais, paguem-lhes. Que lá vão os diletantes, se é por desporto. Assim, vai o dinheiro todo para cenário, produção e júri (quem vão ser os jurados?), e conteúdos vão tê-los de borla. Visibilidade o catano. Só porque na última, ou numa das últimas edições do America's Got Talent, houve um finalista que era stand up comedian, agora lembraram-se. Querem apostar em novos comediantes? Então onde é que estão os programas de humor? Não há espaço, entre novelas, reality shows e "programas de talentos". Querem levar comediantes a um programa de talento, levem lá membros do governo e deixem-nos discorrer sobre o OE2015. É um pagode, primeiro lugar na certa.

terça-feira, Novembro 04, 2014

Lama is Evil

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segunda-feira, Novembro 03, 2014

Hoje

Malta da converseta do "por mim era Verão todo o ano, adoro calor": dedico este maravilhoso dia de chuva a todos vós, rogo que vos constipais.

Outra Coisa, amanhã, 8h25, Manhãs da 3


domingo, Novembro 02, 2014

O arquitecto Saraiva voltou a escrever uma crónica daquelas.
César das Neves: your move.

sábado, Novembro 01, 2014

Sangue frio

Um primeiro avanço, gravação de um ensaio.

sexta-feira, Outubro 31, 2014

Lama

Escolhemos a noite de hoje, Halloween, para nos darmos a conhecer. Às 23h59, visitem a nossa página de FB. Directamente das profundezas do Inferno, eis que chegam os LAMA.

quinta-feira, Outubro 30, 2014

O Machete já foi para a Costa esperar o Vladimir?