terça-feira, dezembro 05, 2017

Hoje o dia é do meu estimadíssimo, talentosíssimo, avassalador Miguel Martins.

O preconceito é fodido. Revela-se na resistência que muitos demostram à ideia de Tarantino pegar em Star Trek (o que demonstra bem o desconhecimento total das referências que fizeram de Tarantino o que ele é hoje). E tem-se vindo a revelar na resistência ao maravilhoso The Orville de Seth MacFarlane. Amantes de sci-fi desprovidos de sentido de humor renegam a série à partida; humoristas presos à ideia medieval de que os geeks são nhónhós não conseguem perceber o nível de geekice do génio humorístico de Seth. É giro ver tanta gente à toa. Mais giro ainda tem sido acompanhar o trabalho de gente como, p.e., o outro Seth, o Green, em pérolas como Robot Chicken. E melhor ainda é o que está para vir.

‪Estou a adorar o pânico contido dos restêlicos anti-geek perante a possibilidade de Tarantino fazer um filme de Star Trek. Ainda não perceberam, pois não? Lidem.‬

segunda-feira, dezembro 04, 2017

DARK
Notas #01

(sem spoilers)
Existe uma obsessão nada subtil com a ideia de uma aparente simetria quer na temática, quer na composição de quadros e na estrutura narrativa de DARK. O verdadeiro 'golpe de asa' está na maneira como essa abordagem não é, de todo, apenas um exercício formal, mas parte integrante do que faz desta série um objecto único, apesar das inúmeras referências a partir das quais se vai construindo. O Labirinto de Dédalo, arquétipo sobre o qual assenta a intriga, é explorado numa cadência exemplar que sublima cada recanto da sua arquitectura narrativa. O fio de Ariadne que nos permite avançar é, nada paradoxalmente, o mistério que se vai desnovelando. Que, a partir de certa altura, a simetria evolua para a supersimetria quântica (sugerida logo de início pela citação de Einstein) e dê lugar a um fractal caleidoscópico, reiteradamente cíclico, é mais uma demonstração do virtuosismo estrutural de DARK.

domingo, dezembro 03, 2017

Não sei de que se trata mas estou tentado a apostar: Snoke é, afinal, o Belmiro.‬

sábado, dezembro 02, 2017

sexta-feira, dezembro 01, 2017

Estreou hoje. Imprensa/online internacional diz que é bom. Não é. É muito, muito bom. Parte de qualquer coisa como um mix de Stranger Things com Channel Zero e Back to the Future para algo de novo, complexo, viciante. DARK, primeira série alemã da Netflix, é imperdível e fenomenal.

ONE-PUNCH MAN é, provavelmente, a melhor alegoria das chatices decorrentes de atingir a excelência num mundo que cultiva o mediano.
A primeira temporada tem 12 episódios que aconselho vivamente.

quinta-feira, novembro 30, 2017

Obrigado por tudo.

Presumo que todos os vingadores do teclado e justiceiros digitais que fazem piadolas sobre a morte de Belmiro enquanto batem palminhas já há muito tinham feito boicote a tudo o que é empresas do grupo Sonae. Ou são apenas arraçados de hiena?‬

quarta-feira, novembro 29, 2017

Também acontece no livro. Mesmo assim, gostei mais do filme.

"There was an idea" ❤

Finalmente.

terça-feira, novembro 28, 2017

Assunção Cristas diz que se está a preparar para ser primeiro-ministro.‬
‪Pois, e eu estou a preparar-me para ser o Batman.‬

Portanto, um zé pívias plagia e depois basta-lhe instrumentalizar vítimas, arremessando umas patacas - trocos, para ele - que amealhou com composições alheias, e fica-se assim? Depois venham falar-me de pirataria online e lei da cópia privada e o cacete. Uma esmolinha na palma da mão de um sem-abrigo e toca a fazer downloads sem mossa na consciência. Ou há moralidade ou roubam todos.‬

Quando acharem deprimente que haja gente a acreditar que a Terra é plana, lembrem-se que o Pedro Chagas Freitas é jurado dos Caminhos do Cinema Português.

BLADE RUNNER 2049
Notas #3

(contém spoilers)
Uma das cenas mais emocionalmente devastadoras de BR2049: o encontro de K com uma versão gigantesca da mulher amada, uma sem memória da relação entre os dois, produto em série, retrato único, com promessas programadas?, predestinadas?, haverá diferença? É-se especial em momentos muito objectivos e depois, às vezes, fica uma memória. É de uma ironia dolorosa que seja no encontro de um ser sintético com um holograma de IA que o primeiro experimenta a perda inerente à condição humana. Uma perda que também é - como, se calhar, todas são - do sentimento de se ser único ("Tens cara de Joe") e que é, paradoxalmente, passo na construção de identidade. Talvez esteja aqui o indício mais evidente de que BR2049 é, afinal, uma história de 'coming of age'. A chuva (a água; sempre a água) cai copiosamente e não há lugar a lágrimas. Nesta cena, a um segundo ou terceiro visionamento, é-nos até oferecido convite para quebrar a quarta parede. Actores que são pessoas a fingir que são máquinas que são pessoas acreditando que o são. E nós, acreditando em tudo. Cinema.

segunda-feira, novembro 27, 2017

Energias renováveis e o cacete, mas confiança renovável no Costa é que 'tá bem abelha. Quando passar pelo MAAT deixo lá uma velinha pela Geringonça ao Santo Padroeiro Mexia.

Etrigan, o Demónio - mais uma incrível criação do enorme Jack Kirby, um dos meus personagens-fetiche, especialmente depois da mini-série de Matt Wagner em 1987 - tem novíssima encarnação, escrita por Andrew Constant (o mesmo de TORN). Ainda não li mas a arte de Brad Walker e Andrew Hennessy tem muito bom aspecto. Eis uma página de THE DEMON: HELL IS EARTH #1.

Isto.

quinta-feira, novembro 16, 2017

Já o disse mais que uma vez: se os filmes live action da DC/Warner tivessem a qualidade dos filmes de animação, estaríamos bem servidos. Nesse sentido, JL quase tem êxito onde outros falharam. Apesar de ficar aquém de algumas das melhores longas de animação (Assault on Arkham; The Flashpoint Paradox) consegue, ainda assim, e por uma unha negra, entrar nesse campeonato. Longe da fasquia estabelecida por Wonder Woman (o que também não é dizer muito), Justice League apresenta uma história sofrível, personagens bidimensionais, e um CGI por vezes medonho (neste aspecto existe um "pormenor" inadmissível sobre o qual não posso falar sem escorregar para o spoiler; por isso, fica para uma próxima).
Dito isto - é divertido, carregado de acção, encaixando na categoria 'filme de domingo' que, sem dúvida, dará relativo gosto ver e rever com um olho aberto e fechado, esparramado no sofá. Não é um bom filme, não é um filme péssimo, é um filme coiso (termo técnico) com alguns gags catitas, algumas boas sequências de acção, sem nada de realmente memorável e a desperdiçar muito do material dos comics em que se baseia.
Que não se chegue ao fim de JL com um sentimento de "olha que oportunidade de fazer uma coisa grandiosa que aqui se perdeu" será talvez sintomático da postura 'encolher de ombros' com que já se aprecia um filme destes. Prefiro projectos ambiciosos e semi-falhados, com uma visão nova apenas parcialmente conseguida, como BvS, do que um a jogar pelo seguro, como este Justice League.
Os putos, esses, vão gostar. Sei disso porque o puto em mim achou tudo aquilo, se não arrebatador, pelo menos catita.

quarta-feira, novembro 15, 2017

Hoje é dia de JL. A ver se é um filme ou um spot de publicidade glorificado para vender merchandise. Se seguir os passos de WW, já não será nada mau.

Depois de uma triunfal tour europeia com os Paradise Lost, os ilustres Sinistro dão aquele que será o último concerto deste ano em território luso. Junto com os pigBall, nós, os Lâmina, abriremos a noite com um alinhamento especial, com particular incidência nos temas mais doom, a marcar o tom de uma noite de festa que se quer bem pesada. Este sábado, às 22h, no Le Baron Rouge - Rock Hangar. Faltar não é opção.

Hoje

terça-feira, novembro 14, 2017

O perigo das generalizações. Imaginem este tipo de discurso aplicado a uma raça ou género. Preconceito máximo. Parece o Ventura a falar de ciganos.

segunda-feira, novembro 13, 2017

Gente que, quando alguém aponta a completa evidência de que uma sarapitola perante visão alheia é diferente de uma violação, responde dizendo "ai agora hierarquizam-se abusos?!" - gente, tendes de ser fortes: é óbvio que se hierarquizam abusos. É. Óbvio. É assim que a justiça funciona. Bater uma sarapitola é diferente de violar. Dizer o contrário é um desrespeito completo e vergonhoso às vítimas de violação.

Deixar de desfrutar da obra de grandes artistas que foram também grandes filhos da puta é impôr a nós próprios um castigo por um crime que não cometemos.