segunda-feira, outubro 14, 2019

Richard Dawkins, em epígrafe a A Bondade dos Estranhos, de João Barreiros.

Dos dias de Fórum Fantástico: não foram 34 livros, como os que o grande João Barreiros levou para Ian Watson assinar, mas ainda foram uns quantos. Grato pela paciência e pela companhia, caríssimo João. Obrigado ao Nuno Fonseca, cujo olhar de falcão detectou a edição original do Terrarium nas mesas da Leituria (abraço, Vitor Rodrigues). Agora sou orgulhoso detentor dessa edição, devidamente embelezada pelas dedicatórias dos autores, João Barreiros e Luis Filipe Silva!
Parabéns aos vencedores do Prémio Adamastor: Miguel Jorge e a sua Apocryphus, parabéns estendidos a todos os autores e artistas que têm colaborado na revista ao longo dos anos; parabéns ao João Ventura e ao Bruno Martins Soares.
Foi muito bom voltar a fechar o Fórum Fantástico em “formato” Sidekicks ao lado dos meus compinchas de sempre, Gonçalo Freitas e Nuno Duarte. Fomos, como sempre, recebidos de tal forma que nos sentimos família. Obrigado e forte abraço aos responsáveis por esta festival que traz o fantástico e a ficção científica à Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, os galácticos Rogerio Ribeiro e João Morales. Para o ano há mais.

sábado, outubro 12, 2019

Faço também meus os agradecimentos da Ana Bola:
“Hoje Torres Novas. Dia 16 Lagos, 18 Vila do Conde, 19 Figueira da Foz. De 24 de Outubro a 24 de Novembro estamos no Sá da Bandeira no Porto e pelo meio ainda vamos no dia 31 a Bragança. E por aí fora. Até agora temos tido todas as salas esgotadas. Aliás, eu só trabalho em salas esgotadas 🙂 Agora não me desiludam. O Zé Pedro e eu agradecemos do fundo do ❤.”

sexta-feira, outubro 11, 2019

Chico Buarque, Prémio Camões, com o bónus de não ser assinado pelo Bolsonhurro, em ilustração de Butcher Billy.

Hildur Guðnadóttir

Quem apanhou, diga. Sem spoilers, basta um dedo no ar ☝️.

O Fórum Fantástico arrancou hoje com um belíssimo programa e, a encerrar, domingo às 18h45, vamos lá estar, acompanhados de um convidado muito especial: o galáctico Nuno Duarte. Iremos discutir o universo super-heroístico enquanto novo panteão de arquétipos divinos, fazer um balanço do ano no que respeita a edições de BD e adaptações cinematográficas e televisivas; e, se ainda houver tempo, vamos leiloar uma omelete de míscaros que o Freitas cozinhou em 97. Apareçam que vai ser bonito.

quarta-feira, outubro 09, 2019

O filme JOKER, a Greta Thunberg, o zeitgeist em geral, fizeram-me lembrar do meu SE NÃO PODES JUNTAR-TE A ELES, VENCE-OS, romance que publiquei em 2013:

«Vocês compreendem, só não querem admitir: isto não é sobre eles. O meu marido e aquele maldito foram uns patetas perigosos, podiam ter provocado muitos estragos, causado um mal imenso, mas não sabiam sequer o que estavam a fazer. Podem até ser culpados de ter despoletado isto tudo, mas se não fossem eles, seriam outros, outras circunstâncias que teriam exactamente o mesmo resultado. Isto não pode acabar bem, e começou a acabar da pior maneira possível, como esperado. Não é sobre eles. Em última análise, isto é sobre vocês e sobre o porquê dessa distinção num altura destas. (...) Morreram muitas pessoas baleadas, muitas mais esmagadas, um pivô de informação levou um tiro na cabeça em directo, o operador de câmara ficou debaixo de um pavor de gente. A Europa, o mundo inteiro, é isto: as pessoas vão morrendo aos poucos, às vezes morrem muitas de uma vez. Aqui podia ter acontecido por causa de um desastre natural, o terramoto que já devia ter vindo há que tempos, tarda em voltar. À falta dele, aconteceu o que bem sabem, está em todos os canais. Até já os baptizaram, os Meninos da Lágrima, por causa do quadro que o maldito tinha em casa. (...) O Menino da Lágrima está de volta e nunca foi tão célebre. Imprimem-se T-shirts, fazem-se máscaras, há jovens que as usam nos protestos diários, nunca mais ninguém voltará a calar-se. (...) Acho que, no fim disto tudo, só vão salvar-se as crianças. A primeira geração, desde há muito, com um nível de vida inferior ao dos pais. Tanto que falhámos, por permitirmos que isto acontecesse. Tirámos-lhe o amanhã, demos-lhes uma causa que, acredito, quero acreditar, não é uma causa perdida: refazer tudo de raíz. O mundo dos meus filhos será infinitamente mais feliz do que o meu, que me deixei calar.»

segunda-feira, outubro 07, 2019

Pensava que muitas das opiniões negativas sobre JOKER eram uma tragédia. Mas agora percebo que são uma comédia.


(Nota: se não viram o filme, não leiam. Tentei não fazer aqui spoilers mas, ainda assim, há sempre qualquer coisa que escapa.)

Imagino o que seja para alguém poder dizer: “Vi TÁXI DRIVER quando estreou no cinema”. Hoje, e daqui a uns anos, podemos e poderemos dizer com igual reverência: “Vi JOKER quando estreou no cinema”. É este o grau do impacto que o filme teve, uma espécie de meteoro que extinguiu qualquer relevância que as anteriores interpretaçōes do personagem no cinema pudessem ter tido.
Pronto. Este é o tom das linhas que se seguem. É lidar. Ou não.
Para os que ficam, aqui vai:
Inúmeras referências cinematográficas ecoam neste portento. Desde o já citado TÁXI DRIVER (Martin Scorsese, 1976), passando por NETWORK (Sidney Lumet, 1976) THE KING OF COMEDY (Martin Scorsese, 1982), e até FALLING DOWN (Joel Schumacher, 1993), a fragilidade da condição humana e a explosão súbita e inesperada (porque se ignoraram os sinais) daí muitas vezes consequente tem sido tratada de forma exemplar. Com JOKER, esse tratamento encontra novo patamar de excelência.
Joker sempre foi um de nós, no sentido em que personifica o potencial niilista dormente no ser humano, passível de explodir se levado a certos extremos. É assim na BD, em muitos casos, nas mãos de alguns geniais autores. O cinema é que ainda não tinha conseguido passar a essência do personagem, no tom apropriado.
Nos comics, há inúmeros exemplos do tratamento dado e dissecação feita a Joker, e são apropriados com subtileza e mestria por Todd Phillips. Desde THE KILLING JOKE (Alan Moore / Brian Bolland, 1988), até THE DARK KNIGHT RETURNS (Frank Miller / Klaus Janson, 1986), existem neste filme elementos facilmente reconhecíveis para quem quer que tenha acompanhado o personagem neste meio onde se movimenta há quase 80 anos, com um tratamento maduro que o cinema, até agora, nunca tinha sido capaz de reproduzir.
Esta fidelidade absoluta à essência da personagem acontece independentemente da intenção de Phillips se distanciar do material de origem. A verdade é que, ao mergulhar no lodaçal de ingredientes para que um homem profundamente solitário e doente se torne no agente do caos que é Joker (e que maravilhoso e adequadamente perturbante retrato da loucura enquanto última defesa de um contexto marginalizante e opressor nos é aqui oferecido por Joaquin Phoenix), Todd Phillips acabou por tecer uma representação fidelíssima do personagem. Por mais desconcertante que seja o filme, é-o ainda mais ouvir ou ler que este filme humaniza - ui, que medo - o vilão. Se a palavra ‘vilão’ parece desajustada, é porque compreendem o que, em termos ficcionais, constituí um antagonista forte - a literatura e o cinema estão pejados de exemplos em que a palavra ‘vilão’ encaixa em termos do que o antagonista faz aos outros, mas pode ser, sem esforço, substituída por ‘vítima’ quando se tomam em conta as circunstâncias que o levaram a fazê-lo (e não se esqueçam que este filme é uma história de origem). Claro que, para compreender essa dualidade, é preciso não ter intenção de higienizar a arte, permitindo que esta cumpra a sua ‘função’ (à falta de melhor palavra) que é, como terá dito Banksy, “confortar o perturbado e perturbar o confortável”. Existe uma sanha contra tudo o que sirva de espelho à feiura da sociedade contemporânea, como se o problema fosse o reflexo e não a realidade reflectida; uma necessidade absurda de arranjar um bode expiatório, uma variante moderna do ‘matar o mensageiro’, de ‘varrer para debaixo do tapete’. Aquilo que costumo chamar de processo de infantilização em curso tem feito com que os indispensáveis ‘cautionary tales’ sejam substituídos por higienizados unicórnios cor de rosa em nuvens de algodão doce que não permitem uma exposição dos males reais, que comprometem alguns dos mais importantes papéis da ficção: preparar-nos para a possibilidade de enfrentar o negativo no mundo real; oferecer-nos a chance de prevê-lo e evitá-lo; dar-nos referências a uma distância segura (a da ficção) para que não sejamos assoberbados pela inevitabilidade de alguns males do mundo. Sim: o cinema (ou qualquer outra arte) não deverá forçosamente ter, na minha opinião, qualquer obrigação pedagógica ou formativa, mas pode ter, se o(s) autor(es) assim quiser(em). Não preciso de explicar a gigantesca diferença entre ‘ter de’ e ‘poder se quiser’ - é todo um universo de distância. E, em querendo, que seja então feito com um grau de honestidade e envolvimento do calibre que se encontra em JOKER. A este respeito, permitam-me citar o que Michael Moore disse, recentemente, a propósito deste filme: «Our country is in deep despair, our constitution is in shreds, a rogue maniac from Queens has access to the nuclear codes — but for some reason, it’s a movie we should be afraid of. I would suggest the opposite: The greater danger to society may be if you DON’T go see this movie. Because the story it tells and the issues it raises are so profound, so necessary, that if you look away from the genius of this work of art, you will miss the gift of the mirror it is offering us. (...) this movie is not about Trump. It’s about the America that gave us Trump — the America which feels no need to help the outcast, the destitute. The America where the filthy rich just get richer and filthier. Except in this story a discomfiting question is posed: What if one day the dispossessed decide to fight back? (...) People are worried this movie may be too violent for them. Really? Considering everything we’re living through in real life? You allow your school to conduct ‘active shooter drills’ with your children, permanently, emotionally damaging them as we show these little ones that this is the life we’ve created for them. JOKER makes it clear we don’t really want to get to the bottom of this, or to try to understand why innocent people turn in to Jokers after they can no longer keep it together. No one wants to ask why two smart boys skipped their 4th-hour AP French Philosophy class at Columbine High to slaughter 12 students and a teacher. (...) The fear and outcry over JOKER is a ruse. It’s a distraction so that we don’t look at the real violence tearing up our fellow human beings (...) The violence in JOKER? Stop! Most of the violence in the movie is perpetrated on the Joker himself, a person in need of help, someone trying to survive on the margins of a greedy society. His crime is that he can’t get help. His crime is that he is the butt of a joke played on HIM by the rich and famous». E, ainda, as palavras de Josh Brolin: «This film makes you hurt and only in pain do we ever want to change. It’s all in the irony of trauma — a fine line between the resentment of wanting to hurt society back for raping you of a decent life, for not protecting you, and accepting what feels like alien feelings with softening to those others who seem freakish in our era of judgment, and digital damnation. (...) We have a habit of hating and ostracizing and dividing and sweeping our problems under the rug. JOKER, is simply lifting the rug and looking underneath it. Nothing more. Nothing less. It’s there.»
É difícil, repito, perceber a surpresa de quem diz ver aqui um Joker ‘humanizado‘. A verdade é que nem nunca foi outra coisa: um homem perturbado ao extremo (relembre-se, novamente, o seminal THE KILLING JOKE). É divertido ver o que escreveram críticos a propósito do filme; por exemplo, Eurico de Barros: «Já houve um tempo em as coisas eram a preto e branco, os vilões eram vilões e os heróis eram heróis». Este simplismo na análise demonstra, mais uma vez, o profundo desconhecimento - fruto de preconceito primário - dessa arte maior que é a banda desenhada, e, em particular, a banda desenhada norte-americana, onde há muito que a questão do bem contra o mal foi deixada para trás, e que a área cinzenta, real, e retratada de forma madura nas obras supracitadas, por exemplo, é o território do tratamento de temas da actualidade; um espelho de nós próprios e, em particular, da sociedade norte-americana (leiam SUPERGODS de Grant Morrison, esse tratado historiográfico dos EUA e dos comics que os têm retratado e previsto). O que Todd Phillips fez aqui foi - reitero - finalmente passar para o cinema essa maturidade na abordagem que nunca tinha chegado ao grande ecrã. Mais que isso, JOKER chega-nos enquadrado de forma perfeita no zeitgeist - e apreciá-lo, ou não, revela, muitas vezes, um posicionamento político e/ou uma enorme confusão perante o mundo tal como está. E mais: o problema de algumas críticas negativas não é, nem poderia ser, resultado da apreciação negativa per se, mas do fraco argumentário utilizado. Por vezes, até, falacioso. Julgasse eu que o facto de JOKER ter vencido o Leão de Ouro tinha abalado um certo status quo, ainda era capaz de detectar ressabiamento em muito do que se diz e escreve sobre o filme. Mas não, ui, nada disso, não, não, nem pensar.
JOKER é um filme negro e ‘adulto’ (terminologia comum mas, já na sua essência, simplista), é verdade, mas não por oposição ao material original dos comics onde vai buscar inspiração; é, isso sim, um salto gigantesco em relação a qualquer outra tentativa de adaptar personagens de banda desenhada para o cinema. A diversidade de tons e registos é imensa na BD, e quem só conhece estes universos através das adaptações cinematográficas que têm sido feitas pela Disney não faz ideia do negrume e carácter não raras vezes literário de alguns comics. Tomar a parte pelo todo, sem esforço ou honestidade intelectual para não tentar impingir estreiteza de ideias assentes em falácias, tem produzido verdadeiras pérolas do tiro ao lado, no que respeita à contextualização e posterior apreciação deste filme, extremamente reveladoras de preconceito contra o público de BD, preconceito esse com raízes no próprio desconhecimento do que o meio em causa proporciona. Não tenho dúvidas de que há quem fique muito baralhado e surpreso com o filme, mas esses serão os que só conhecem os personagens do cinema, sem que nunca tenham tido a sorte - ou encetado o esforço - de mergulhar nos comics propriamente ditos.
Em JOKER, Todd Phillips demonstrou um total dominio das potencialidades do meio, com a sorte e a visão de ter como protagonista um actor que, por muitas provas de virtuosismo que tenha dado no passado, demonstra aqui que, muito provavelmente, nasceu para fazer este papel. Adicione-se a isso uma banda sonora arrepiantemente apropriada, uma cinematografia exemplar e uma edição hiper-cuidada, e estão reunidos os ingredientes para um clássico absoluto e instantâneo, arrebatador, perturbador, que se entranha por debaixo da pele como a pintura no rosto do palhaço que poderíamos também ser todos nós, assim um dia mau - uma vida - chegasse para o clic. Em suma, JOKER é, entre muitas outras coisas, um apelo brutal à empatia, à necessidade de perceber os sinais antes que a caldeira expluda. E a agir, agir em conformidade.

Alegria brava!

Que máscara incrível para o Halloween.

domingo, outubro 06, 2019

Alegria, alegria: inaugurando a chamada season 2 do podcast, está online a sessão desta tarde na Fnac Chiado com os ilustres Rogerio Ribeiro e João Morales! Falámos do Fórum Fantástico que arranca no próximo dia 11, mas esquecemo-nos de lhes perguntar o que dizem os seus olhos. Fica para a próxima.
As ilustrações são da incrível death_by_pinscher. Ouçam o podcast aqui.

#estudasses

sábado, outubro 05, 2019

Para que serve o dia de reflexão sem a capacidade de reflectir?
Genericamente: não há lucidez sem objectividade.


(A imagem, como deveis saber, meus bebés-quase-proveta, representa a Hierarquia da Discordância de Paul Graham.)

“Studs likes to believe, despite the overwhelming evidence which clearly contradicts his theory, that the forces governing existence have a dramatist’s approach to human narrative. He likes to think such entities might have a fondness for last-minute death row pardons, million to one gambles or hair’s-breadth escapes and, as a consequence of this belief, has largely led a life of serial disappointment.” 

in Jerusalem,
Alan Moore

Cerca de 1.700 padres com comprovados abusos de menores sem serem fiscalizados

‪Então e o Portocarrero também já se enxofrou com isto como com as gémeas marotas? Ai não, espera - aqui já não há infracção de direitos de autor, pois.

sexta-feira, outubro 04, 2019

Eu sei que tinha dito que ia dissertar longamente acerca desse portento absoluto que é JOKER. Acontece que ainda não tive oportunidade porque isto é tudo muito bonito mas o tempo não estica (acho que para o mês que vem já consigo esticar o dia para 57 horas; já meti os papéis, agora é aguardar). Mas também, pressas para quê? O texto há de chegar. Entretanto, já tive oportunidade de falar - e muito; nunca o suficiente - sobre o filme com a Patrícia Pereira e o Diogo Beja, uma vez que eu e o Freitas - aka Sidekicks - fomos ao Hollywood Express botar faladura sobre tão vetusto assunto. Ora escutem lá, que a conversa foi deveras catita.


Na foto: três pessoas extremamente belas, e o Freitas.

quinta-feira, outubro 03, 2019

"A arte deve confortar o perturbado e perturbar o confortável." Acho que foi Banksy que disse isso. JOKER é uma obra-prima. Absoluta.
Amanhã escreverei largo sobre este diamante polido; agora só há espaço para esta vontade de ver o filme outra vez.

terça-feira, outubro 01, 2019

Vampirella by Artgerm























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É aquela época do ano outra vez.

Histórico! Bombástico! Galáctico! Fontes próximas da produtora Berlimitto & Pantagruel garantem que Cristina Ferreira irá interpretar o papel de Xpnik Kuniek-Blaaaa, a Imperatriz da Constelação de Xupiagnnnn, na próxima longa-metragem de STUFF WARS. A reforçar esta revelação, a produtora já divulgou esta foto de Cristina durante os testes de guarda-roupa. Destaque para a tiara de antenas que permite à Imperatriz Xpnik Kuniek-Blaaaa comunicar com peixes escamados, bitoques e hortaliça velha.

Próximo domingo, 6 de Outubro, depois de votarem no vosso super-vilão preferido, venham até à Fnac Chiado para a 1.ª sessão desta 2.ª season de Sidekicks, a que demos o pomposo nome de 1.ª sessão desta 2.ª season de Sidekicks. E não podíamos abrir de melhor maneira: connosco estarão os ilustres Rogério Ribeiro e João Morales, que nos vão pôr a par do passado, do presente e do futuro do Fórum Fantástico. Vinde que vai ser deveras bonito!

segunda-feira, setembro 30, 2019

Liam Sharp

Deveras catita, a leitura que fiz sábado passado no Reverso // Encontro de autores, artistas e editores independentes. Muito obrigado a todos os que assistiram, ao Vasco Gato pelo convite, ao Paulo Tavares pela recepção, e a todos na Cossoul pela hospitalidade.

Muito provavelmente a melhor adaptação de um comic para série televisiva. A obra de Garth Ennis e Darick Robertson, THE BOYS, foi passada de forma brilhante para o pequeno ecrã por Eric Kripke. Elenco de excepção, com destaque para Karl Urban (Billy Butcher), Jack Quaid (Hughie Campbell), Erin Moriarty (Annie January / Starlight), Tomer Capon (Frenchie), Antony Starr (Homelander) e Elisabeth Shue (Madelyn Stilwell). A necessidade que a espécie humana tem de salvadores leva à manipulação, à cegueira e à impunidade. Poderá haver mais actual que isto?

De vez em quando, lá surge a frase: é a era de ouro das séries televisivas. Já houve muitas; ou, talvez, ainda não tenhamos saído dessa era desde que o termo começou a surgir. Garantia, uma: que PERPETUAL GRACE, LTD corra o risco de passar despercebida no meio de tanta coisa boa é sinónimo de que existe, de facto, uma avalanche de séries incríveis, e o tempo não dá para tudo. Da minha parte, devo dizer que há muito que a escrita de uma série não me deixava de boca tão à banda. Vai beber de várias referências, todas elas dignas de vénias, ao mesmo tempo que tem uma identidade própria, única. O resultado é novo e irresistível. Se só conseguirem ver mais uma série até ao fim deste ano, que seja esta. Que portento.

Aqui há uns 300 anos, quando frequentei um seminário do excelentíssimo Robert McKee, guru da escrita de argumento, ouvi-o repetir, uma e outra vez, que o cinema sul-coreano era o melhor do mundo. Descontando o exagero que McKee imprime nas suas palavras, destinado a passar uma ideia e a fixá-la de forma indelével em quem o escuta ou lê, tenho tido a oportunidade de verificar que estava coberto de razão. Se, naquela época, já tinha algum contacto com o cinema da Coreia do Sul, desde então - e porque começaram a chegar a Portugal, de forma mais regular, várias pérolas desse país - tenho-me deparado com inúmeros outros exemplos dessa mestria absoluta. Já falei longamente do universo temático que, de forma genérica, caracteriza o cinema asiático no seu todo, pelo que não me vou estar aqui a repetir. Mas em relação ao sul-coreano, especificamente, devo referir aquele que é, com grande índice de probabilidade, o exemplo máximo de um completo domínio da arte de contar histórias que já me foi dado ver. Do argumento à realização, passando pela interpretação de todo o elenco, PARASITE, de Bong Joon-Ho, é uma gema sem falhas. Quanto menos se disser sobre o filme, melhor, para não correr o risco de desvendar pormenores muito mais arrebatadores se surgirem, durante o visionamento, como completa surpresa. Agora, que estamos a falar de uma obra-prima absoluta, disso não haja qualquer dúvida.

sexta-feira, setembro 27, 2019

Hoje

They live!

1986: e se fosse um comic?


Arte de Selma Pimentel.

Miguel Martins, DAS MULHERES, incluído no livro LÉRIAS, Averno, 2011


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